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Clipping

15/12/2015 às 16:55

O legado de Cunha

Escrito por: Redação
Fonte: Instituto Telecom

Presidente da Telerj durante o governo Collor, Eduardo Cunha saiu pela porta dos fundos da empresa que ele ajudou a sucatear.
 
Um dos principais interlocutores dos setores que apoiam o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, o deputado Eduardo Cunha – ainda presidente da Câmara Federal apesar da sucessão de escândalos envolvendo seu nome e das manobras regimentais que atentam contra a Constituição e a democracia -, foi o homem que, nos anos 1990, reduziu os investimentos da Telerj e deu início ao processo de privatização da empresa de telecomunicações do Rio de Janeiro.
 
Sua administração ficou marcada ainda por um sem número de irregularidades.
 
Uma delas foi um escândalo de superfaturamento, quando foi descoberto que Cunha havia assinado um aditivo de US$ 92 milhões do contrato da Telerj com a fornecedora de equipamentos telefônicos NEC do Brasil (então controlada pelo empresário Roberto Marinho), em vez de abrir nova licitação.
 
O Tribunal de Contas da União constatou ainda irregularidades na contratação de servidores sem concurso, tratamento privilegiado a determinados fornecedores e falhas na licitação para a edição de catálogos telefônicos. Devido a sua péssima administração, saiu pela porta dos fundos. Para comemorar sua demissão, os trabalhadores, literalmente, lavaram com água sanitária e amoníaco a calçada do prédio sede da Telerj, na av. Presidente Vargas, 2560.
 
Anos depois, o Sistema Telebras foi privatizado e a Telerj, sucateada de forma proposital, foi apresentada como um dos símbolos da falência do modelo estatal.
 
Hoje, as três irmãs – Grupo Claro, Oi, Grupo Vivo/Telefônica – querem fazer a roda do tempo ser movida para trás, a exemplo dos setores golpistas que chegaram ao cúmulo de organizar uma manifestação pelo impeachment no mesmo 13 de dezembro, aniversário do famigerado Ato Institucional nº 5, o AI-5, da ditadura militar.
 
As três irmãs apostam no esvaziamento dos contratos de concessão, com a retirada do capítulo que obriga as operadoras a levarem backhaul a todos os municípios brasileiros em fibra ótica. No mesmo sentido, querem acabar com a diferença entre regime público e regime privado, de forma a impedir que a banda larga, como serviço essencial, seja também prestada em regime público. Usam como mote o falso discurso de que o regime público inibe os investimentos. A farsa é também o instrumento preferido para tentar enganar a sociedade.
 
Como já disse anos atrás um autor chamado Karl Marx, a história só se repete enquanto farsa. A tentativa dos farsantes que querem o impeachment e o falso discurso das operadoras serão desmascarados antes que os setores mais retrógrados da nossa sociedade consigam impor suas vontades à maioria da população.