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Clipping

30/01/2014 às 14:22

Profissionais falam sobre a evolução e os desafios do jornalismo de games no Brasil

Escrito por: Redação
Fonte: Portal Imprensa

Muita coisa mudou desde o Atari 2600, símbolo cultural dos anos 80. Hoje, o mercado de videogames no Brasil aparece em 2º lugar, atrás apenas da França. Segundo a consultoria GFK, somente na área de jogos, as vendas cresceram 25% entre 2012 e 2013. 

Assim como o mercado, o jornalismo que cobre esse tema também passou por mudanças. Nesta quinta-feira (30/1), durante a sétima edição da Campus Party, profissionais irão debater sobre o tema: "20 anos de jornalismo de games. Quais são os desafios dos profissionais de hoje?"

De acordo com Théo Azevedo, editor do UOL Jogos, o avanço tecnológico transformou os games em produtos extremamente elaborados e complexos levando-os às massas. "Hoje a informação é abundante e há nichos e mais nichos, desde sites de cobertura abrangente, como é o UOL Jogos, até canais no Youtube especializados em Minecraft. Eles viraram parte do cotidiano das pessoas - que, às vezes, nem se dão conta disso - e cabe à imprensa identificar atender o anseio desse público por informação".

Embora tenha melhorado muito nos últimos anos, Azevedo destaca que a indústria de games no Brasil ainda está longe da maturidade - e o próprio governo ainda não entendeu o potencial gerador de empregos e renda desse setor. "No Brasil, esse jornalismo sofre com poucas vagas, baixos salários e falta de perspectiva de carreira. Ou seja, quem trabalha na área é um apaixonado pelo tema. Um quadro muito diferente quando comparado ao de outros países como Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha", completa.

De acordo com Pedro Zambarda, colunista do TechTudo/Globo.com, o setor privado também é muito culpado por este processo. A produtora carioca Critical Studio lançou o jogo "DungeonLand", que conseguiu ficar no Top 10 do ranking da loja virtual Steam, reconhecida internacionalmente. Porém, depois de lançado, a empresa deixou de ter os investidores necessários para manter o funcionamento e fechou as portas. 

"A visão de muitos empreendedores de que 'uma startup de games é feita por moleques que gostam de design e programação' estraga a nossa indústria nacional. O setor privado não investe em jogos, que é um mercado em expansão, mas coloca o dinheiro em áreas de alto risco, como determinados setores do mercado financeiro e da especulação. A nossa cobertura não consegue ter a mesma qualidade do que a imprensa americana ou japonesa, que é sede dessas corporações", opina Zambarda.

Para João Coscelli, blogueiro do Modo Arcade/Estadão, o site Game Spot, da CBS, é uma grande referência desse jornalismo hoje. "Em outros países esse segmento é levado muito a sério. Os sites têm equipes grandes e uma estrutura invejável. O Game Spot, por exemplo, faz coberturas ao vivo, envia representantes para a maioria dos eventos, faz vídeos, tem quadros e uma programação completa".

Interação com leitores

Assim como no esporte, nos games existe muito "clubismo". "Em vez de Fla x Flu, Corinthians x Palmeiras, é Sony x Microsoft x Nintendo, Call of Duty x Battlefield ou Fifa x PES. É complicado. às vezes. quando o leitor vê algo que não o agrada. Se você faz um review de um jogo e dá uma nota baixa, pode ter certeza que vai ter gente dizendo que você não entende nada, que x é melhor que y e por aí vai", completa Coscelli.

De acordo com Zambarda, ainda há muitos comentários de baixa qualidade em portais de notícia. Na TechTudo/ Globo.com, onde é colunista, aparece de tudo: leitores que acham que games são coisa do satã, outros que xingam o Brasil e um grupo pequeno que entende o esforço do profissional. 

"Meu desafio pessoal é tentar responder essas pessoas. Na internet, por conta do grande fluxo de opiniões, eu sinto que os jornalistas não se defendem muito dos leitores. É preciso incentivar bons debates com eles, especialmente em um país com déficit educacional como o nosso. A imprensa, para muitos, é uma forma de se educar. Se a imprensa não se comunica diretamente com o leitor, como fica a mensagem transmitida?", finaliza Zambarda.