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Clipping

23/11/2010 às 08:45

Com dispositivos conectados, Intel quer dar cara à computação em nuvem

Escrito por: Robinson dos Santos
Fonte: IDG Now!

Conteúdos que podem ser vistos em smartphones, tablets, TVs e PCs, e que podem migrar de um ambiente para outro: Este é o Compute Continuum.

Num futuro próximo, as pessoas farão da computação pessoal uma experiência contínua e onipresente. É o que prevê a Intel, que imagina um mundo em que se possa ver a primeira parte de um filme na sala de casa, a segunda na tela do carro e o final na TV da sala. Sem quebra de continuidade.

Dentro da empresa, esse conceito já tem nome: Compute Continuum – ou, como tem sido traduzido, computação continuada. E, embora tenha toda pinta de ficção, as peças que a viabilizarão já estão sendo construídas, dos processadores aos sistemas operacionais, explica o diretor de Desenvolvimento Tecnológico para a Intel na América Latina, Reinaldo Affonso.

“A computação continuada oferece transparência para que as pessoas não percebam as diferenças entre os dispositivos”, explica Affonso. “Hoje isso pode significar usar uma caixinha centralizada em casa, que sirva como hub para todos os dispositivos que você use. Mas vai além disso.”

O diretor imagina um cenário em que os computadores – pequenos e grandes – que cercam o usuário interajam entre si de forma automática. “Se esse hub tiver contato com meu PC e minha agenda, por que ele não pode avisar meu GPS no carro sobre o local para onde tenho que ir? Por que o carro não pode ligar para o telefone de quem eu precise conversar?”

Um desses hubs, aliás, está prestes a chegar ao mercado brasileiro: é o Boxee Box. Trazido pela D-Link, o aparelho permite visualizar conteúdo da Internet na TV, com suporte para formatos de alta definição e som surround. O Boxee Box utiliza um chip Atom CE4100 e tem início de vendas previsto para abril de 2011.

Alicerces
Da forma como a Intel vê, essa computação continuada se constrói sobre três alicerces: conectividade, segurança e performance – sem esquecer, aqui, da eficiência no consumo de energia. “Não adianta ter tudo isso e, depois de 50 minutos, descobrir que a bateria acabou”, conta Affonso.

Para tablets, por exemplo, a empresa oferece três plataformas – Pine Trail-M, Moorestown e Oak Trail – com consumos que variam de 8 Watts a meros 2 Watts. A feira de tecnologia Computex 2010, em Taiwan, apresentou alguns protótipos de empresas como MSI, FIC e LG.

“Para construir essa visão, a Intel tem trabalhado com todo o ecossistema”, explica o executivo, referindo-se à rede de fabricantes e desenvolvedores. “Temos comprado empresas que complementam nosso portifólio. E temos evoluído o processador Atom cada vez mais, para que ele seja uma solução em todos os segmentos e esteja em cada vez mais dispositivos, como os smartphones.”

Na área de sistemas operacionais, a Intel aposta numa padronização – ou quase isso, já que ela cita como plataformas os sistemas Windows, Android, MeeGo e Linux. Apple? “Ela está fora, porque não é um bloco aberto para que outros construam sobre ele”, justifica Affonso.

E quem pensa que o Atom corre o risco de morrer junto com os netbooks está enganado, avisa a Intel. “Desde o começo dissemos que o Atom é uma plataforma de inovação. Este produto é para uso em lugares onde nunca imaginamos que pudesse estar. Ele não é um processador baratinho para netbooks – e cada vez mais vocês verão empresas inovando com o uso do Atom”, conta.

MeeGo
Para que tudo isso funcione, a Intel tem se preocupado em garantir que exista uma opção de software livre de fácil acesso pelos fabricantes. Esse software é o MeeGo – “uma combinação do Moblin com o melhor do Maemo”, nas palavras de Affonso. “O MeeGo suporta mais que Intel, é aberto e está disponível já na versão 1.1.”

O MeeGo já está disponível para uso em carros e netbooks. Há uma versão alfa para smartphones e, segundo a Intel, uma versão para tablets será anunciada em 2011.

Em evento para a imprensa realizado no sábado (20/11) em Campos do Jordão (SP), a Intel apresentou um demo, com base em protótipos rodando MeeGo, do que seria a computação continuada. Primeiro, um filme – carregado de um servidor, mas que poderia estar na Internet – começou a ser exibido numa TV, mediante o uso de uma set top box com o sistema MeeGo.

Depois, enquanto estava sendo exibido, um botão era pressionado no controle remoto, e o conteúdo era transferido para a tela do PC, sem perda de continuidade.

“Imagine que meu filho estivesse assistindo a um seriado no carro e, ao chegar em casa, quisesse continuar a assistir na TV. Depois, ele poderia querer vê-lo em um dispositivo portátil. Com um clique, ele migra de ambiente, do carro para a TV para o player. Para isso, o ideal é que o conteúdo esteja na nuvem”, explica o diretor.

“Compute Continuum significa tornar as coisas simples. A ideia é trafegar aplicações, conteúdos e serviços entre dispositivos. E não vai demorar 50 anos para acontecer; amanhã mesmo poderá haver uma caixinha que entregue pelo menos uma parte disso aos consumidores”, garante.