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Clipping

04/03/2015 às 14:57

Berzoini: 'É hora de se pensar em convenções globais para a governança da Internet'

Escrito por: Ana Paula Lobo*
Fonte: Convergência Digital

O ministro das Comunicações sinalizou que o Brasil quer um lugar de destaque no comando das diretrizes da Internet.

Com uma agenda recheada de encontro com líderes de vários países, entre eles, Tom Wheeler, diretor geral da FCC, a Anatel dos Estados Unidos, o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, sinalizou que o Brasil quer um lugar de destaque no comando das diretrizes da Internet. "A Internet é a força motriz da economia global. Temos que potencializar nosso papel. Defendemos a elaboração de Convenções regulatórias globais", disse.
 
No encontro com a imprensa, realizado nesta terça-feira, 03/03, no Mobile World Congress, Berzoini disse que a neutralidade de rede é um tema em todas as negociações entre os países. Para o ministro, hoje, a maior necessidade é conceituar e definir o objetivo da neutralidade. "A Internet tem que ser um espaço com um grau de liberdade acentuado, mas não podemos desprezar valores caros como segurança e proteção de dados", pontuou. 
 
O ministro lembrou que a Internet é a força motriz da economia do século XXI e é necessário pensar em estratégias setoriais. "Quem vai financiar toda essa economia digital? Hoje há um grande investimento privado, mas a economia está sendo migrada para a Internet. Rentabilizar os investimentos com processos produtivos adequados à Rede é urgente. Esses temas precisam ser debatidos com mais proximidade", disse. 
 
A defesa das Convenções Internacionais para a Internet é uma maneira nova de o Brasil pensar sua participação no cenário mundial. Até então, especialmente na área de Segurança, o país não se alinhou, por exemplo, a Convenção da Budapeste para tratar de temas referentes à questões cibernéticas. Mas, agora, Berzoini acredita que será impossível que cada país tenha a sua legislação e a imponha para outros.
 
Segundo ele, a Rede impõe um novo modelo de gestão. "A cadeia produtiva passa por uma reestruturação, temos questões importantes como indústria, propriedade intelectual. Não dá para ficar isolado. No caso da indústria, temos a OMC. É preciso que se trate de questões lá. No caso de questões do Trabalho, se tem a OIT. Em segurança, a ONU. Em telecom, temos a UIT. "Vamos discutir indústria, serviços, segurança nacional e internacional com questões como tráfico de drogas e pessoas. Como se discute um leque tão amplo sem convenções globais?", indagou Berzoini. 
 
E, claro, o Brasil quer capitalizar os frutos da espionagem americana no governo brasileiro e a posição de destaque obtida a partir do NetMundial, realizado em abril do ano passado. "É política internacional. Nesse espaço se conquista lugar dando cotovelada para abrir brecha, mas também se dialoga muito. Temos parceiros importantes na Europa. Nosso diálogo com os Estados Unidos é difícil, sim, o é. Mas vamos sentar e conversar. A Internet é a força da economia. Não podemos ficar de fora", concluiu.
 
*Ana Paula Lobo viajou a Barcelona a convite da Alcatel-Lucent