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Clipping

16/09/2011 às 16:59

Indústria fonográfica aposta em música gratuita para convencer as pessoas a abrirem os bolsos

Escrito por: Redação*
Fonte: O Globo

NOVA YORK - O futuro do negócio da música é social, gratuito e, espera-se, rentável. Depois de uma década com as vendas despencando em 50%, gravadoras cortando milhares de empregos e mais de 35 mil consumidores processados por downloads ilegais, a indústria está se acostumando com a ideia de oferecer canções gratuitas como uma maneira de fazer o público gastar dinheiro.

Esta semana a MOG e a Rdio se tornaram as mais recentes empresas de música digital nos EUA a oferecer transmissão online de milhões de músicas gratuitamente, esperando que interface amigável e a ampla biblioteca convençam os usuários a se tornarem assinantes. Elas seguem o modelo do Spotify, de Londres, que em 18 meses tomou conta da Europa. Após inúmeros adiamentos, o serviço estreou em julho nos EUA.

Outros serviços digitais com acesso gratuito a música serão lançados nos próximos meses. A Beyond Oblivion, que conta com o apoio da poderosa News Corp, planeja o Boinc com uma abordagem diferente, permitindo o acesso livre a músicas para usuários que comprem dispositivos especiais.

A chave do sucesso destes serviços - e por extensão das gravadoras - é a taxa de conversão do gratuito para o pago. O Spotify afirma ter mais de 10 milhões de usuários registrados com um milhão de assinantes, uma taxa de conversão de 10%.

Serviços de streaming geralmente cobram US$ 5 a US$ 15 por mês para tocar qualquer música ou álbum de sua biblioteca em computadores ou dispositivos móveis como celulares e tablets. A tendência do gratuito/pago cresce conforme as vendas de músicas baixadas começa a desacelerar no iTunes, da Apple.

A MOG e a Rdio anunciaram seus novos recursos gratuitos poucos dias antes da conferência de desenvolvedores do Facebook, que acontecerá na semana que vem em San Francisco. Espera-se que a maior rede social do mundo lance sua própria plataforma musical. Essas duas empresas, juntamente com Rhapsody e Rootmusic, devem fazer parte desse lançamento, projetado para tornar mais fácil o compartilhamento de música e ganhar assinantes pagos entre os 750 milhões de usuários do Facebook.

O serviço gratuito do MOG dá aos usuários mais músicas conforme eles criam laços com outras pessoas, especialmente se estiverem logados no Facebook Connect.

"Isso nos permite premiar os formadores de opinião e influenciadores", disse o executivo-chefe da MOG, David Hyman, ex-executivo sênior MTV.

Preocupados em não incentivar a ideia de que a música deveria ser gratuita, os executivos argumentam que esses serviços são mais limitados do que inicialmente aparentam.

"Não é uma mudança para o gratuito", disse o executivo de um selo que pediu anonimato. "Estamos construindo um grande funil e conduzindo mais consumidores para o serviço de assinatura."

Normalmente a parte livre desses serviços traz publicidade, mas a receita ainda não cobre as taxas de licenciamento cobradas pelas grandes gravadoras. Mas a Rdio vai por um caminho diferente. Ela não terá propaganda e, ao contrário da MOG, não vai distribuir a música gratuita de acordo com o engajamento dos usuários.

"Nós não vamos pedir que os usuários enviem spam para seus amigos", disse o diretor operacional Carter Adamson. Ele acrescenta, no entanto, que informações sobre o envolvimento dos usuários vai determinar o número de músicas que esse usuários poderá acessar em sua plataforma gratuita.

Os fundadores da empresa, Janus Friis e Niklas Zennstrom, inventaram um dos maiores inimigos da indústria da música, o Kazaa, e o revolucionário serviço de telefonia online Skype.

Até agora, os serviços de música por assinatura têm lutado para capturar a imaginação coletiva de fãs de música. Fontes do setor estimam que MOG e Rdio tenham menos de 100 mil assinantes cada.

O Rhapsody, maior serviço de música por assinatura nos EUA, está ativo há 10 anos e tem apenas 800 mil assinantes. Esta semana, a empresa acrescentou um novo foco social que torna mais fácil para os usuários se seguirem e compartilharem músicas.

O porta-voz do Rhapsody, Jaimee Steele, disse que a empresa considera um serviço de publicidade se a economia fizer sentido, mas acrescentou que há pouca evidência disso no momento. Se o gratuito tem apelo entre os usuários, pode ser caro empresas iniciantes que precisam usar toda a sua receita para pagar licenciamento das gravadoras.

"Não temos intenção de sair do negócio em seis meses", disse Adamson, enfatizando que a empresa terá cuidado para não dar música gratuita para "usuários abusivos".

"Todos esses serviços têm diretores, investidores e acionistas que esperam um retorno para seus investimentos", disse um executivo que pediu anonimato. "Como resultado, ofertas gratuitas limitadas estão sendo oferecidas para que as pessoas entrem. A ênfase está no 'limitada' ".

Enquanto isso, as grandes gravadoras começam a compartilhar o risco de modelos de negócio inovadores após anos processando avós e crianças por download ilegal, fechando empresas revolucionárias como o Napster e exigindo taxas adiantadas de empreendedores que tentavam trabalhar com elas.

Executivos de gravadoras estão ansiosos para os fãs de música se inscreverem em serviços de assinatura, sonhando com as receitas garantidas de forma semelhante a da indústria de televisão a cabo.

*Reuters Brasil