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Clipping

23/06/2015 às 16:26

Facebook quer usar veículos aéreos não tripulados para levar internet a rincões do Brasil

Escrito por: Rafael Bucco
Fonte: Tele.síntese

Em resposta ao CGI.br, empresa nega que iniciativa Internet.org seja prática de zero-rating ou quebre a neutralidade da rede

O Facebook, através do projeto Internet.org, estuda levar infraestrutura para acesso à internet a áreas remotas do Brasil usando veículos aéreos não-tripulados. Segundo a empresa, essas aeronaves possuem envergadura entre as asas maior que a de um Boeing 737, mas pesam menos que um carro.
 
“Os VANTs utilizarão uma tecnologia conhecida como free-space optics – capaz de transmitir dados através de radiação ultra-vermelha –, que permite capacidade e banda extremamente altas, comparáveis às redes de fibras óticas terrestres – além de consumir muito menos energia que os sistemas baseados em micro-ondas”, explica Bruno Magrani, diretor de relações institucionais da rede social no país. Magrani respondeu a questões do CGI.br sobre a iniciativa Internet.org.
 
Ele explica que a iniciativa toca um projeto-piloto na comunidade de Heliópolis, na capital paulista, onde estuda formas de oferecer acesso a serviços básicos que usam a internet. “Os planos do Facebook incluem o uso de tecnologia WiFi para oferecer serviços básicos de Internet por meio do uso do Internet.org aos habitantes de Heliópolis”, diz. No mundo, outras alternativas são testadas, como free space optical communications (FSO) e satélites de órbita baixa ou mesmo geoestacionários. Tudo isso para alimentar a rede WiFi.
 
Neutralidade
 
Magrani garante, ainda, que o Facebook não paga a nenhuma operadora para oferecer o acesso gratuito a certas aplicações onde o Internet.org está disponível. As teles entram na iniciativa como parceiras, oferecendo o acesso e provimento.
 
O provimento de acesso, diz, “se baseia em parcerias com operadoras de telecomunicações a fim de tornar possível a prestação de acesso gratuito a uma série de serviços básicos sobre empregos, saúde, educação e comunicação”, diz. Segundo ele, um dos objetivos do programa é levar novos usuários pagantes à web. “O modelo de negócios do Internet.org somente será bem sucedido se o usuário que se conecta pela primeira vez decidir ter acesso amplo à Internet, contratando serviços pagos. (…) O projeto é desenhado justamente para ampliar o conhecimento acerca da Internet”, reitera.
 
O executivo conta que, na Índia, onde a iniciativa teve início neste ano e gerou polêmica, 90% do uso de dados de usuários que tiveram acesso a rede a partir do Internet.org veio de serviços não incluídos no pacote de serviços básicos gratuitos oferecidos pela iniciativa. No mundo, 9 milhões de pessoas já teriam acesso à web através da iniciativa do Facebook.
 
A rede social rechaça a ideia de que seu Internet.org fira a neutralidade de rede prevista pelo Marco Civil da Internet. Explica que a iniciativa não envolve, em nenhum país, o pagamento pelo acesso dos usuários às operadoras. E os provedores de aplicações que integram a iniciativa também não pagam para ser incluídos. ”Por essa razão o Facebook acredita que as parcerias comerciais para o Internet.org são diferentes dos programas mais comuns de zero-rating em que há ‘dados patrocinados’”, argumenta.
 
Ele acrescenta: “Acreditamos que o princípio da neutralidade da rede deve coexistir com iniciativas voltadas à ampliação do acesso à Internet. O Internet.org permite que justamente as populações mais carentes tenham acesso ao menos a serviços básicos gratuitos sobre saúde, educação, comunicações, informações locais, dentre outros. Tal inciativa não impede, de forma alguma, que seus usuários acessem a Internet como um todo”.