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Clipping

18/11/2013 às 16:01

Festival Diálogo de Cinema promove exibições e debates sobre curtas-metragens

Escrito por: Redação
Fonte: Zero Hora - Online

Os curtas deixam de ocupar brechas da programação para ser a atração principal em Porto Alegre de terça até domingo

Formato que costuma ficar em segundo plano em mostras e festivais de cinema, o curta deixa de ocupar brechas da programação para ser a atração principal em Porto Alegre de terça até domingo.

Em cartaz no CineBancários, a primeira edição do Festival Diálogo de Cinema apresenta, com entrada franca, um recorte da mais recente safra nacional de curtas, com produções de diferentes propostas e gêneros, muitas delas com passagens premiadas por competições no Brasil e no Exterior.

A programação desta terça tem como destaque o filme convidado para abrir o festival: Dromedário no Asfalto, às 20h, é a estreia em longa de Gilson Vargas, cineasta que trilhou seus primeiros passos no curta. Essa primeira projeção pública do filme tem caráter simbólico, pois Vargas planeja lançá-lo comercialmente apenas em 2014.

Produzido pela Avante Filmes e pela Sofá Verde Filmes, o Festival Diálogo de Cinema recebeu 250 inscrições de 17 estados e do Distrito Federal. A curadoria do evento criou duas mostras competitivas, em exibição a partir de amanhã: a Diálogo, com 20 curtas de nove Estados, e a Cercanias, com 15 produções gaúchas. Sem caráter competitivo, a mostra Reflexos exibirá 15 curtas nacionais realizados entre 2008 e 2012.

O festival também promove debates com os realizadores após cada sessão e, no próximo sábado, o painel O Papel da Crítica na Difusão do Cinema Local. A troca de ideias é providencial para discutir o papel do curta hoje nas mais diferentes plataformas de exibição. Existem opiniões que defendem o curta como formato adequado para uma experimentação cada vez mais incisiva da linguagem cinematográfica.

- Costumo dizer para meus alunos não se colocarem diante da obrigação de contar uma história com um curta - diz Gilson Vargas, que também é professor de cinema.

Mas, destaca Vargas, as propostas não podem ser estanques, já que sempre existirão as narrativas convencionais inventivas e interessantes e as experimentais presunçosas e maçantes. Para ele, também já não tem sentido ver o curta como um elemento de passagem do realizador rumo ao longa.

- Cinema é cinema. Hoje muitos diretores de longa continuam a fazer curtas - destaca Vargas, que ganhou o Concurso Petrobras para produzir seu próximo curta, O Relâmpago e a Febre, em finalização, e está em fase de roteirização do segundo longa A Colmeia, com texto de Diones Camargo.

Entre os 20 curtas da mostra Diálogo, três são gaúchos. Um deles é Os Filmes Estão Vivos (2013), de Fabiano de Souza (que já tem um longa no currículo e prepara o segundo) e Milton do Prado, que ganhou o Prêmio Especial do Júri e o Prêmio da Crítica no Festival de Gramado - o filme, com exibição na quinta-feira, traz uma conversa sobre cinema com o crítico Enéas de Souza, pai de Fabiano. Os outros dois são, no sábado, Davi e os Aviões (2012), primeiro trabalho do diretor Pedro Achilles, realizado no curso de Produção Audiovisual da PUCRS e já exibido em festivais, e Fantasmas da Cidade (2013), de Daniel de Bem, que terá no CineBancários, amanhã, sua primeira sessão.

Entre outros destaques da programação, estão produções premiadas como Colostro (SP), Menino do Cinco (BA), A Navalha do Avô (SP), Sanã (2013), de Marcos Pimentel (MA/MG), e Pátio (PR), vencedor do troféu de melhor curta documental brasileiro no Festival É Tudo Verdade 2013 e selecionado a Semana da Crítica do Festival de Cannes.

A Mostra Diálogo conta com o prêmio de aquisição do canal Prime Box Brazil, no valor R$ 2,5 mil. Confira a grade completa em www.dialogodecinema.com.br .

Menos gaúchos nos festivais

Impera a percepção, entre críticos e realizadores, de que os curtas-metragens gaúchos estão circulando em menor quantidade pelos grandes eventos cinematográficos do Brasil, em comparação com a relevância que a produção local no formato já teve nas últimas décadas. Nunca se produziu tanto, por conta das facilidades da tecnologia digital, e a qualificação técnica dos profissionais, proporcionada pelas faculdades de cinema do Estado é notória.

- O problema não é qualidade das produções. Em meio a tanta produção, tem muita coisa boa. Vejo é uma falta de interesse de alguns bons jovens realizadores em participar de festivais - avalia o cineasta Gilson Vargas.