Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

10/11/2014 às 06:36

BNDES financia digitalização de redes

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico - Online

Desde a semana passada, o Cine Lúmine, uma rede com apenas duas salas em Penápolis (SP) e uma em Birigui (SP), começou a utilizar a mesma tecnologia de exibição das maiores cadeias do mundo. A tecnologia, no formato DCP, está sendo instalada pela Quanta DGT e substitui os antigos rolos de 35 mm por unidades de armazenamento digitais (HDs externos) que, no fim de 2015, serão as únicas utilizadas por distribuidores em todo o mundo.

Para não deixar o Lúmine e um total de 770 salas espalhadas pelo país sem a tecnologia digital, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Agência Nacional do Cinema (Ancine) desenvolveram, a quatro mãos, uma nova linha de crédito que, apenas nesse projeto com a Quanta DGT, vai destinar cerca de R$ 123,3 milhões para financiar a compra dos equipamento. "Nossa expectativa é que a digitalização alcance 80% do parque até o fim de 2015, quando os fabricantes deixarão de vender película", disse o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel.

As equipes da Ancine e do BNDES trabalharam um ano na modelagem para contemplar todas as peculiaridades do setor e viabilizar o projeto também para as salas menos estruturadas. "Com uma só operação conseguimos atender centenas de salas", comemora o diretor da área industrial do BNDES, Julio Ramudo, lembrando que a transição tecnológica já era um desafio enfrentado pelo BNDES no programa Cinema Mais Perto de Você, que apoia a construção de salas em áreas não contempladas pelas redes comerciais. "Existe um grande número de exibidores com dificuldades de acesso a fontes de financiamento", conta.

Para resolver esse entrave, o crédito financia a compra dos equipamentos, mas não diretamente, sala por sala, o que seria um grande desafio operacional. A Quanta DGT é a integradora, contratante do crédito, que utiliza recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

A empresa compra os equipamentos com isenção fiscal de quase 30% graças ao Regime Especial de Tributação para o Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (RECINE), e os aluga para os cinemas. O aluguel é pago com um subsídio que está sendo oferecido pelos distribuidores estrangeiros - o Virtual Print Fee (VPF) - e garante a operação de crédito, como recebível. A operação com a Quanta inclui um subsídio de R$ 2,7 milhões não reembolsáveis, que serão usados para equalizar as taxas de juros para as redes com menos de quatro salas. Outros R$ 700 mil serão usados no treinamento dos profissionais, que também terão que migrar para a nova tecnologia. Em troca, a empresa tem o compromisso de destinar 20% dos recursos para atender pequenos exibidores, com até 10 salas.

"A figura do integrador não existia no Brasil, mas não podia ser uma novata no setor", diz Ramudo, que fechou a operação com a maior locadora de equipamentos para estúdios da América Latina, a primeira do setor a fechar uma operação de entretenimento com o banco.

"É um projeto muito bonito, e também um desafio enorme", conta a diretora de operações da Quanta DGT, Suzana Lobo.

Para ela, uma vitória da modelagem foi consegui aproveitar o VPF. "A Arts Alliance Media (AAM) tentou fazer a operação diretamente com os exibidores no Brasil, como fez em outras partes do mundo, mas não conseguiu. Existem muitas barreiras culturais, tributárias", diz. A Quanta DGT acabou firmando uma parceria com a AAM.

Nas próximas semanas, o primeiro lote de equipamentos para 150 salas começará a ser instalado. "Alguns desses cinemas ainda usam cadeiras de madeira. Imagina o desafio de fazê-los entender o que é VPF", conta. "Receberão os lançamentos mais rápido, a um custo mais baixo. Poderão aproveitar o marketing das distribuidoras e operar com multiprogramação", diz o diretor da Ancine.