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Clipping

22/08/2014 às 06:33

Networking é essencial da área de TIC

Escrito por: Redação
Fonte: Valor Econômico - Online

Inovar é tão essencial para a tecnologia da informação e comunicação (TIC) que a colaboração acontece de forma natural, como uma simbiose. Pela própria cultura do segmento - moldado pelo ecossistema do Vale do Silício (EUA) - universidades, empresas, agências governamentais, profissionais e empreendedores estão sempre conectados, de olho no que o outro está fazendo para aprimorar um produto ou buscar parceiros para um projeto de inovação. "Os arranjos para colaboração são combinados até mesmo em encontros no elevador", observa Francisco Saboya, presidente do Porto Digital, um dos principais polos de TIC do país.

Segundo ele, vale a regra de que ninguém inova sozinho e, por isso, o capital de relacionamento tornou-se pilar importante dos negócios. "O segmento é muito dinâmico. Por isso, estabelecer a parceria certa é fundamental para o sucesso do projeto", destaca. Entre os exemplos, ele cita a Joy Street - especializada em tecnologias educacionais lúdicas - que foi criada dentro do Porto Digital, a partir da união de empresas instaladas no parque tecnológico. "Os empresários fundaram uma joint venture que hoje já é maior do que as empresas que a desenharam."

Pela dinâmica do setor, as empresas de TIC gostam de viver em bando e em arranjos produtivos para formar suas redes de relacionamento e de negócios. No Brasil, a construção de polos de inovação como o Porto Digital, o TecnoPuc (Porto Alegre), o Cietec (São Paulo) e o San Pedro Valley (Belo Horizonte), contribui para o cultivo dos ambientes ideais para a evolução técnica e financeira das empresas.

Também agrupa base de conhecimento que pode ser acessada por corporações, de diversos segmentos, que buscam nas TICs soluções para seus problemas. "São ecossistemas fortes e preparados para a inovação. Por isso, atraem interesse de grandes companhias, que enxergam nas empresas instaladas nos parques - a maioria de pequeno porte - uma oportunidade para inovar", comenta Sergio Risola, diretor-executivo do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec).

Segundo ele, essa é a base para ampliar o conceito de inovação aberta no país, uma vez que as empresas de grande porte passam a buscar nas de base tecnológica a capacidade de pesquisa e desenvolvimento. "A estratégia traz maior eficiência ao orçamento para inovação e elimina muitas etapas na criação de produtos e serviços", explica.

A inovação aberta permite maior integração entre as empresas do segmento de TIC e as aproxima de outros setores, criando multidisciplinaridade para o desenvolvimento de soluções. Essa composição é riquíssima para a criatividade e um combustível eficiente na elaboração de projetos capazes de trazer grandes impactos econômicos e sociais. De acordo com Alexandre Pfeifer, executivo de desenvolvimento de negócios do laboratório de pesquisa da IBM no Brasil, o grande volume de dados gerado no mundo atualmente é um dos vetores da inovação aberta. "Lidar com tanta informação é um desafio para qualquer setor."

Não é à toa que a IBM tem se definido como uma empresa de inovação. Além de engenheiros especializados em informática, a empresa mantém, em seus centros de pesquisa espalhados pelo mundo, sociólogos, geólogos, físicos, entre tantos outros profissionais.

Um dos principais projetos da companhia é o desenvolvimento da computação cognitiva - tecnologia capaz de agregar inteligência artificial aos computadores. Na prática, as máquinas serão capazes de "pensar" e "aconselhar" os seres humanos, facilitando os processos de tomada de decisões. "É praticamente impossível encontrar, filtrar e analisar todas as informações disponíveis hoje no mundo. Os computadores podem se tornar aliados dos seres humanos no tratamento dos dados", explica.

No Brasil, por exemplo, ele cita o desenvolvimento de tecnologias para exploração de óleo e gás na camada pré-sal. "É um exemplo de como a TI pode ajudar na criação de técnicas e no estudo das reservas. Afinal, as informações geológicas são complexas e o volume de dados incrivelmente grande."

As novas fronteiras tecnológicas, como o pré-sal, são indutoras da inovação aberta. Sem a colaboração de múltiplas áreas de estudo, não há como chegar nessas reservas. Desenvolver tecnologia de forma isolada é mais caro, mais demorado e menos eficiente. A saída está em formar consórcios.

Por Ediane Tiago | Para o Valor, de São Paulo