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Clipping

23/06/2015 às 15:10

A velha web

Escrito por: Renato Cruz
Fonte: Observatório da Imprensa

O que vem acontecendo, nos últimos anos, é uma perda de importância da web, principalmente com a expansão dos celulares inteligentes

O Mosaic, que deu origem à Netscape, foi o navegador que impulsionou o sucesso comercial da web. No seu lançamento, em janeiro de 1993, havia somente 50 páginas disponíveis em toda a World Wide Web. Conforme destacou uma reportagem antiga da revista Wired, um ano e meio depois, em meados de 1994, as páginas ativas já tinham ultrapassado 1.500.
 
Esse número era uma prova do crescimento exponencial da web. Mas, comparado com o que temos hoje, parece brincadeira. No ano passado, o Google divulgou a estimativa de que existem mais de 60 trilhões de páginas.
 
Há pouco mais de 20 anos, uma pessoa era capaz de conhecer a web inteira. Hoje, o que os mecanismos de busca conseguem indexar é somente um porcentual pequeno de todas as páginas disponíveis. A chamada web profunda, que se esconde por trás de senhas ou que só pode ser acessada pelo navegador Tor, é muito maior.
 
No uso diário das palavras, os vocábulos web e internet muitas vezes são usadas como sinônimos. Mas são coisas bem diferentes. A web foi criada em 1989 pelo físico britânico Tim Berners-Lee. Acessamos seu conteúdo pelo navegador. A internet é a estrutura sobre a qual a web funciona. Ela surgiu de um projeto do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. A primeira conexão da Arpanet, rede precursora da internet, aconteceu em 1969.
 
A internet comercial brasileira acaba de comemorar 20 anos. Ou seja, a oferta do acesso por aqui acompanhou a explosão da web no mundo. A americana Netscape, responsável por criar o primeiro navegador de sucesso, abriu capital na Bolsa Nasdaq em agosto de 1995, e deu origem ao período de euforia, conhecido como a bolha da internet.
 
Naquela época, não existiam Google e Facebook. O site mais visitado do mundo era o Yahoo. O principal buscador brasileiro se chamava Cadê (comprado pelo Yahoo). Na semana passada, conversei com Stelleo Tolda, vice-presidente do MercadoLivre. Fundada em 1999, a empresa é uma das que conseguiu sobreviver ao estouro da bolha, em 2000. Apesar de ter sede nos EUA e fundador argentino, metade de seu faturamento vem do Brasil. O Submarino e o Buscapé também são empresas que surgiram na mesma época.
 
Quem tem menos de 30 anos vê a web como alguma coisa que sempre existiu. É uma tecnologia tão corriqueira quanto apertar o interruptor e acender a luz. O que vem acontecendo, nos últimos anos, é uma perda de importância da web, principalmente com a expansão dos celulares inteligentes.
 
A web perde espaço de principal aplicação da internet conforme conteúdo e serviços migram do navegador para os aplicativos, que não são web. A chamada internet das coisas, em que todos equipamentos passam a ser conectados, também acontece fora da web.
 
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Renato Cruz é colunista do Estado de S.Paulo