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Clipping

17/11/2015 às 14:15

Governo dos EUA usa Paris para defender espionagem e limites à criptografia

Escrito por: Luís Osvaldo Grossmann
Fonte: Convergência Digital

A França, assim como parte do mundo, ainda estava em choque com os atentados em Paris que mataram 129 e feriram muitos mais, na sexta, 13/11, e próceres da espionagem americana, bem como seus defensores, já estavam em campo sustentando os méritos da massiva coleta de dados dos seres humanos, além de retomarem ataques contra a disseminação de recursos de criptografia em equipamentos e aplicativos.
 
Ainda na madrugada do dia 14 começaram a pipocar pelas redes sociais com jornalistas da Fox News responsabilizando as denúncias de Edward Snowden por supostas vulnerabilidades no sistema de espionagem global. Logo em seguida entraram em campo as próprias autoridades. Na televisão, o ex-diretor assistente da CIA, Michael Morell foi ao ataque ao afirmar que “vamos descobrir que [os terroristas] usaram aplicativos criptografados”.
 
O atual diretor da Agência Central de Inteligência dos EUA, John Brennan, assumiu a partir daí a linha: “Há muitas capacidades tecnológicas disponíveis que tornam excepcionalmente difícil, técnica e legalmente, para os serviços de segurança, terem as condições de descobrir. Acho que é hora, particularmente para a Europa, assim como nos Estados Unidos, de avaliarem se houve lacunas acidentais ou intencionais que criaram essa inabilidade de os serviços de segurança protegerem as pessoas. Espero que seja um toque de despertar.”
 
Em outra frente, o ex-diretor da NSA, Stewart Baker, foi a campo defender a ‘seção 215’, a parte da Lei Patriótica dos EUA em que se sustenta parte da coleta indiscriminada de dados. “Talvez seja o mês errado para abandoná-la”, destacou Baker. Ele se refere ao fim da validade da espionagem por esse caminho legal nos EUA – depois que o Congresso por lá não conseguiu aprovar a renovação desse dispositivo. Em tempo: embora haja mudanças, a espionagem continua com suporte legislativo por outros caminhos jurídicos.
 
Nesta guerrilha pró-espionagem, os atentados de Paris chegaram a produzir histórias curiosas, como a suposta evidência de que autoridades da Bélgica, onde alguns dos atacantes estavam baseados, indicaram que eles usaram a rede de comunicação disponível pelo videogame PlayStation para recrutamentos e planejamentos. Para não mencionar os ataques já comuns ao fato de que apps como Whatsapp são criptografados desde o fim do ano passado.
 
Vale lembrar que até aqui nenhum dos programas de vigilância foram suspensos nos Estados Unidos. E que outros países, como a própria França, na verdade ampliaram os poderes que o governo dispõe para xeretar a vida dos cidadãos – por sinal, antes mesmo do ataque ao semanário Charlie Hebdo, em janeiro deste ano.