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Clipping

11/09/2015 às 16:24

'Que Horas Ela Volta' é um pedaço do Brasil que quer mais

Escrito por: Redação
Fonte: Rede Brasil Atual

Com bela atuação de Regina Casé, drama vai da afetividade na relação patrão-empregada ao conflituoso ambiente de inclusão social dos últimos anos, visto do interior de uma família de classe média alta

Lançado no dia 27 de agosto nos cinemas, o longa-metragem Que Horas Ela Volta?, dirigido por Anna Muylaert, será o representante brasileiro no Oscar 2016, anunciou nesta quinta-feira (10) Lula Oliveira, coordenador-geral de Articulação, Formulação e Difusão da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC). O filme concorre a uma vaga na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira.
 
Escolhido pela Comissão Especial de Seleção do MinC, Que Horas Ela Volta? disputou com os longas A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante; Alguém Qualquer, de Tristan Aronovich; Campo de Jogo, de Eryc Rocha; Casa Grande, de Fellipe Barbosa; Entrando Numa Roubada, de André Moraes; Estranhos, de Paulo Alcântara; e Estrada 47, de Vicente Ferraz.
 
Caso seja uma das nove produções estrangeiras escolhidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (entidade americana que organiza a premiação), o filme de Muylaert pode vir a ser um dos cinco finalistas que disputarão o prêmio cujo vencedor será anunciado na tradicional festa em Hollywood, nos Estados Unidos, em fevereiro do próximo ano.
 
Que Horas Ela Volta? já ganhou prêmios nos festivais de Sundance, nos Estados Unidos, e de Berlim, na Alemanha, e teve os direitos de distribuição vendidos para mais de 20 países. Além de Regina Casé primorosa no papel principal, o elenco traz Michel Joelsas (de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias), Camila Márdila, Karine Teles e o escritor, autor de histórias em quadrinhos, dramaturgo e ator Lourenço Mutarelli.
 
A trama conta a história de Val (Regina Casé), que deixa a filha Jéssica (Camila Márdila) no interior de Pernambuco para trabalhar em São Paulo e garantir à menina melhores condições de vida. Por isso virou babá de Fabinho (Michel Joelsas) e passou a morar integralmente com a família abastada no bairro paulistano do Morumbi.
 
O problema começa quando o adolescente vai prestar o vestibular mais concorrido do país, a Fuvest. E Jéssica também. Quando a menina pobre que cresceu no Nordeste informa que pretende disputar uma vaga da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, pedindo ajuda para ir à São Paulo, a patroa de Val comenta, irônica: "Esta país está mudando mesmo, hein".
 
Inicialmente, os patrões de Val acolhem a filha da empregada, mas as coisas começam a mudar de figura quando a Jéssica passa a questionar a hierarquia ali estabelecida. Val “é de casa”. Mesmo estando longe da sua, sabe quem pode entrar na sala, que mesa deve usar para comer, que piscina na casa dos outros é proibido e que não pode tomar o sorvete preferido dos donos da casa. Mesmo assim, os patrões insistem em dizer que ela é praticamente da família.
 
Jéssica, por sua vez, reivindica papel de hóspede, e não de serviçal. E expõe uma das faces da juventude incluída socialmente nos últimos anos, que não aceita como paradigma o Brasil pior de outrora. O Brasil melhor de hoje ainda é pouco para ela.
 
Entre os filmes cotados para disputar uma vaga na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira estão o francês Dheepan, de Jacques Audiard; o mexicano Güeros, de Alonso Ruiz Palacios; o húngaro Son of Saul, de László Nemes; e o turco Mustang, de Deniz Gamze Ergüven.