Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

02/03/2015 às 17:22

Indústria fonográfica inventa a pólvora? e bum!

Escrito por: Eduardo Nunomura
Fonte: Farofafá - Carta Capital

A IFPI inventou a pólvora, mas uma bomba mais letal já havia explodido no colo das gravadoras desde o advento do Napster, programa de compartilhamento (download) criado em 1999. A pirataria é ilegal, mas pergunte isso a um jovem, aquele que mais consome música no planeta, se ele considera estar cometendo um crime.

A Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI, em sua sigla inglesa) anunciou que álbuns musicais deverão ser lançados sempre às 0h01 locais das sextas-feiras. O objetivo do “global release day” é evitar a pirataria decorrente de datas diferentes de lançamentos. Se na Inglaterra, os discos chegam às lojas na segunda-feira, nos Estados Unidos as vendas começam um dia depois. É uma ideia “de gênio”, que chega com pelo menos 15 anos de atraso.

Frances Moore, chefe (CEO) da IFPI, afirmou que há três razões para se adotar o “global release day”: os consumidores, cada vez mais digitais, não enxergam mais as fronteiras e não querem esperar a sua vez; uma data mundial facilitaria as distribuidoras a criarem estratégias de vendas dos novos álbuns; e com uma data única acaba-se a pirataria que ocorre entre um lançamento e outro.
 
Em uma pesquisa realizada em sete países, incluindo o Brasil e Estados Unidos, a IFPI descobriu que sete em cada dez consumidores de música preferem a sexta-feira. É nesse dia e no sábado que as lojas físicas (as que ainda restam…) têm maior movimento, o tráfico online de compras tem seus maiores picos e as redes sociais estão mais agitadas.
 
A IFPI inventou a pólvora, mas uma bomba mais letal já havia explodido no colo das gravadoras desde o advento do Napster, programa de compartilhamento (download) criado em 1999. A pirataria é ilegal, mas pergunte isso a um jovem, aquele que mais consome música no planeta, se ele considera estar cometendo um crime.
 
A RIAA (a associação que representa as três maiores gravadoras americanas, Universal, Sony e Warner) registrou queda nas vendas de álbuns da ordem de US$ 2,3 bilhões desde 2001. Gravar e distribuir música se tornou um negócio de risco em um universo que não distingue, com clareza, o legal do pirata. Cerca de 80% dos lançamentos mundiais venderam, em 2011, menos de 100 cópias. Mas pergunte se as pessoas tiveram (ou estão tendo) acesso a qualquer um desses lançamentos?
 
IFPI e RIAA, no ano passado, iniciaram uma luta contra o Google, afirmando que a gigante da internet facilitava a vida da pirataria. Segundo as entidades, nada menos que 100 milhões de links indicados pelo mecanismo de busca apontavam para músicas que ignoravam os direitos autorais. A RIAA lançou o site Music Matters, onde as pessoas podem comprar músicas digitalmente.
 
A IFPI deixou claro que o “global release day” visa atingir aqueles que preferem continuar comprando álbuns pelas vias tradicionais. A medida passa a valer no verão do Hemisfério Norte – e inverno no Sul, incluindo o Brasil. Lançamentos locais, como os de artistas brasileiros, por exemplo, não precisam seguir essa data. Artistas que são ignorados pelas gravadoras poderão continuar conquistando e criando seu próprio espaço, de domingo a domingo, lançando músicas nos serviços como Soundcloud, clipes no YouTube e divulgando seus trabalhos nas redes sociais para seus fãs.