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Clipping

26/05/2014 às 13:32

Convergência dita o rumo das teles

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

Convergência dita o rumo das teles

- 26/5/2014

Num mercado maduro, com receitas declinantes, as operadoras portuguesas - a exemplo do que já acontece no restante da Europa e no Brasil - apostam cada vez mais na venda de pacotes de serviços convergentes de telecomunicações. Apenas nos últimos cinco anos, a receita das teles nos segmentos residencial, de negócios e atacado encolheu 32% em Portugal, apesar do aumento na base de clientes. Para ganhar participação num mercado maduro, no qual a telefonia móvel é quase uma commodity, a estratégia das companhias está cada vez mais centrada na venda de pacotes triple play, que combinam serviços móveis, banda larga fixa e TV paga.

No último sábado, a marca Zon Optimus (líder no mercado português de TV por assinatura e terceira colocada no ranking da telefonia móvel) saiu de cena para dar lugar à NOS, como consequência de uma fusão ocorrida em 2013. Com o lançamento da nova marca, o Grupo Sonae - um dos acionistas da companhia - tenta se contrapor à MEO, operadora de serviços triple pay e quadruple play (que inclui ainda o telefone fixo) da Portugal Telecom. Em disputa está o mercado convergente, que em 2018 vai responder por 33% do valor do segmento B2C (business-to-consumer), de acordo com estimativa da NOS (a pronúncia é idêntica à do pronome nós).

"Essa tendência tem se revelado nos mercados onde as operadoras mais desenvolveram suas ofertas. No caso do mercado português, isso é claro", disse na última sexta-feira Ângelo Paupério, vice-presidente do Grupo Sonae, durante evento promovido pela WeDo Technologies na cidade do Porto, em Portugal. Enquanto a penetração do serviço móvel no país terminou 2013 no patamar de 119%, os pacotes triple play e quadruple play alcançavam naquele ano 63% dos domicílios portugueses, conforme indicam projeções da Zon Optimus a partir de dados da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom).

No Brasil, uma das pioneiras na convergência foi a Oi, ainda na década passada, mas atualmente Telefônica Vivo, Claro e GVT oferecem pacotes que incluem TV por assinatura.

Para Oi e Telefônica Vivo, a oferta conjunta de serviços é especialmente importante dentro da estratégia de conter o declínio da base de assinantes de telefonia fixa. Já em Portugal, assim como no restante da Europa, o objetivo é reter o cliente de telefonia móvel e avançar na banda larga fixa. "A convergência vai ditar a dinâmica do mercado de telecomunicações nos próximos anos", afirmou Miguel Almeida, presidente da NOS, em sua apresentação.

Na avaliação do executivo, o fenômeno da convergência tende a se repetir em todos os mercados da Europa Ocidental. Com 1,5 milhão de assinantes, a NOS é líder no mercado de TV por assinatura em Portugal, com 48% de market share, mas em 2008 detinha 72,4%.

Paralelamente, a PT viu sua participação subir de 13,9% (em 2008) para 41,8%, no primeiro trimestre deste ano. No fim de 2013, o serviço de TV paga estava presente em 79% dos lares portugueses, um crescimento de apenas um ponto percentual em relação a 2012, segundo estimativa divulgada na apresentação de resultados financeiros da Oi para o primeiro trimestre deste ano.

Já no mercado móvel, o market share da NOS é de 18%, atrás da líder PT e da britânica Vodafone. "Para nós, faz muito mais sentido usar nossa posição no mercado de TV paga para ganhar espaço na telefonia móvel", explicou Almeida. "O problema não é a economia e nem a regulação. É a competição".

Na teleconferência com analistas realizada em 15 de maio passado, o presidente da Oi, Zeinal Bava, destacou a importância da venda de pacotes de serviços convergentes tanto no Brasil como em Portugal. "O M4O, essa oferta de convergência que lançamos no mercado português em 11 de janeiro de 2013, continua e vai continuar a ser o grande motor do crescimento da companhia, em termos de unidades geradoras de receita (usuários) e do reposicionamento estratégico que estamos a fazer", destacou Bava. "Depois da convergência, que para nós representou um ponto de inflexão muito importante do mercado, nós passamos a vender dez vezes mais pós-pago do que fazíamos anteriormente."