Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

09/12/2013 às 09:32

Mais queixas contra as telefônicas

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

O acesso à telefonia é uma realidade no Brasil. Possuir um celular, uma tevê por assinatura ou internet banda larga faz parte do cotidiano do brasileiro. Em regiões como o Distrito Federal, onde a renda per capita é uma das mais altas do país, a universalização dos serviços de telefonia toma ainda mais fôlego. Proporcionalmente ao tamanho da população, Brasília lidera os acessos à telefonia móvel e à banda larga. Mas, com o aumento da demanda, vem o crescente número de reclamações. E o que preocupa as entidades de defesa do consumidor é que as queixas continuam crescendo em velocidade superior à adesão de consumidores.

De acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o número de linhas móveis no Distrito Federal aumentou 1,9% na comparação dos 10 primeiros meses de 2012 e 2013, e na banda larga, 13,4%. Em contrapartida, as queixas que chegaram ao Procon-DF passaram de 24.578 para 31.958, crescimento de 30%, excluídos os consumidores que procuram diretamente a Anatel. Os clientes reclamam da oscilação do sinal, das cobranças indevidas, do contrato e, principalmente, da dificuldade das empresas em resolver os problemas. São vários atendentes consultados e baixo índice de resolutividade.

Em 2012, a Anatel proibiu a comercialização de novos chips de celulares da Tim, Claro e Oi e determinou que as operadoras apresentassem um plano de metas de qualidade. Multas também foram aplicadas pelos Procons locais e pela Anatel, e o Judiciário estipulou indenizações a consumidores prejudicados. Mesmo assim, de 2012 para 2013, as reclamações nos Procons de todo o Brasil cresceram 43,5% em relação aos serviços de telecomunicações.

Para as associações e órgãos de defesa dos consumidores, as medidas tomadas para punir o setor pouco contribuíram para assegurar respeito ao cliente e a melhora do serviço. "A telefonia sempre lidera o ranking de atendimentos nos Procons, e isso não dá para tolerar. A suspensão da venda dos produtos das operadoras tem que acontecer mais vezes, como fazem com os planos de saúde. Só quando doer no bolso é que as operadoras vão respeitar o consumidor", defende Tódi Moreno, diretor-geral do Procon do Distrito Federal. "As empresas questionam as multas na Justiça, o que prolonga o processo e nada melhora para o consumidor", argumenta Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Proteste.

Quando a portabilidade foi anunciada, os consumidores viram a possibilidade de mudar de empresa em busca de qualidade. Mas, na opinião da Proteste, a situação pouco mudou. "O consumidor fica enganado com a falsa sensação de concorrência. A questão é que, quando o cliente muda, ele percebe que todas as empresas oferecem serviços similares, inclusive no preço e na qualidade", afirma Maria Inês.

O corretor de imóveis Maurílio Antônio de Souza, 57 anos, é um exemplo. Ele é proprietário de uma imobiliária no centro de Taguatinga e, por isso, tem sete linhas telefônicas de celular. Cliente da Tim, fez portabilidade para Vivo em busca de sinal melhor. Antes de mudar de empresa, ainda gastou R$ 2.750 comprando uma antena repetidora de sinal, o que não adiantou. Pesquisou na internet e com amigos qual era a operadora com maior cobertura e optou pela Vivo. Porém, o problema de oscilação persistiu mesmo com a mudança de empresa. "Falei com a vizinhança e percebi que todas as operadoras ofereciam o mesmo serviço. É um absurdo. Eu estou no centro da segunda maior cidade do DF e não consigo ter acesso a celular?", reclama.

Após entrar em contato com a Vivo várias vezes, Maurílio de Souza conseguiu que técnicos e engenheiros da operadora visitassem a imobiliária. "Eu não ia desistir nem mudar de operadora de novo e continuar com o mesmo problema. Por isso, insisti até vir alguém aqui", conta. Depois do jogo de empurra-empurra, a área técnica da Vivo informou que a região precisava de uma nova torre. "Quando questionei a partir de qual período essa nova torre seria construída, eles me disseram que poderia demorar seis meses, três anos. Aí, eu perguntei 'enquanto isso eu pago por um serviço que eu não tenho?'".

O problema com as operadoras de telefonia passou a atrapalhar os negócios de Maurílio. "Se eu não retornasse as ligações, perdia aluguéis e vendas". Depois de quase dois anos tentando conseguir um sinal para o escritório, a Vivo instalou um equipamento de femtocélulas. O aparelho foi autorizado e regulado pela Anatel em 4 de novembro deste ano. "No mesmo dia que saiu no Diário Oficial, a Vivo instalou esse aparelho e, depois de muita insistência, consegui ter sinal de qualidade".

Novo sistema
As femtocélulas são semelhantes aos pontos de acesso para comunicação sem fio (Wi-Fi) e se utilizam de uma rede fixa para produzir uma pequena área de cobertura. O tráfego é escoado por meio de uma conexão de dados. O modelo está em funcionamento no Brasil desde 4 de novembro deste ano, quando a Anatel regulamentou e autorizou o sistema.