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Clipping

09/11/2017 às 16:56

A mídia e os fascistas que queimam 'bruxas'

Escrito por: Kiko Nogueira
Fonte: Blog do Miro

A Folha batizou de “grupos conservadores” os celerados que atearam fogo a uma boneca de Judith Butler enquanto gritavam “queimem a bruxa” em frente ao Sesc-Pompeia.
 
O mesmo jornal define Olavo de Carvalho como “referência do conservadorismo no Brasil”. Jair Bolsonaro já foi classificado como “nome conservador”. O Estadão também assim o intitula.
 
O que mais falta esses radicais fazerem para ser denominados pelo que são? O termo “extremistas de direita” não existe nos manuais da redação?
 
Abraham Lincoln questionou: “O que é o conservadorismo? Não é a adesão ao antigo e tentado contra o novo e não experimentado?”
 
Em 1952, Russell Kirk lançou o influente livro “The Conservative Mind” (“A Mentalidade Conservadora”, publicado no Brasil), clássico do pensamento político.
 
Para Kirk, é preciso combinar “uma capacidade para reformar com uma disposição para preservar; o homem que ama a mudança é totalmente desqualificado do seu desejo, para ser o agente da mudança”.
 
Ele cita o britânico Edmund Burke, pai do conservadorismo, que enfatizava a ordem, a preservação das instituições sociais, a administração e a prudência como elementos-chaves.
 
“Em algum lugar deve haver um controle sobre a vontade e o apetite, e menos do que há por dentro, e mais do que deve haver por fora”, escreveu.
John Adams, segundo presidente dos Estados Unidos, um dos “founding fathers”, via “humildade, paciência e moderação” como as maiores virtudes políticas.
 
Alguma semelhança com a camarilha que encena espetáculos medievais contra uma filósofa?
 
Com os cidadãos de bem que invadem exposições de arte e ameaçam visitantes?
 
Com um candidato a presidente que prega o fuzilamento de “bandidos” e exalta um torturador? Ou com um pastor que prega a “cura gay”?
 
Ao mentir sobre a natureza desses homens e movimentos e chamá-los pelo que não são, a mídia ajuda a legitimá-los. Parte é ignorância e preguiça, parte é cálculo. Afinal, muitos deles são leitores.
 
Não passa um dia sem que um grupo desses “conservadores” pratique um ato ignóbil e radical.
 
A imprensa é cúmplice dessa horda e o será até que um boneco de um Marinho, um Frias ou um Civita - ou os próprios - seja atirado na fogueira pelos “conservadores”.