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Clipping

11/11/2016 às 15:23

Canal Curta! atinge R$ 44 milhões investidos em conteúdos originais

Escrito por: Fernando Lauterjung
Fonte: Tela Viva

Em quatro anos de programação, completos neste mês de novembro, o canal Curta! exibiu mais de mil produções nacionais, entre curtas, longas e séries de documentários e ficção. A maior parte deste conteúdo é fruto de licenciamento de conteúdos prontos, e alguns inéditos. Somente recentemente, começaram a ocupar a grade do canal as mais de 300 horas de conteúdos inéditos pré-licenciados em mais de 70 projetos originais já aprovados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). São cerca de R$ 44,2 milhões investidos nestas produções.
 
Os primeiros conteúdos a chegar à grade foram contratados em janeiro de 2014 e começaram a receber os recursos do FSA em meados de 2015. Na média, têm um tempo de entrega de 18 meses.
 
"A partir de agora começamos a ter um conteúdo criado com a cara do canal. Antes, essa cara vinha da curadoria", diz o diretor do Curta!, Julio Worcman. Desde o início, o canal diz ter buscado uma programação que o diferenciasse dos canais nacionais, sobretudo dos outros canais "superbrasileiros", que, como o Curta!, têm a obrigação de veicular 12 horas diárias de conteúdo nacional independente. "A Lei do Audiovisual produziu um monte de documentários em longa-metragem, porque tinha a obrigação de ir para cinema. Este conteúdo não tinha lugar na televisão. Foi o nosso grande diferencial. Não queríamos concorrer com a ficção, mas complementar o line-up das operadoras com o que não estava nos outros canais", explica Worcman.
 
A diretora de programação do Curta!, Bibiana de Sá, concorda que o FSA permite um outro tipo de participação do canal na criação de conteúdo. "Conseguimos dar uma direção. Sem isso, ficamos à mercê do que existe no mercado. Com os recursos do fundo, podemos fazer escolhas", diz. "Se temos uma série sobre literatura, podemos participar da seleção de autores, mas depende da abertura que a produtora parceira nos dá", exemplifica.
 
Segundo ela, é importante tentar imprimir uma cara ao conteúdo, mas sem se sobrepor "à cara da produtora". Afinal, o canal abraça produções com um tom mais autoral.
 
"Muitos dos conteúdos originais são inventários, mas com uma cara jovem. São produtos que terão uma longa carreira, não vão morrer no Curta!", diz Worcman. Para ele, o desenvolvimento com o Curta! dará uma chancela a estes conteúdos nas próximas janelas e territórios. "O que acontece em muitos canais, é que os produtos têm tanto a cara do canal, que ninguém mais consegue licenciar", diz.
 
Estreias
 
O mês comemorativo traz ao canal lançamentos nacionais como o documentário "A Nuvem Cigana", sobre o movimento multimídia homônimo, e as séries "Grandes Cenas", que traz comentários de cineastas sobre cenas icônicas do cinema brasileiro e latino-americano, e "Caminho do Bem", um mapeamento das diferentes visões de mundo por intermédio dos conceitos e práticas das religiões praticadas no Brasil.
 
Relevância
 
Lançado como um dos concorrentes para ocupar a cota de canais superbrasileiros nos line-ups das operadoras, o canal diz ter conquistado relevância junto ao público. O Curta! está disponível para 12 milhões de assinantes no pacote básico das principais operadoras de TV por assinatura do país.
 
O investimento em conteúdo focado em temas relacionados às humanidades, diz, retorna em audiência de quem já não assistia mais TV. O público do Curta! soma 1,5 milhão de espectadores frequentes, sendo quase 90% com nível superior de escolaridade e mais de 50% com atuação profissional nas áreas de humanidades. Dentre os temas abordados, os de maior interesse pelo público são sociedade, pensamento, cinema, artes e música, segundo levantamento feito pelo canal.
 
A programação internacional também empresta ao canal o prestígio de canais como o franco-alemão Arte, a BBC, a PBS e o canadense CBC. Segundo Worcman, "desde a concepção, vislumbrávamos um canal que veiculasse produções independentes de todo o mundo e não apenas as brasileiras".
 
Futuro
 
Hoje o canal é bancado somente pelas assinaturas, mas busca reverter a qualificação da sua audiência em publicidade, atraindo marcas com o perfil adequado ao estilo da programação. "Quase ninguém acessa o mercado publicitário, só os top 10 (em audiência). Os canais de nicho não foram descobertos", diz Worcman.
 
Segundo o diretor, uma das metas é lançar o canal em alta definição. Atualmente, 70% da grade é formada por conteúdos em HD, mas exibidos em SD, em formato 16 x 9 em tela cheia. Com a chegada dos conteúdos bancados com o FSA, a grade tende a se tornar 100% HD. Para que chegue nessa qualidade na casa do assinantes, é necessário um aceite dos operadores. "O satélite e o uplink são bem mais caros. Para podermos financiar, primeiro o operador tem que nos dar o espaço", explica.
 
"Renovamos com a Net (responsável pela metade da base do canal) para mais três anos. Isso nos dá uma perspectiva de fluxo de caixa para desenvolvimento de novos conteúdos. Temos uma estratégia acertada, que tem coerência", conclui o executivo.