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Clipping

28/05/2014 às 10:03

Filmes turcos marcam presença no FAM

Escrito por: Redação
Fonte: Diário Catarinense

Florianópolis Audiovisual Mercosul apresenta nesta quarta e quinta-feira oito produções na Mostra Outros Olhares: Turquia

Depois que o drama Winter Sleep, de Nuri Bilge Ceylan, foi o grande ganhador do Festival de Cannes deste ano, o mundo voltou os olhos para o cinema turco. Em Florianópolis, a 18ª edição do FAM oferece a chance, nesta quarta e quinta-feira, a partir das 15h, de o público conferir gratuitamente, no Auditório da Reitoria da UFSC, oito curtas produzidos naquele país. Os filmes são recentes, com datas de 2011 a 2013, e apresentam temas bastante humanos, transformando em ficção fragmentos da vida e de relacionamentos.

Três representantes das produções (Armagan Lale, Hasan Serin e Lokman Rezan Rezan Yeþilbaþ - premiado em Cannes de 2012), além do cônsul do país no Brasil estão no evento para a Mostra Outros Olhares: Turquia.

Na quarta-feira
 
- O primeiro curta exibido será Agri ve Dag, de Hasan Serin. A história é o retrato de um dia comum na vida da menina Rojda, moradora de uma vila que parece estar parada no tempo. Buhar, de Abdurrahaman Öner, é um filme silencioso de uma única tomada em que o som da TV preenche um ambiente vazio, onde a esposa prepara o jantar do marido.

- Em Musa, de Serhat Karaaslan, um diretor de cinema vê seus filmes em uma banca de DVDs piratas e faz uma oferta ao vendedor.

- De Cetin Baskin, Gerayîs fala sobre Halil, homem que não tem ouvido falar de seu filho por um longo tempo. Ele tem um vínculo forte com seu cavalo, mas também perde isso.

Na quinta-feira

- O segundo dia da Mostra começa com um curta vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes de 2012. Sessiz/Be Deng, de L. Rezan Yeþilbaþ, é o segundo filme da Trilogia da Mulher criada pelo diretor e conta a história de Zeynep, que mora com seus três filhos e quer visitar o marido na prisão. O problema é que Zeynep só consegue falar em curdo, sua língua materna, e na prisão só é permitido falar em turco.

- Em Üstümüzden Geçti Bulut, de Yasar Arif Karagülle, o personagem Cengiz retorna para o lugar onde nasceu e acaba enfrentando a memória de seu pai, seu próprio passado, e um futuro incerto após a ressaca de Chernobyl.

- Nolya, de M. Cem Öztüfekçi, é uma história de dois homens que atendem em um bar e se apaixonam pela mesma jovem.

- Em Ali Ata Bak, o diretor Orhan Ince aborda a inadequação do sistema educacional por meio de uma conversa entre Ali e seu tio.

Semelhanças entre Brasil e Turquia

O cinema turco tem muito em comum com a trajetória do cinema brasileiro. Segundo escreve o crítico Leonardo Mecchi, na Revista Cinética, a produção turca teve seu auge nas décadas de 1960 e 1970, mas sofreu uma crise a partir de 1980 - quando o vídeo cassete e a TV se popularizaram.

A mesma decadência aconteceu no Brasil, quando o fim da ditadura trouxe a hiperinflação. Números de ingressos vendidos e salas de cinema caíram nos dois países. "Foram aproximadamente duas décadas de divórcio entre o cinema turco e seu público, período no qual a expressão "como um filme turco" era tida como um insulto, sinônimo de banalidade, melodrama excessivo e mau gosto - num estigma muito parecido com aquele que o próprio cinema brasileiro teve que combater nos anos 1990", afirma Mecchi em seu texto Lições da Turquia para o Cinema Brasileiro.

Para recuperar a indústria, o Brasil investiu recursos públicos no aumento da produção. Já a Turquia manteve o nível de filmes produzidos e concentrou os recursos - em maioria privados - no desenvolvimento de histórias com apelo popular. "A estratégia parece ter surtido efeito já que, mantendo uma média de 30 a 35 longas produzidos por ano, o cinema turco vem aumentando sua participação de mercado ano a ano", escreve Mecchi. Assim como o cinema autoral do país euro-asiático, que tem expandido suas fronteiras em espaços internacionais.