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Clipping

19/04/2016 às 16:51

Imprensa europeia critica parlamentares brasileiros: 'Insurreição de hipócritas'

Escrito por: Redação
Fonte: Revista Forum

Veículos ressaltaram o ambiente ‘carnavalesco’ da Câmara na votação do impeachment – com berros, selfies e canções -, contrastando com a seriedade que requer o atual momento político do país. Homenagem de Bolsonaro a torturador e as inúmeras acusações de corrupção contra deputados também foram destaque; confira
 
impeachment
A votação do impeachment de Dilma Rousseff, realizada ontem (17) na Câmara dos Deputados, foi destaque na imprensa internacional nesta segunda-feira. No texto intitulado “A insurreição dos hipócritas”, o site da revista Der Spiegel afirmou que o Congresso brasileiro mostrou “sua verdadeira cara”. “A maior parte dos deputados evocou Deus e a família na hora de dar o seu voto. Jair Bolsonaro até mesmo defendeu, com palavras ardentes, um dos piores torturadores da ditadura militar”, escreveu o jornalista Jens Glüsing.
 
O veículo ressaltou que o presidente da Casa, Eduardo Cunha, e o vice-presidente Michel Temer são investigados por envolvimento com corrupção. Já o site do semanário alemão Die Zeit disse que a votação “mais parecia um carnaval” e que não correspondia à gravidade da situação discutida na ocasião.
 
“Nesse dia decisivo para o destino político da sétima maior economia do mundo, o que se viu foram horas de deputados aos berros, que se abraçavam, tiravam selfies e entoavam canções”, relatou Thomas Fischermann. Ele chamou a atenção para o discurso dos políticos, que fugiam do contexto e iam de lembranças aos netos a xingamentos contra a educação sexual nas escolas.
 
O diário alemão Süddeutsche Zeitung focou na contradição de ter uma presidenta atacada por congressistas acusados de corrupção, mesmo sem qualquer prova contra ela. Neste caso, o correspondente Benedikt Peters lembrou que o processo contra Rousseff é controverso e motivado por questões políticas.
 
Para o jornal britânico The Guardian, um Congresso “hostil e manchado pela corrupção” votou pelo impedimento. “O ponto mais baixo foi quando Jair Bolsonaro, o deputado de extrema direita do Rio de Janeiro, dedicou seu voto a Carlos Brilhante Ustra, o coronel que comandou a tortura do DOI-Codi durante a era ditatorial”, e levou “uma cusparada do deputado de esquerda Jean Wyllys”.
 
O jornal espanhol El País narrou que a votação foi marcada por tumulto e “cânticos um tanto ridículos às vezes” e enfatizou que a condução de Cunha, acusado de manter contas milionárias na Suíça com dinheiro desviado da Petrobras, é “um sintoma da estrutura moral de boa parte do Congresso brasileiro”.
 
* Com informações do portal Terra