Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

14/12/2017 às 19:44

Argentina: grave caso de censura contra jornalista britânica em cobertura da Cúpula da Organização Mundial do Comércio

Escrito por: Redação
Fonte: Fenaj

A jornalista britânica Sally Burch foi deportada por decisão do governo argentino, em 7 de dezembro, quando tentou entrar no país para cobrir a Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC).
 
No âmbito da Cúpula da OMC, realizada em Buenos Aires entre 10 e 13 de dezembro, a jornalista e diretora executiva da Agência Latino-Americana de Informação (ALAI), Sally Burch,  foi detida por várias horas no aeroporto de Ezeiza e posteriormente deportada quando chegou ao país para participar do evento. Segundo os meios de comunicação, seu caso está entre os de muitos outros jornalistas e comunicadores cujas credenciais foram negadas pelas autoridades argentinas para evitar riscos na segurança.
 
De acordo com os comentários feitos pela própria Burch na estação de rádio local Radio 10, ao chegar à Direção Nacional de Migrações no aeroporto, o nome dela apareceu em uma lista que a impedia de entrar no país, e então ela permaneceu detida no aeroporto e com a ameaça de ser deportada.
 
Entre as declarações que fez ao programa La vuelta de Zloto, a jornalista acrescentou: “Sabíamos que a rejeição era para cobrir o evento da OMC, mas não pra realizar atividades paralelas ao evento. Cheguei à migração e disse que ia entrar como turista. Lá eles me encontraram em uma lista, começaram com as perguntas, eu disse que também sou jornalista e que iria realizar atividades paralelas à OMC no país. Depois de uma hora e meia, eles disseram que minha entrada seria rejeitada por ser falsa turista”.
 
O Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS) apresentou um recurso de habeas corpus, uma rápida solução legal para a restrição da liberdade física da jornalista de forma ilegítima por uma autoridade pública, buscando explicações sobre a decisão do Governo. No entanto, o pedido não foi efetivo porque, embora uma decisão judicial tenha revogado o impedimento para entrar no país, a jornalista britânica já havia sido deportada para o Equador, país onde reside.
 
A expulsão de Burch tse converte em outro caso de censura contra comunicadores internacionais, após a deportação do ambientalista norueguês Petter Titland, que também chegou ao país para cobrir o evento das Nações Unidas e foi deportado.
 
As autoridades nacionais alegaram suas ações ante a suposta existência de alguns inscritos, registrados em nome de algumas ONGs, que haviam feito pedidos explícitos de manifestações violentas através de redes sociais, expressando sua vocação para gerar esquemas de intimidação e caos.
 
Assim, as autoridades teriam rejeitado rejeitaram o credenciamento para o evento de mais de 60 especialistas, pesquisadores e ativistas sociais, incluindo Sally Burch, para evitar supostos riscos na segurança do evento.
 
Diante dessa grave panorma, diferentes organizações internacionais tornaram pública sua preocupação pelos acontecimentos. O Relator Especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Edison Lanza, disse: “Seria grave  impedir uma pessoa de cobrir a Cúpula da OMC devido à sua linha editorial ou a suas críticas à OMC”.
 
Por outro lado, a Comissária do  Comércio da União Européia, Cecilia Malmström, enviou uma carta ao ministro das Relações Exteriores da Argentina, Jorge Faurie, expressando sua preocupação: “Não vejo como os representantes das ONGs da Europa que viram sua acreditação rejeitada levariam qualquer ameaça à segurança. É muito lamentável que as autoridades argentinas não tenham esclarecido as razões específicas de segurança por trás dessas decisões “.
 
O secretário geral da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ), Anthony Bellanger, disse: “As decisões tomadas pelas autoridades argentinas são realmente sérias para a democracia. Este ato de censura representa uma grande violação do Direito à Liberdade de Expressão e vai contra os direitos da sociedade civil de ser  informada”.
 
A FIJ solicita que as instituições competentes esclareçam os critérios que impediram de maneira ilegítima e arbitrária o ingresso na Argentina da jornalista Burch e do ativista social Peter Titland.
 
Com informações da FIJ