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Clipping

02/06/2014 às 13:41

Brasil não leva a sério o mercado de games e perde espaço

Escrito por: Redação
Fonte: Convergência Digital

Fortes sinais já foram dados em abril, com a divulgação de uma pesquisa patrocinada pelo BNDES sobre o potencial do Brasil com a indústria de jogos eletrônicos. Mas uma audiência realizada nesta terça, 27/5, na Câmara dos Deputados, foi uma ducha gelada nas expectativas: o país "joga contra" avanços.

"É um mercado muito sério, mas no Brasil não é levado a sério. Não bastasse ainda sofrer preconceito, é um setor que tem 72% de imposto", lamentou o presidente da Associação Cultural, Industrial e Cultural de Jogos Eletrônicos, Moacir Avelyno.

O potencial desse mercado é evidente. Só no Brasil o mercado de games é estimado em US$ 2,6 bilhões anuais - é superior a US$ 75 bilhões em nível global - o país aparece em geral como quarto maior consumidor mundial de jogos eletrônicos. Mas a fatia que vai para bolsos brasileiros é pequena.

"São poucas empresas, com faturamento muito baixo, que ficam com 0,3% do mercado total, e apenas 8,4% do mercado brasileiro. É incrível, mas temos 40 milhões de jogadores assíduos, que jogam pelo menos uma vez ao mês, mas não conseguimos capturar isso", destaca o presidente do Porto Digital, Francisco Saboya.

O diretor jurídico da Associação Brasileira de Empresas de Software, Manoel Antonio dos Santos, fez coro. "Somos o sétimo maior mercado mundial de TI, mas em games não conseguimos reproduzir nada parecido. Temos um sistema tributário perverso, há carência absoluta de qualificação profissional, a indústria ainda está aprendendo a caminhar e o estímulo governamental é inexistente."

O cenário, portanto, é muito pouco animador. Há cerca de um mês, um estudo do BNDES já indicava que de 133 empresas brasileiras identificadas, o faturamento médio não passava de R$ 240 mil por ano. E, naturalmente, listava as dores naturais de qualquer brasileiro que queira empreender.

A queixa da falta de estímulos públicos foi, na prática, confirmada por representante de três pastas - Comunicações, Ciência & Tecnologia e Cultura - presentes ao debate. A única delas que conseguiu demonstrar algum tipo de programa efetivo direcionado a jogos, Comunicações, calcula incentivos de aproximadamente R$ 26 milhões.

Como descreveu o secretário executivo substituto do Minicom, James Görgen, tratam-se de arranjos locais para uso compartilhado de infraestruturas como render farms ou estúdios de captação de movimentos, criadas em Recife-PE, Rio de Janeiro-RJ e Porto Alegre-RS. "É pouco diante dos números desse mundo", reconhece Görgen.

Os colegas do MCTI e da Cultura, no entanto, em que pese considerarem o setor muito importante para o desenvolvimento, sequer conseguiram alinhar projetos nesse setor. Segundo o coordenador de cultura digital do MinC, José Murilo, a pasta avalia criar um grupo de trabalho "para no próximo semestre formatar política mais concreta para o campo".

Não chega a surpreender, portanto, como mencionou Saboya, do Porto Digital, que duas empresas daquele centro incubador em Recife tenha desaparecido - uma porque foram todos contratados por uma desenvolvedora da Finlândia. A outra, de forma semelhante foram todos para o Canadá.

Alguns países, por sinal, investem fortemente no setor de games. "Na França e no Canadá, eles pagam 50% e 70% dos projetos relacionados a jogos. Tem outros. Na Tunísia, o imposto sobre os games é zero", listou o presidente da Acigames, Moacir Avelyno.