Receba no seu e-mail

Voltar

Clipping

30/10/2013 às 09:32

Mercado de banda larga rural atrai multinacional

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

Com 90% dos domicílios rurais ainda sem acesso à web, o Brasil tem um potencial inexplorado para serviços de acesso de banda larga em cidades afastadas dos grandes centros, o que atraiu a Cambium Networks. Na mira da empresa americana estão os provedores de Internet de médio e pequeno porte que atendem municípios do interior onde a distância e a população dispersa elevamos custos da instalação de redes, desencorajando investimentos de grandes operadoras de telecomunicações.

Dados da pesquisa realizada em 2012 pelo Centro de Estudo das Tecnologias da Informação e da Comunicação(Cetic.br)apartir de uma base de 61,3milhões de domicílios, indicam que - entre os 10%deresidênciasruraiscomacessoàInternet no Brasil - 40% utilizam a conexão via rádio. A tecnologia disponibilizada pela Cambium (ePMP) é uma plataforma de banda larga fixa sem fio que também usa ondas de rádio para alcançarusuáriosnumraiode21quilômetros. A velocidade de acesso de até 200 megabits por segundo(Mbps) em cada estação-base é repartida entre os clientes do provedor. "No Brasil, ainda há espaço para os pequenos provedores de acesso prestarem serviço por rádio em áreas rurais", afirma Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco. "O atendimento do mercados e dá, naturalmente, em função do custo. Por isso, há muitas localidades isoladas com demanda a ser atendida."

O foco da Cambium está nos WISPs-wireless Internet service providers ou provedores de acesso sem fio à web. "Nossa expectativa é que 80% dos nossos clientes de produtos e PMP sejam de operadores locais que proveem serviços de voz, vídeo e dados por meio de tecnologia sem fio", explica a vice-presidente global de Marketing da Cambium, Michelle Pampin. A estratégia da companhia - surgida a partir da fusão de uma antiga divisão da americana Motorola coma inglesa Orthogon Systems-é atuar em cima da infraestrutura já existente, para capilarizar e ampliar o nível de confiabilidade dos serviços oferecidos pelos provedores locais.

"Nossos equipamentos usam a faixa de cinco gigahertz, que é uma das mais comuns em nível global para empresas que proveem serviços locais", diz Michelle. Segundo Eduardo Tude, da Teleco, o uso da faixa de frequência entre 5,725GHz a 5,850GHz está longe de ser novidade no Brasil. "É uma faixa que não necessita de autorização da Agência Nacional de Telecomunicações para ser utilizada", esclarece o especialista.

No leilão da faixa de 4G, realizado em2012, a Anatel estipulou como contrapartida para as operadoras que arremataram lotes a obrigatoriedade de garantir a oferta de Internet e telefonia em áreas rurais. Na avaliação de Tude, essa obrigatoriedade não vai suprir a demanda reprimida existente.

De acordo como levantamento do Cetic.br, entre os 24,3 milhões de brasileiros com mais de dez anos residentes em áreas rurais, apenas 4,3 milhões são usuários de Internet. Na conta são consideradas as pessoas que acessaram a rede mundial de computadores pelo menos uma vez nos últimos três meses. "Em média, o percentual de usuários de Internet no país era de 49% no ano passado", avalia Fábio Senne, coordenador de Pesquisas do Cetic.br. "Nas áreas urbanas esse percentual sobe para 54% e, naszonasrurais,caipara18%.A estimativa do centro de estudo é de que 864 mil domicílios, de um total de 8,5 milhões de residências localizadas em áreas rurais, dispunham de acesso à Internet no fim do ano passado.

A pesquisa lista ainda os principais motivos para a falta de acesso à Internet, apontados pelos entrevistados que possuem computador (desktop, notebook ou tablet). A razão mais citada entre os habitantes de regiões rurais é a falta de disponibilidade do serviço na área, apontada por 54% dos respondentes. O segundo motivo mais citado(31%) é o alto preço do serviço e a falta de recursos para pagar por ele.

Apesar do enorme mercado potencial existente no interior, as aplicações para a tecnologia ponto-a-multiponto(PMP) não se restringem a áreas rurais. Os dados podem, por exemplo, ser transmitidos por rádio até a entrada de um edifício comercial e de lá seguem por cabo até as salas e escritórios.