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Clipping

09/11/2017 às 18:28

Imprensa internacional repercute primeiro ano de Donald Trump na Casa Branca

Escrito por: Redação
Fonte: Portal Imprensa

A eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, que na quarta-feira (8) completou um ano repercutiu em toda a imprensa. Desde que assumiu a Casa Branca em novembro de 2016, o magnata não parou de se envolver em polêmicas, principalmente com jornalistas, com quem não mantém uma relação saudável.  
 
A imprensa americana chamou a atenção para a questão do fact checking. O portal Poynter, trouxe uma matéria especial sob o título: “Here's what fact-checkers have learned in the year since Trump won” (O que os checadores aprenderam neste ano desde a vitória de Trump). 
 
“Nesta administração, você não pode aceitar nada no valor nominal - você tem que verificar novamente tudo o que eles dizem para ver se é preciso", disse Angie Holan, editora da PolitiFact ao portal. Glenn Kessler, que administra o “The Washington Post Fact Checker”, concordou. Tanto ele como Angie disseram a Poynter que um dos maiores desafios apresentados por esta administração presidencial é o grande volume de declarações falsas que faz.
 
A “Vanity Fair” ponderou sobre como o presidente manipula a imprensa. “Trump e sua equipe entendem que, para a imprensa política, o que importa é o que está acontecendo agora, e não ontem. E, quer por meio de seus tweets ou seus representantes na sala de briefing, o presidente tem sido capaz de atrapalhar os repórteres para jogar seu jogo, porque ele sabe o que os interessa”.
 
“Donald Trump transformou o sagrado ritual do briefing diário em seu próprio reality show. A imprensa, ele aprendeu durante seus anos em Nova York, é essencialmente uma empresa sensacionalista. Na campanha, ele aproveitou os impulsos mais egoístas da indústria para injetar-se cada hora na consciência nacional; mais tarde, à medida que sua cobertura se tornou mais negativa, Trump transformou a indignação da mídia em munição. O choque com sua eleição pareceu confirmar que a classe havia perdido uma das maiores histórias do século. Com a sala de briefing sob seu controle, Trump e Sean Spicer, efetivamente sequestraram as câmeras de notícias, voltando-as para o corpo de imprensa da Casa Branca, fazendo as únicas sessões de perguntas e respostas um referendo diário sobre o viés de mídia”, diz a matéria.
 
Na França, os jornais dedicaram algumas linhas para analisar a gestão Trump. “Os inacreditáveis tuítes do 'presidente troll'" é a manchete do jornal Aujourd'hui en France, que compara o republicano aos internautas anônimos que provocam polêmicas nas redes sociais. O jornal fez uma seleção das publicações mais polêmicas de Trump na rede social. 
 
Já o Le Figaro marcou a data trazendo as capas mais impactantes de jornais e revistas do mundo inteiro um ano após a eleição do bilionário. O diário fez sua escolha baseada em diferentes temas que marcaram os primeiros meses de mandato de Trump, como o choque da imprensa com a eleição do magnata, a questão racial, a crise com a Coreia do Norte e as suspeitas da interferência da Rússia na campanha eleitoral. 
 
"Quem mantém este desequilibrado na Casa Branca?", esta é a pergunta que faz o diário de esquerda "L'Humanité". "Um Ano com muito barulho, muita fúria... e muitos fracassos", é o título em destaque no diário "Le Parisien". "Ver televisão, twittar, e praticar golfe, desde o 8 de Novembro de 2016, os hábitos do multimilionário não mudaram", é assim que o jornalista do diário apresenta o cotidiano de Trump.
 
A cadeia portuguesa RTP destacou que o republicano tuitou mais de 2.400 vezes como Presidente dos EUA. E chamou a atenção sobre os constantes ataques do empresário à imprensa do País. Lembrou ainda, sobre o filme publicado por Trump no microblog onde, em um ringue, ele aparece golpeando um lutador que traz em seu rosto o símbolo da CNN. Outra lembrança da rede foi a gafe “covfefe” palavra tuitada por Trump, que não existe em língua inglesa. 
 
Em um comunicado intitulado “Há um ano que Donald Trump se considera o diretor da imprensa estadunidense”, a RSF afirma que "desde que foi eleito presidente, não se passa uma semana sem que o mandatário se intrometa nas decisões editoriais da imprensa americana. Atacando e desqualificando constantemente os jornalistas, o chefe do Estado dos acusadores de difundir "notícia falsa" (noticias falsas) e de fazer mal o trabalho. Diante disso, a RSF se pergunta se Donald Trump não está tomando o poder de imprensa".
 
Em 11 de janeiro, durante sua primeira coletiva de imprensa quando ainda não era o chefe de Estado, ele tentou assentar as bases de sua futura relação com os meios de comunicação, adotando um tom paternalista que desde então não deixou de empregar. Para a RSF, Trump tem apenas uma linha editorial para os meios de comunicação do país: "não publica informações negativas sobre mim, são respeitados". 
 
“Frente a este flagrante desequilíbrio e as preocupantes declarações do governo americano sobre a imprensa, a RSF recorda a Donald Trump e sua equipe: não, os jornalistas americanos não estão trabalhando para o presidente dos Estados Unidos. São trabalhadores que devem conservar imperativamente a independência para que esta infantilização grotesca da imprensa não ameace, com o tempo, o equilíbrio de toda uma democracia”, conclui o comunicado.