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Clipping

26/10/2017 às 21:20

MCTIC manda Anatel desengavetar PGMU; novo conselho consultivo deverá analisá-lo

Escrito por: Samuel Possebon
Fonte: Instituto Telecom

 Anatel deve dar posse aos novos integrantes do conselho consultivo da agência na próxima segunda, dia 30, e o colegiado deverá, logo de cara, tratar da revisão do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU), que estava engavetado pela Anatel desde o primeiro semestre a pedido do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Agora, foi o próprio ministério quem pediu para a agência submeter ao órgão consultivo a proposta de PGMU aprovada pelo conselho diretor e, depois, encaminhá-la para o Poder Executivo.
 
Segundo ofício encaminhado pelo MCTIC à Anatel no dia 6 de outubro a que este noticiário teve acesso, além da recomposição do Conselho Consultivo, outro motivo move o ministério a pedir para a Anatel que retome o processo. “Aproveito para compartilhar a manifestação
 
recebida da concessionária Oi, na qual aquela empresa expressa suas preocupações com a não publicação do PGMU IV e suas considerações sobre a conveniência em retomar o andamento dessa questão por parte do poder executivo. (…) Nesse sentido, é preciso afirmar que a manutenção das metas do PGMU III é inadequada, na medida em que aquelas obrigações estão associadas a serviços cada vez menos demandados e que o ideal seria direcionar os recursos da concessão para a expansão da infraestrutura de banda larga, em linha com o inciso I do art. 2o do Decreto no 8.776, de 2016, e com o art. 2o da Portaria MC no 1.455, de 8/4/2016”, diz o documento, assinado pelo ministro Gilberto Kassab.
 
O ministro pede ainda à Anatel a elaboração de um estudo para a aplicação dos saldos remanescentes do PGMU III. “Tendo em vista que as obrigações do STFC, presentes no PGMU e que integram os contratos de concessão, devem ser reestruturadas no sentido de melhor alinhá-las ao interesse público, solicito adicionalmente a instrução da área técnica da Agência a elaborar, submeter ao Conselho Diretor e encaminhar a este Ministério, no prazo de 90 dias, um plano para aplicação dos saldos do PGMU proposto dentro do escopo da concessão do STFC e que seja convergente com a expansão da infraestrutura de banda larga”.
 
PLC 79
 
Quando o ministério determinou, em maio deste ano, que o PGMU retornasse para a Anatel, um dos motivos era a incerteza em relação à aprovação do PLC 79/2016, que cria o novo modelo de telecomunicações. Mas agora o MCTIC não vê mais isso como um problema: “Ressalte-se que essa medida é fundamental, independente de eventual aprovação do PLC no 079/2016, já que, ainda que venha a ser aprovado, seria imperioso considerar que a migração, conforme prevista no referido PLC, é uma faculdade para as atuais concessionárias, que podem optar por não migrar, permanecendo na concessão. Além disso, de acordo com o texto do PLC, o plano de migração deve ser aprovado pela Agência, que pode considerar o plano de alguma concessionária inadequado ou inoportuno e não aprovar a migração. Assim sendo, é imprescindível que o PGMU preveja metas no âmbito da concessão alinhadas com o interesse da sociedade quer o PLC seja aprovado ou não”.
 
Saldos
 
Havia ainda um outro motivo pelo qual o PGMU parou: as concessionárias não concordavam com a inclusão, pela Anatel, de uma cláusula na última versão do projeto em que as empresas assumiam como fato o reconhecimento prévio dos saldos eventualmente existentes dos planos de universalização anteriores. Não se sabe como será o tratamento dado pelo MCTIC a esta questão, já que possivelmente caberá ao ministério qualquer ajuste de redação daqui para frente. Mas o fato de estar sendo determinado à Anatel o estudo sobre os saldos indica que haverá ainda muita discussão a este respeito.
 
Os novos integrantes do conselho consultivo que assumem dia 30 são:
a) Deputado Sandro Alex Cruz de Oliveira, como um dos representantes da Câmara dos Deputados;
b) Oscar Vicente Simões de Oliveira, como um dos representantes das entidades de classe das prestadoras de serviços de telecomunicações;
 
c) Eduardo Levy Cardoso Moreira, como segundo representante das entidades de classe das
prestadoras de serviços de telecomunicações;
 
d) Leonardo Almeida Bortoletto, como um dos representantes das entidades representativas da sociedade;
e) Kleber de Miranda Barreto Gomes, como segundo representante das entidades representativas da sociedade; e
f) Rosely de Assis Fernandes, como representante das entidades representativas dos usuários.
 
Samuel Possebon, Teletime, 23 de outubro de 2017