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Clipping

03/04/2017 às 20:56

O fator Rede Globo - epicentro do Golpe, por Alexandre Tambelli

Escrito por: Alexandre Tambelli
Fonte: GGN

Penso eu que se a Rede Globo comandar a derrubada do Temer pode não haver eleição direta por tempo indeterminado.
 
Tenho um posicionamento sobre os passos seguintes do Golpe. Coloco aqui.
 
Precisamos ter uma clareza, a Rede Globo (epicentro do Golpe) não puxou, ainda, o Fora Temer por dois motivos principais:
 
1) As reformas neoliberais desejadas não foram aprovadas por completo: Previdência, Trabalhista, Terceirização Irrestrita e a venda/entrega total a preço de banana da Petrobrás e dos campos do Pré-Sal e demais privatizações ainda precisam se completar;
 
2) No atual estágio da realidade brasileira a Rede Globo está sem um palanque para chamar de seu. Precisa montar um palanque antes de chamar o seu povo às ruas para legitimar a queda de Temer! e o Pós-Temer por ela desejado!
 
As reformas neoliberais a serem sancionadas por Temer não podem criar um palanque para ninguém, certo?
 
Hoje, um palanque não combina com Reforma da Previdência, fim da CLT, terceirização irrestrita, certo? MBL e Vem Pra Rua que o digam. A Globo, por isto adia a construção do seu palanque para o pós-reformas aprovadas. Palanque atual de Fora Temer! com todos os manifestantes calados sobre as reformas neoliberais? Não existe, não é verdade?
 
O que a Rede Globo e seus aliados centrais do Golpe: Mercado e Imperialismo Norte-Americano querem é conciliar em um mesmo tempo histórico a aprovação das reformas neoliberais com a mudança do Governo Federal.
 
Com a aprovação das reformas ela se fará de anti-Temer e segura convocará o seu povo às ruas para "derrubá-lo", ou seja, para dar ao Golpe via TSE, da cassação da chapa Dilma/Temer, legitimidade. Engatilhada é claro com a escolha, já acertada, do candidato que o Congresso Nacional colocará, através de um “Colégio Eleitoral”, no lugar de Temer. Será o palanque do Pós-Temer, jamais das Diretas Já!
 
O candidato/Presidente da Globo será o centro das atenções no Palanque Global montado nas ruas e nos seus telejornais e demais veículos de comunicação brasileiros ligados à velha mídia. Será fabricado um Collor emergencial: boa pinta, sujeito honesto, seguro, competente, que não perde a esportiva, com fala mansa e bem-treinada no convencimento do público Global.
 
Este Presidente ficará no Poder, já discursando que as reformas neoliberais não podem ser revistas, porque foram aprovadas pelo Legislativo e que a sociedade terá de fazer um esforço para adaptarmos a nova realidade existente (neoliberal radical, bem sabemos) às possibilidades de crescimento econômico, desenvolvimento social e de fortalecimento, com qualidade dos empregos, do mercado de trabalho.
 
Claro é que este novo Presidente, que andam dizendo será o Ministro Gilmar Mendes, será?, trabalhará dentro de um Projeto de manter-se no Poder para além de 31 de dezembro de 2018, alegando, em parceria com a Rede Globo & velha mídia, que se precisa de tempo para pôr a casa em ordem, que o Presidente eleito de forma indireta, lembremos, nascido do Golpe dentro do Golpe via TSE, merece ficar por 4 ou 5 anos no cargo em busca desse slogan: “preciso de tempo para arrumar a casa”.
 
Eleições em outubro de 2018 só se Lula e/ou outro candidato de oposição ao Golpe não tiverem chances de vencer, sendo mais radical, se forem banidos do pleito eleitoral. 2018, se existir, = Eleição de fachada!
 
Qualquer ameaça de continuidade do Golpe capitaneado pela família Marinho, que é a família que manda no Brasil, de adentrar ao Poder alguém que possa ameaçar seu Poder e os seus interesses econômicos e de seus dois parceiros de empreitada Golpista: o Mercado Financeiro e o Imperialismo Norte-Americano será resolvida na base da supressão de Eleição Direta para Presidente (a) do Brasil.
 
Para não acontecer o descrito acima a sociedade organizada precisa adentrar e comandar, em todas as camadas sociais: classe média e médio-alta tradicionais, classes C, D, E, o Fora Temer!
 
Se a Rede Globo conseguir montar um Palanque nas ruas e na velha mídia e organizar o seu Fora Temer! perderemos, quase certo, a batalha de eleições diretas para antes ou para outubro de 2018.
 
Estamos no tempo da escolha:
 
Ou voltamos à Democracia com a sociedade organizada no comando da redemocratização com o Fora Temer! e realização de eleições diretas;
 
Ou se realizará o Golpe dentro do Golpe, caso a Rede Globo e não a sociedade organizada for quem comande o Fora Temer! e o Pós-Temer.
 
Certamente, se tem no TSE o Processo de degola de Temer - (da chapa Dilma/Temer), alinhado com a realidade breve: a insustentável permanência de Temer na Presidência da República.
 
Entregou as reformas neoliberais e o Fora Temer! já não será mais tabu na Rede Globo & velha mídia, ponderando que o Fora Temer! e Eleição Direta não caminham juntos para os comandantes do Golpe.
 
Depois de sancionadas as reformas neoliberais virá o maçante convencimento da sociedade por parte da Rede Globo & Cia. de que o Congresso, porque está escrito na Constituição, é quem está apto para eleger o novo Presidente do Brasil, Presidente, que estará descolado da imagem de partícipe das reformas e do caos econômico e social existente.
 
Constituição que não valeu para depor uma Presidenta honesta, pois, não ficou comprovado por parte dela nenhum Crime de responsabilidade, motivo cabível para o Impeachment, como está escrito na Lei máxima do País.
 
Mas, como sabemos a Constituição vale ou não vem ao caso conforme a ocasião no mundo paralelo da Rede Globo & velha mídia + Legislativo e Judiciário aliados do Golpe.
 
O engraçado de toda esta História é que a Rede Globo & velha mídia fará de conta que não teve nenhuma participação na chegada ao Poder de Temer e no caos econômico e social advindo do Golpe contra Dilma Rousseff.
 
Algumas considerações a mais.
 
Temer será deposto, assim que ficar insustentável sua permanência, condicionada sua queda ao pós entrega das reformas neoliberais e alienação do patrimônio público possíveis, não significa que terá uma prisão decretada, que terá uma perseguição midiática, nada disto, apenas irá para o ostracismo das notícias, idêntico o Demóstenes Torres, o José Roberto Arruda e em breve como acontecerá com os tucanos graúdos: José Serra e Aécio Neves. Ajudou a velha mídia e nunca bandeou de lado, esquecido é, quando perde a serventia, mas, não existe a traição de leva-lo ao cadafalso.
 
Eduardo Cunha cumpre o papel de ameaça ao Temer para não titubear nas reformas que a Rede Globo, o Mercado e o Império querem, e, tem o outro papel de ser a desculpa para a imparcialidade da Lava-Jato e, álibi para prender e/ou impugnar a candidatura Lula. Foi condenado por 15 anos e não ouvi falar que o Moro mandou Cunha devolver um tostão do que amealhou em ilicitudes para os cofres públicos.
 
No momento certo, uma tornozeleira e soltam o Cunha. Ele está preso sabendo de antemão o papel que cumpre na prisão e sabendo que será solto no momento oportuno. Se o Golpe dentro do Golpe vingar logo e for conseguido o intento de adiar as eleições de 2018 conquista a liberdade em três tempos com a desculpa de que teve bom comportamento e que colaborou com a Justiça para elucidar casos de corrupção, é tudo muito óbvio.
 
Sérgio Cabral está preso para ver se associam, se ele delata Lula, igual Eike Batista. Esta é a função das prisões, não está ligada a enriquecimento ilícito. É para atingir à candidatura Lula. Serão soltos no momento oportuno.
 
Eu não acredito na candidatura Dória, se existir Eleição em 2018 e se a Rede Globo + velha mídia e aliados do Golpe no Judiciário, no Mercado e no Império não conseguirem barrar uma candidatura de esquerda e defensora dos interesses nacionais. Dória está perdendo a esportiva, anda muito de mau-humor e sem a mínima abertura ao contraditório e às críticas. Ele é um Serra com currículo de "não-Político". Vão criar um Collor mais aprimorado para concorrer em uma Eleição sem risco de um fiasco, penso eu.
 
O quadro Político atual me lembra muito 1984.
 
O povo nas ruas a pedir o fim da Ditadura, hoje, o fim do Governo Temer.
 
O povo nas ruas a pedir Diretas Já como hoje.
 
Porém, podemos assistir ao Golpe dentro do Golpe e um Colégio Eleitoral se incumbindo de eleger indiretamente o sucessor de Temer. Seria uma vitória de Pirro das ruas. O que se assemelha com 1984: se elege indiretamente um novo Presidente e este fica 4 ou 5 anos no Poder com a desculpa de que precisa de tempo para consertar as coisas. Neste interim a Rede Globo e aliados do Golpe fabricam um novo Caçador de Marajás para substituir o Presidente eleito indiretamente pelo Congresso e se adia as eleições diretas de 2018 para, provavelmente, 2021, se até lá for possível a garantia de um candidato da direita ou extrema-direita (candidatura do epicentro do Golpe) vencer.
 
Este é o quadro desejado, claro, que o caos econômico e social gerado pelo Golpe pode abreviar todas as articulações do epicentro Golpista. E, provocar uma convulsão social, a ponto de a Rede Globo não ter mais a hegemonia da narrativa e controle, a mão de ferro, do Judiciário, Executivo e Legislativo. E, terem de aceitar uma nova Eleição Direta.
 
Só a hegemonia do discurso e da ação da sociedade organizada pode debelar o Golpe dentro do Golpe e o fim das eleições diretas no Brasil, a Globo montou um Palanque, pode ser decretado o adiamento da Eleição Presidencial em 2018.
 
Ninguém dá Golpe para entregar o Poder logo em seguida. Em um País de tradição pacífica da população, que nem vendo a proposta de trabalhar até morrer sai da casinha o Golpe dentro do Golpe pode ser aceito, ter apoio e ser assimilado até que caia a ficha novamente e a população despenque com a popularidade do Presidente eleito pela via indireta.