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Clipping

18/10/2017 às 18:34

Publicidade com notícias falsas é divulgada em site de verificação de fatos

Escrito por: Redação
Fonte: Portal Imprensa

O “The New York Times” divulgou uma matéria nesta terça-feira (17), em que apontou fragilidades no sistema de comercialização de anúncios do Google. Segundo o jornal, espaços publicitários com notícias falsas foram publicadas nos sites “Snopes” e “PolitiFact”, ambas plataformas de verificação de fatos.   
 
Com manchetes como “Melania Trump está saindo da Casa Branca”, falsos editores usaram o sistema AdWords para colocar os anúncios nos sites. De acordo com o NYT, o fato de os sistemas do Google terem colocado anúncios de notícias falsas em sites de verificação, reflete como o gigante de buscas continua a ser usado para espalhar informações erradas. 
 
A questão tem sido amplamente debatida, envolvendo também em outras plataformas, como Twitter e Facebook, sobre de que forma seus sistemas automáticos de publicidade podem ter sido aproveitados pelos russos para espalhar mensagens divisórias, falsas e inflamatórias na eleição para a presidência dos Estados Unidos.
 
“Os anúncios no “Snopes” e no “PolitiFact” mostram quão amplo é o problema da falsas informações no ambiente digital”, disse David Letzler, pesquisador da Impact Radius, uma empresa de inteligência de marketing digital. "Mesmo os sites cuja missão é promover a responsabilização podem inadvertidamente acabar se tornando usado por essas pessoas", disse ao jornal.
 
O Google se recusou a explicar as especificidades da situação. As contas que publicaram em “Snopes” e “PolitiFact” foram encerradas na plataforma de anúncios do Google depois que o NYT perguntou sobre eles. "Como sempre, quando encontramos práticas de publicidade enganosas em nossas plataformas, nos movemos rapidamente para agir, inclusive suspendendo a conta do anunciante, se apropriado", disse Chi Hea Cho, porta-voz do Google, em comunicado. "Além disso, damos controles aos editores para que eles possam bloquear tipos específicos de anúncios e anunciantes".
 
Assim que o jornal alertou sobre os falsos anúncios, as plataformas de verificação disseram que não podiam fazer muito a respeito. O AdSense do Google, que é usado por publicadores da web para vender anúncios de exibição em seus sites, funciona por meio de ferramentas automatizadas. 
 
Muitas vezes, os anunciantes não têm certeza de onde seus anúncios estão sendo exibidos - às vezes ao lado de conteúdo inadequado ou ofensivo - e os proprietários do site não sabem quais anúncios serão exibidos em suas páginas. 
 
Vinny Green, vice-presidente da “Snopes”, disse que tentou filtrar propagandas enganosas dos mais de 150 milhões de anúncios exibidos em seu site no mês passado, mas sem sucesso. "Temos pouca supervisão direta ou controle sobre o que está sendo feito para filtrar anúncios falsos de notícias que estão em nosso site", disse.
 
Green acrescentou que o ecossistema de anúncios online era cúmplice na disseminação e aproveitamento da informação errada e que "esses problemas de qualidade de anúncios são sistêmicos". Aaron Sharockman, diretor executivo da PolitiFact, disse que estava trabalhando com o Google para remover os "anúncios de texto questionáveis" de seu site. "A receita que esses anúncios fornecem é fundamental para financiar um site como o nosso, mas é igualmente importante que façamos tudo o que pudermos para garantir que as propagandas que aparecem em nosso site não sejam enganosas ou intencionalmente enganosas", afirmou.
 
O Google, que vende mais publicidade online que qualquer outra empresa de tecnologia, tem lutado para evitar que sites fraudulentos ganhem dinheiro com a propagação de histórias falsas. No início deste ano, promoveu esforços para reprimir os sites de desinformação ao expulsar 340 sites e 200 editores da plataforma AdSense. A maioria desses editores criou sites para vender histórias políticas atraentes, mas falsas, e carregou as páginas para obter uma redução das receitas publicitárias do Google.
 
Já os sites que publicaram em “Snopes” e “PolitiFact” tiveram uma abordagem diferente. Essas editoras pagaram ao Google para promover seu conteúdo em sites legítimos para atrair tráfego para um anúncio que pretendia ser uma notícia, muitas vezes, carregando o banner de uma publicação de notícias.
 
O Google chamou o processo de "tabloid cloaking" e disse que esses tipos de golpistas usam tópicos e anúncios atualizados para parecer novas manchetes do site. A plataforma disse ainda, que suspendeu mais de 1.300 contas de anunciantes em 2016 para evitar esse tipo de situação. Este mês, o Google disse ter introduzido controles adicionais para ajudar os editores a filtrar anúncios sensacionalistas ou de tabloides.
 
O anúncio que trazia a história falsa sobre a decisão de Melania Trump de deixar Washington e a Casa Branca apareceu no topo da “PolitiFact” na última sexta-feira. O anúncio redirecionava o leitor a um falso artigo de novidades da “Vogue” alegando que a história também foi exibida no “Yahoo”, “Vanity Fair”, “Time”, entre outras publicações.
 
Tanto o “PolitiFact” quanto o “Snopes”, fizeram parceria com o Facebook em dezembro passado. David Carroll, professor associado da Parsons School of Design, que pesquisou tecnologia de publicidade e notícias falsas, disse que o Google e o Facebook não sabem o suficiente sobre seus clientes - os anunciantes - tornando muito fácil o jogo com o sistema sem graves repercussões. "Todo o ecossistema foi infiltrado e não há fricção suficiente para evitar que os maus atores estejam no sistema", concluiu.