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Clipping

25/02/2016 às 14:00

As mudanças na Abril e na Veja

Escrito por: Luis Nassif
Fonte: Jornal GGN

A substituição de Eurípides Alcântara por André Petry, na direção da revista Veja,  vem com dez anos de atraso. Na época, André era o único colunista que não adotara o estilo virulento implantado por Roberto Civita na revista. Suas colunas denotavam bom senso, sensibilidade para temas delicados, uma boa mescla de indignação com as injustiças e contra a corrupção.
 
Uma das maneiras encontradas para torpedeá-lo foi valer-se de uma colunista on-line da própria revista para ataques sobre ele. Comentava-se na época que a estratégia foi articulada pelo então redator-chefe Mário Sabino.
 
Petry foi exilado nos Estados Unidos, durante algum tempo correram rumores de tentativas de afastá-lo da Abril. Agora, ele está de volta em um momento particularmente delicado e com a missão impossível de resgatar a credibilidade da revista.
 
Veja gastou todo seu estoque de credibilidade com o antijornalismo praticado nos últimos anos. Apostou integralmente em um público de ultradireita irracional.
 
Na pobreza editorial atual, durante algum tempo, no período de Paulo Nogueira Batista,  a revista Época apresentou-se como uma alternativa decente de jornalismo. Durou pouco. O novo estilo acabou sendo atropelado pela troca de direção e pela aposta na ultradireita.
 
Aproveitando a fragilidade financeira da Abril, a Globo colou a Época no estilo Veja, procurando capturar esse público. Com o escândalo de Carlinhos Cachoeira, Veja perdeu seu mais brilhante editor - o próprio bicheiro.
 
Ocorre que Veja ficou praticamente prisioneira dos tigres que alimentou nesses anos de jornalismo de ódio. Com a Época competindo nesse campo, qual a estratégia de Petry? Fazer jornalismo? Arrisca-se a perder seus leitores atuais sem tempo para recuperar o público mais esclarecido.
 
Na outra ponta, a Abril trouxe de volta Walter Longo.
 
No início dos anos 90, com a TVA esvaindo-se em sangue, Civita trouxe Longo para o serviço, devido à sua enorme capacidade de fabricar bons indicadores. Longo passou a agregar ao número de assinantes da TVA a audiência da MTV na Net, serviço real. Na época, a TVA não deveria ter mais do que 300 mil assinantes e as estatísticas no mercado publicitário falavam em um milhão.
 
A aventura da TVA terminou tragicamente.
 
A vinda de Longo, agora, aparentemente, prende-se a necessidade de melhorar os indicadores a serem apresentados ao mercado publicitário.