Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

28/10/2015 às 13:27

Crianças se tornam protagonistas em programas de entretenimento na televisão

Escrito por: Jéssica Oliveira
Fonte: Portal Imprensa

Em 2013, quando o “Tem criança na cozinha” estreou no Gloob, canal infantil da Globosat, a aposta era: vai dar certo. E deu. Feito por e para crianças, o programa ensina receitas, a importância dos alimentos e suas origens. Em dois anos, a audiência cresceu mais de 175%, e a quarta temporada começou em setembro, com outra já no forno. Feliz com os resultados e animada com o futuro da atração, Paula Taborda, gerente de conteúdo do Gloob, afirma que mostrar para as crianças de forma natural que elas também podem cozinhar é fundamental para o sucesso do programa. 
 
“Crianças realizando as receitas gera grande identificação com os nossos telespectadores. Temos crianças de lugares diferentes do Brasil, com sotaques distintos e culturas diversas.” Em outro canal de TV paga, o perfil adulto do GNT deu oportunidade para os pequenos testarem seus dotes culinários. No “Que marravilha chefinhos!”, que estreou em agosto, o chef Claude Troisgros, ao lado de seu fiel escudeiro Batista, ensina crianças de 9 a 15 anos a preparar uma refeição e servi-la, além de avaliar o tempo de produção, o sabor e a apresentação do prato.
 
Diretor do “Que Marravilha!”, berço do “chefinhos”, Ric Ostrower lembra que a equipe estava pensando em algo diferente e a Daniela Mignani, diretora-geral do canal, sugeriu focar em crianças. “O “QM” sempre muda formatos e vendo o interesse de crianças por comida e por cozinhar, resolvemos fazer algo nessa direção. Pesou também o fato de Claude e Batista terem ótima receptividade e popularidade com as crianças, nas ruas e redes sociais”, explica.
 
No dia 5, o Nickelodeon estreou o “Cozinhandinho”. Nos 26 episódios, a nutricionista Andréa Santa Rosa Garcia e Vitor Praude (10), Giovanna Menezes (10), Elis Vida (9) e Pedro 14 Voltas (12) criam receitas gostosas e saudáveis. A garotada ainda visita plantações, feiras, mercados e restaurantes. Já na TV aberta, a Band aposta no “MasterChef Júnior”, que estreou no dia 20 de outubro. Com mais de quatro mil inscrições, a atração terá 21 participantes entre 8 e 13 anos.
 
Para ser o melhor cozinheiro mirim, eles encaram os chefs Paola Carosella, Erick Jacquin e Henrique Fogaça, jurados da versão adulta, e a apresentadora Ana Paula Padrão. Quem já está no jogo diz que o cenário aponta que a cozinha é a bola da vez e programas culinários infantis são tendência, tanto pelo maior cuidado com a alimentação e interesse das crianças, quanto por agregar famílias. “A TV espelha esse anseio coletivo”, diz Ostrower. “É uma nova maneira de apresentar um conteúdo que está funcionando”, completa Paula.
 
Feito por e para eles
 
A quarta temporada do “Tem Criança na Cozinha” tem 26 episódios e mantém o formato de cozinhar receitas com curadoria de Fabiana Figueiredo e as enviadas pelo público no site Mundo Gloob, além de receber convidados infantis famosos. Mas também tem novidades. Sai o trio de apresentadores Luísa, que começou com 15 anos, Edu (10) e Luigi (9), e entra Drico (13), Thiago (10) e Lara (8).
 
A nova fase do programa leva para a rotina das crianças ingredientes mais saudáveis e substitui, em algumas receitas, o açúcar refinado pelo mascavo, a farinha branca pela integral e produtos industrializados por manufaturados. “As crianças vão querer se alimentar melhor, ter curiosidade sobre os alimentos”, diz Adriano Sobral Alves e Silva, o “Drico”, que recebeu dicas da Luísa, sua antecessora.
 
Interessado por cozinha desde pequeno, ele aprendeu algumas coisas com a mãe, quer ser chef e considera importante a TV incentivar programas assim. “Acham que os filhos não podem cozinhar por serem crianças. Se os pais estiverem junto, não tem problema”, diz. Luísa Giesteira Lima, hoje com 17 anos, sempre achou o projeto incrível e está feliz por ver que a atração agradou pais e filhos. “Foi bom ver a repercussão da culinária com as crianças. Elas lembram de tudo, as histórias das receitas. Elas querem participar da própria alimentação, descobriram que a cozinha é uma delícia e os pais acham ótimo que elas se interessem.”
 
À frente dos “chefinhos”, Claude explica que cozinhava com seus filhos e se prepara para repetir a experiência com os netos Joaquim, de 2 anos, e Isabela, de 1. Segundo ele, as crianças têm a mente mais aberta e são mais espontâneas. “Para as crianças está sempre tudo bem. Não se contentam em seguir a receita. Querem ousar. Cada participante me surpreende de uma forma”, conta.
 
Em contrapartida, ele destaca o lado tenso de se preocupar sempre para elas não se machucarem, física ou emocionalmente. Na atração, por exemplo, elas não usam o forno e fogão sozinhas, e a equipe fica atenta. “Não existe competição entre os participantes. Eu avalio e, em vez de dar notas, dou estrelas. É uma forma mais simpática de chegar ao ganhador”, acrescenta.
 
Fora da cozinha
 
Longe das panelas e ingredientes, na emissora pública TV Brasil, jovens atores dão vida ao programa “ABZ do Ziraldo”, apresentado pelo famoso cartunista. A atração tem Lucas Oliver, de 12 anos, como Menino Maluquinho, e um elenco de dez crianças forma o Coral Maluquinho. Em sua quinta temporada, o programa vai ao ar aos domingos, às 12h.
 
Responsável pelo tradicional “Bom Dia & Cia”, no SBT, Silvia Abravanel, diretora do núcleo infantil da emissora, defende a porta aberta para conteúdos e elencos infantis. O motivo para investir nessa combinação é simples: a identificação entre crianças. “Eles sabem falar a mesma língua, a dose certa das brincadeiras”, diz.
 
Acostumada a trabalhar com os pequenos, a executiva conta que além dos cuidados com o conteúdo, que não pode ter violência e deve passar uma boa mensagem, a emissora zela pela rotina de suas equipes mirins e oferece auxílio de médicos e professores. “As crianças chegam por volta de 8h30 no SBT, tomam café com alimentos escolhidos por elas e se preparam para gravar o “Carrossel Animado”. Almoçam e nossos motoristas as levam para a escola”, explica.
 
Recentemente, a emissora precisou provar na Justiça essa cautela para ter os jovens Matheus Ueta (11) e Ana Julia (8) de volta à atração. Cuidados semelhantes tomam o Gloob e o GNT, principalmente com segurança, horários e acompanhamento escolar e psicológico. No “TCNC”, a emissora busca as crianças depois da aula. Elas almoçam e gravam à tarde. Além de intervalos, a equipe tem uma pausa para o lanche.
 
“Firmamos um compromisso com pais de depositarem parte do salário que as crianças recebem numa conta-poupança para que acessem quando completarem 18 anos. E temos os profissionais presentes nas gravações para garantir todos os cuidados”, explica Paula. No “Que Marravilha Chefinhos”, em que há avaliação de desempenho, Ostrower ressalta a importância do tato com os participantes, que são colocados à prova, na frente da família, em rede nacional. “Ouvir que o prato não merece uma boa nota é delicado. Mas o Claude tem sensibilidade de preservar o emocional, sem deixar de ser verdadeiro sobre suas considerações”, explica.
 
Silvia, que apresenta o “Bom Dia” com Matheus e Ana, diz que apesar de não ter culinária infantil no SBT, acha essa mistura “incrível” por ensinar mais do que cozinhar. “Estimula tarefas lúdicas, disciplina, responsabilidade, organização, cuidados com o meio ambiente (reciclagem de produtos, economizar água etc), além de a criança aprender a valorizar as tarefas diárias de suas mães, babás e empregadas”, diz.
 
De forma geral, a principal preocupação de quem aposta nessa receita é criar algo em que os pais se sintam confortáveis em deixar os filhos assistindo. “Achamos importante proporcionar um momento família”, explica Paula. Como diria Silvia, em seu bordão criado no “Bom dia”: “Que delícia!”