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Clipping

09/01/2017 às 17:16

Mudança no modelo do parque tecnológico é criticado pelo setor de TICs do Distrito Federal

Escrito por: Luiz Queiroz
Fonte: Convergência Digital

Após 16 anos de luta, empresas de tecnologia do Distrito Federal se colocam em oposição ao Governo dis Distrito Federal, por ter sancionado projeto de lei que alterou a concepção do sonhado parque tecnológico de tecnologia da informação e comunicações, para abrigar empresas de biotecnologia.
 
Segundo informações preliminares, os representantes do Sinfor - Sindicato da Indústria da Informação, entre eles, o presidente, Ricardo Caldas, além de empresários de TI do DF, não irão particiar da solenidade de sanção da nova lei. Pelo novo modelo, o parque tecnológico também irá abrigar empresas de biotecnologia.
 
A íntegra da Nota oficial é a seguinte:
 
NOTA DE DESAGRADO DO SINFOR
 
"O setor de Tecnologia da Informação e Telecomunicações (TIC) do Distrito Federal se sente desrespeitado diante do anúncio de sanção do Projeto de Lei Complementar nº 76/16, pelo Governador Rodrigo Rollemberg. O documento trata de alterações no projeto de criação do Parque Tecnológico de Brasília, que terão impacto negativo direto na composição do espaço, desvirtuando-o do modelo já utilizado, com sucesso, em todo o mundo.
 
Há 16 anos, o Sindicato da Indústria da Informação do DF (Sinfor/DF) decidiu sensibilizar a iniciativa privada e o poder público pela relevância de se construir um polo de tecnologia nos moldes internacionais, colocando Brasília no centro das negociações e incluindo os produtos e serviços nacionais no mercado mundial. Para tanto, foi lançado um projeto, com o devido cuidado, com a funcionalidade e aspectos técnicos necessários para o crescimento da indústria local e consequentes ganhos para a população da cidade.
 
Em todas as gestões de governos que passaram pelo Buriti ao longo desses anos foram realizadas adaptações para viabilizar a edificação do Parque. Entretanto, nenhum outro governador havia, até então, modificado a base do projeto e seus objetivos, o que se configura como uma atrocidade aos conceitos de “centro de tecnologia” e “desenvolvimento tecnológico”, voltados para a construção de um Parque Tecnológico para dinamizar o setor de TIC, que é, reconhecidamente, uma das vocações econômicas do DF.
 
No apagar das luzes, o governador Rodrigo Rollemberg conseguiu, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, a aprovação discreta e estratégica da alteração do nome do Parque Tecnológico Capital Digital para Biotic. Pior ainda: incluiu a "cadeia produtiva de Biotecnologia" como partícipe da ocupação do Parque Tecnológico. Nas inúmeras vezes que se reuniu com o Sinfor/DF, o GDF garantiu que esse segmento seria representado pela EmbrapaTEC, ou seja, sempre na trilha da Tecnologia da Informação.
 
Na justificativa do PLC 76/16, no entanto, o governo explica que a intenção é expandir o conceito, permitindo que o espaço seja ocupado por “comunidades, agricultores e indústrias, tais como: agropecuária, alimentos, farmacêuticas, perfumes e cosméticos”. A incorporação de novos elementos ao Parque foi aprovada dois dias antes da eleição da nova presidência da CLDF, no dia 13 de dezembro, junto a inúmeras outras propostas avaliadas às pressas. Não houve objetividade, não foram ouvidos os contrapontos, os entes interessados, os empresários de TIC.
 
O Sinfor/DF, que foi a entidade-referência, por uma década e meia quando o assunto era Parque Tecnológico, foi retirado das mesas de negociações. Foram ignorados o conhecimento técnico e a expertise acumulados pelos gestores ao longo de anos de pesquisas e estudos de casos de sucesso. O que ocorre é a mudança de uma lei considerada adequada aos padrões internacionais e que atendia às necessidades da indústria para uma nova realidade.
 
Esta nova realidade, do Governo Rollemberg, é confusa, genérica e fruto do desconhecimento e desinteresse desta gestão em atuar de maneira construtiva com o nosso setor, a ponto de causar o desinteresse não só dos empresários locais, como dos investidores acostumados aos modelos de Parques Tecnológicos ao redor do mundo. Rodrigo Rollemberg busca perpetuar em Brasília, o modelo falido das ADEs, sem vocação e com uma miscelânea setorial de empresas.
 
Por fim, nós, os empresários de TIC de Brasília, manifestamos nosso profundo descontentamento com a desconstrução de um projeto ambicioso e que por muitos anos significou uma importante meta para a indústria local. Pelo nosso compromisso firmado com a população brasiliense e com a construção de uma sociedade mais igualitária e cheia de oportunidades, reafirmamos nossa disposição para a construção do Parque Tecnológico Capital Digital de forma integrada e coesa.
 
Nossas empresas filiadas dispõem de recursos na ordem de R$ 500 milhões para investir no PTCD e em modelos de inovação tecnológica. Além de nossa responsabilidade na implementação do PTCD o modelo do Sinfor considera a inserção do DF no mercado nacional e internacional de tecnologia da informação, com parâmetros que consideram o presente e o futuro.
 
Estamos aptos para a gestão dos recursos financeiros e para a renovação da esperança dos brasileiros em um futuro melhor. Permaneceremos alinhados com a real vontade política em contribuir com o crescimento humano e econômico do Distrito Federal e do Brasil.
 
RICARDO CALDAS Presidente do Sindicato das Indústrias da Informação do Distrito Federal – SINFOR/DF