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Clipping

17/03/2016 às 15:09

A morte adiada dos consoles de jogos

Escrito por: Felipe Marra Mendonça
Fonte: Carta Capital

A Microsoft muda o ciclo de produção dos equipamentos, substituídos por versões novas a cada cinco ou sete anos

A Microsoft mostrou em tempos recentes uma disposição renovada para reconquistar o seu espaço no mercado, com o lançamento de dispositivos interessantes como o Surface Pro e a divulgação de planos como aquele de uma interface em realidade virtual para o Windows 10 em conjunto com o HoloLens, um dispositivo ocular.
 
Na terça-feira 1º, a empresa expôs o que pretende fazer com a sua divisão de entretenimento, com foco principal na plataforma Xbox. O chefe da divisão, Phil Spencer, disse que a empresa discorda do modelo tradicional de consoles, em que uma geração torna-se obsoleta e é logo substituída por outra atualizada e de poder computacional superior.
 
“O que os consoles fazem é fixar as plataformas de hardware e software no começo de cada geração. E isso perdura pelos próximos sete anos, enquanto outros ecossistemas tornam-se cada vez melhores, mais rápidos e mais fortes”, explicou o executivo.
 
“Vamos lançar hardware novo durante a mesma geração”, anunciou Spencer. “Queremos um pouco mais do que já vemos nos PCs, onde posso voltar e rodar jogos mais antigos como Doom ou Quake, que eu jogava há anos, mas posso rodar também os lançamentos mais novos em 4K, tendo minha biblioteca de jogos sempre comigo.”
 
É uma declaração importante e destoa do ciclo normal de produção contínua de consoles, que são substituídos por uma nova versão a cada cinco ou sete anos. Esse tempo pode resultar na obsolescência dos componentes internos, mas garante que os desenvolvedores se tornem proficientes naquela plataforma e façam jogos cada vez melhores com o passar do tempo. 
 
Aqueles games são recebidos também de forma uniforme pelos jogadores, já que todos possuem o mesmo hardware, algo distinto dos jogos em PCs, em que cada consumidor tem uma configuração levemente diferente. Além disso garante-se ao consumidor que a experiência naquele console é sempre a mesma, seja na própria casa, seja ao jogar no console de um amigo.
 
De qualquer maneira, a aposta da Microsoft é interessante exatamente pela tentativa de fazer algo diferente. Mas consoles são aparelhos caros e é improvável que seus consumidores aceitem trocá-los a cada ano ou dois.