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Clipping

19/12/2011 às 14:32

Compra e venda de música digital vai além da iTunes Store do país

Escrito por: Rennan Setti
Fonte: O Globo

Lojas oferecem preços acessíveis e se firmam como alternativas à pirataria no Brasil

RIO - Sonho antigo da legião nacional de applemaníacos, o recente lançamento da iTunes Store no Brasil representa para a indústria fonográfica local muito mais que isso: trata-se do ponto de virada no mercado de música digital, dizem as gravadoras, capaz de trazer de volta o lucro aos seus negócios e tirar o país da vergonhosa vice-liderança no ranking mundial da pirataria de canções. Mas a verdade é que há vida além da loja da Apple, e o brasileiro conta cada vez com mais alternativas aos torrents ilegais da rede.

Lançado sem o estardalhaço que acompanha a Apple, o serviço de streaming Oi Rdio chegou aqui em novembro e vem conquistando fãs. Por sua vez, opções que existem há tempos, como o Terra Sonora, UOL Megastore e iMusica esperam que o iTunes popularize a música digital legal entre os brasileiros, fortalecendo suas próprias plataformas. Operadoras de telefonia e internet também estão atentas à tendência e tentam fidelizar clientes com lojas de música próprias.

A reportagem do GLOBO testou três das principais opções disponíveis para quem quer pagar pelo que ouve, via internet, no Brasil: Oi Rdio, Terra Sonora e iTunes (veja acima detalhes sobre esses e outros serviços).

Streaming aparece como tendência da indústria
Fundado nos Estados Unidos no ano passado pelos criadores do Skype, o Rdio chegou ao Brasil pelas mãos da operadora Oi, que embutiu sua marca no produto. Com catálogo abrangente — são 12 milhões de faixas —, o serviço oferece dois planos: um de acesso ilimitado pela web (R$ 8,99 por mês) e outro com acesso também por aplicativos de celular e tablet (R$ 14,90). O usuário ouve as músicas por streaming: em vez de baixar as faixas, escuta na própria plataforma. Também é possível ouvir no celular, mesmo estando offline.

O streaming, por sinal, se insinua como a tendência da indústria. Sua participação no setor de música digital deve saltar de 8% para 30% em quatro anos, segundo a consultoria Gartner.

A grande sacada da Oi Rdio é seu caráter social. Além de estar integrado a Facebook, Twitter e Last.fim, o serviço funciona também como uma rede social. Os usuários têm perfil, podem seguir uns aos outros, elaborar playlists públicas, escrever resenhas sobre determinados artistas etc. É possível interagir inclusive com internautas de outros países.

— Acreditamos no poder de viralização do produto, por causa do seu formato de rede social e integração com os outros sites — diz Gustavo Alvim, gerente de serviços de valor adicionado da Oi. — Acho que lançamos a Oi Rdio no momento certo, porque a internet rápida e os smartphones estão se massificando no país, possibilitando a mudança de conceito que é o streaming.

Mas há problemas. A língua do site oscila entre português e inglês, e quem não domina este último pode ter dificuldades para navegar. A plataforma também trava em algumas situações, como na hora de vasculhar o catálogo enquanto se ouve uma música.

Já o serviço do Terra, o Sonora, é um misto entre streaming e download. Quem não quiser pagar pode desfrutar de 20 horas mensais gratuitas do serviço de streaming, ao custo de ser exposto à publicidade. O usuário que paga tem acesso ilimitado ao streaming, cotas para downloads de faixas e pode ter acesso através de aplicativos móveis, pagando um pouco mais. Os preços dos planos variam entre R$ 9,90 e R$ 49,90. De acordo com Alexandre Cardoso, diretor de marketing do Terra, o faturamento do serviço cresceu 40% no ano passado e deve registrar a mesma taxa este ano.

O player do Sonora funciona bem, mas o site carece do espírito social, e sua navegação ainda exige muitos cliques. Assistir a clipes é, às vezes, problemático. Mas o principal problema é a necessidade de baixar um programa para gerenciar downloads.

A iTunes, da Apple, é uma loja para download de faixas com modelo de negócios estabelecido há anos. O sistema é azeitado e integrado ao ecossistema da empresa, composto por uma linha de aparelhos como iPod e iPhone e uma nuvem robusta. Seu catálogo é de longe o mais vasto. Na versão brasileira, o problema é fazer o cliente ficar refém da cotação do dólar, moeda em que as faixas são cobradas, e sujeito à taxação de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Isso só deve mudar no ano que vem.

16,5% dos internautas dos EUA compram música legal
O mercado global de música digital gerou US$ 4,6 bilhões no ano passado, 29% de toda a receita da indústria fonográfica, segundo dados da federação internacional do setor, a IFPI. Nos últimos anos, a música virtual registrou avanço impressionante e se fortalece como uma alternativa à pirataria. De 2004 a 2010, enquanto o valor da indústria da música como um todo recuou 31%, o do mercado virtual de canções cresceu mais de 1.000%.

Na esteira do sucesso do iTunes, mais de 400 serviços de música on-line se estabeleceram pelo mundo, conseguindo atrair parcela significativa de consumidores piratas com o apelo da comodidade e de pacotes atraentes.

Nos Estados Unidos, 16,5% dos internautas já compram músicas legalmente. No Brasil, a situação é bem diversa. A música digital representa apenas 15% das receitas, e a pirataria aqui impera como em nenhum outro lugar. Segundo estudo realizado pela Nielsen em 2010, 44% dos internautas brasileiros acessam sites de conteúdo fonográfico ilegal, contra 23% nos cinco maiores mercados da Europa. O país só perde para a Espanha, com 45%.