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Clipping

10/11/2015 às 15:19

Participação de jovens é destaque no Fórum de Governança da Internet

Escrito por: Diogo Almeida
Fonte: G1

Programa selecionou 73 jovens de 14 países da América Latina e Caribe. Evento é realizado pela ONU e acontece em João Pessoa

A participação ativa dos jovens nas discussões globais sobre o futuro da internet é um dos destaques da 10ª edição do Fórum de Governança da Internet (IGF 2015), evento da Organização das Nações Unidas (ONU) realizado no Centro de Convenções de João Pessoa. Um total de 73 jovens de 14 países da América Latina e do Caribe foram selecionados em um programa e estão em João Pessoa participando das atividades do fórum.
De acordo com Thiago Tavares, conselheiro titular do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e coordenador do programa Youth@IGF, o programa foi criado em janeiro deste ano, através de uma parceria do comitê com a Internet Society (ISOC). “O objetivo do programa é capacitar a nova geração de líderes e estimular o surgimento de novas lideranças que possam estar à frente das discussões globais sobre a internet. Queremos fazer com que os jovens ajudem a construir a internet do futuro”, explicou.
 
A seleção inicial do Youth@IGF foi feita em agosto deste ano e de 126 inscritos, 73 passaram pelas três fases do programa e ganharam uma bolsa integral para participar do IGF. De acordo com Tavares, a maioria dos selecionados são estudantes universitários ou de programas de pós-graduação. “O único pré-requisito é a idade, já que para serem selecionados eles precisavam ter entre 18 e 25 anos. Hoje temos aqui reunidos em João Pessoa brasileiros de várias regiões, mas também mexicanos, jovens da Guatemala, Equador, Argentina, Chile, Barbados, de vários outros países”, concluiu.
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A advogada paulista Monica Ribeiro, de 24 anos, é uma das selecionadas que estão participando do IGF. Na graduação, ela estudou governança da internet e direitos humanos, e explica que o debate é muito importante para a formação acadêmica. “Vejo esse evento como um aprendizado. Aqui estamos tendo a oportunidade de encontrar, conhecer e conversar com as pessoas que a gente estudou. É muito legal poder debater com a própria fonte dos textos que estudamos”, comenta.
 
Monica também fala sobre a importância da participação ativa dos jovens neste debate. “As pessoas que estudavam o assunto há mais tempo estão apresentando suas contribuições aqui e nossa meta é pegar esses debates e ir melhorando cada vez mais. Na minha área, em particular, os debates sobre direitos humanos na internet, sobre a garantia dos direitos à privacidade, são fundamentais. Através deste fórum nós podemos fortalecer a legislação sobre a internet, que ainda é muito recente, e assim garantir um futuro melhor para as pessoas, com seus direitos garantidos fora e dentro da rede”, opinou a advogada.
 
A mexicana Angelica Contreras, de 25 anos, é formada em licenciatura em comunicação e informação pela Universidade Autônoma de Aguascalientes (UAA), no México. Ela também foi selecionada pelo programa e ressalta a vontade que os jovens têm de participar das discussões. “A inquietude natural que os jovens têm faz com que a contribuição que temos para dar aos debates seja essencial. Ao levantarmos questões, opiniões e situações que vivemos na rede, mostramos que temos potencial para encontrar soluções para problemas e pensar numa internet melhor para o futuro”, diz.
 
A comunicóloga também explica que é necessário que cada vez mais os jovens tenham voz ativa nas discussões sobre a internet, sobretudo na América Latina. “Aqui é muito diferente da Europa e da Ásia, por exemplo, onde os jovens são incentivados pelos próprios governos a participar desdes debates. Por isso que é importante um fórum como esse acontecer aqui, pois estamos em casa e temos a oportunidade de participar mais ativamente, de ter voz, de mostrar o que sentimos e mostrar nossas necessidades", avalia.
Angelica também destaca que a internet não é apenas códigos, cabos, dados. "A internet é uma rede de pessoas e as necessidades destas pessoas são importantes e precisam ser debatidas. É inadmissível que em 2015 tenhamos pessoas pobres sem acesso à internet, sem saber o que é um smartphone, um tablet. Com esse debate, queremos mudar essa situação”, completou Angelica.
 
Fórum IGF
O Fórum foi criado pela Organização das Nações Unidas no ano de 2006, pelo então secretário-geral, Kofi Annan, e é realizado anualmente em vários países. Esta é a primeira vez que a região Nordeste recebe o evento. A primeira vez que o Brasil sediou o IGF foi em 2007, na cidade do Rio de Janeiro e o último evento aconteceu na Turquia.
 
A edição 2015 do IGF tem como tema “Evolução da Governança da Internet: empoderando o desenvolvimento sustentável”. Até a sexta-feira (13), o IGF vai realizar várias atividades com oito temáticas: Cibersegurança e confiança; Economia da Internet; Inclusão e diversidade; Abertura de acesso; Reforçando a cooperação multissetorial; Internet e os Direitos Humanos; Recursos críticos da Internet e Questões emergentes.