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Clipping

13/04/2010 às 00:41

Sky e Neotec fazem demonstração de WiMAX em Brasília

Escrito por: Mariana Mazza
Fonte: Teletime

Em mais uma tentativa de sensibilizar a Anatel a assegurar uma fatia de espectro mais generosa às empresas de MMDS, a Sky e a Neotec fizeram nesta segunda-feira, 12, uma demonstração em Brasília do funcionamento da tecnologia WiMAX para o provimento de Internet sem fio. O WiMAX é a tecnologia preferida das operadoras de MMDS que pretendem entrar no segmento de banda larga, por funcionar na faixa de 2,5 GHz (onde estas operadoras estão alocadas) e preços competitivos de equipamentos em relação a outras tecnologias.

A apresentação feita nesta segunda é mais movimento das operadoras de TV por assinatura na disputa iniciada pela proposta da Anatel de alterar a destinação da faixa de 2,5 GHz. A proposta da agência reguladora colocada em consulta pública no ano passado destina 140 MHz para a telefonia móvel, deixando o MMDS com apenas 50 MHz na faixa. Atualmente, os 190 MHz dessa fatia de espetro podem ser usados pelas empresas de MMDS.

Para o teste, a Sky usou equipamentos Samsung com tecnologia WiMAX em três estações rádio-base (ERBs) posicionadas em um shopping no centro do Plano Piloto e nas regiões administrativas de Taguatinga e Águas Claras. Segundo o gerente da Samsumg, Ricardo Afonso Araújo, a média de velocidade obtida nos testes foi de 10 Mbps, bastante superior à mediana obtida com a tecnologia 3G usada hoje pelas teles móveis, por volta de 800 kbps.

A equipe da Sky, Neotec e Samsumg fizeram uma simulação de como a tecnologia funciona de forma fixa ou com mobilidade para um grupo de jornalistas, políticos e assessores parlamentares. No teste móvel foi percorrido o centro de Brasília e a conexão mostrou-se estável durante todo o percurso. A simulação bem sucedida tem um claro componente político. Isso porque a regulamentação da Anatel hoje impede que as operadoras usem o WiMAX com mobilidade, restringindo o raio de conexão de Internet aos limites da residência. Essa barreira é chamada pela agência de "mobilidade restrita".

O diretor de TI e novos negócios da Sky, Roger Haick, fez questão de frisar que a empresa estava ciente da restrição antes de conduzir o teste com a imprensa. Alegou, porém, que por se tratar de um teste, a empresa achou por bem mostrar todas as possibilidades da tecnologia. Caso a Sky adote a tecnologia para a oferta de banda larga, Haick garante que a regulamentação da Anatel será cumprida nesse aspecto, bastando uma simples mudança técnica para restringir o raio de conectividade.

Certificação

O ponto que ainda incomoda bastante as empresas interessadas em investir na oferta de banda larga via WIMAX é a recusa da Anatel em certificar os equipamentos que usam essa tecnologia na faixa de 2,5 GHz. Para Haick é incompreensível as empresas estarem dispostas a investir, a tecnologia estar disponível no mercado e, ainda assim, o órgão regulador restringir a entrada desses novos competidores negando-se a certificar os equipamentos. "Aqui a gente inverteu as coisas. A tecnologia está pronta, o investidor está pronto e a regulação é o empecilho", afirmou, lembrando que é papel da agência estimular a competição, e não fazer o oposto.

O presidente da Neotec, Carlos André Albuquerque, voltou a criticar a instabilidade regulatória provocada pelas constantes revisões da regulamentação da Anatel. "Não dá para concorrer em um setor de capital intensivo sendo regulado a cada dois anos", protestou. Albuquerque contou que as empresas de MMDS devem se encontrar com os conselheiros da Anatel na próxima semana e esperam tentar avançar em um acordo sobre a divisão da faixa de 2,5 GHz e a certificação dos equipamentos.

A equipe da Sky mostrou disposição em oferecer de forma comercial o WiMAX, mas não escondeu a preocupação com o cronograma para que isso seja viável. Segundo Haick, a demora da Anatel pode minar os planos da empresa de fazer uma oferta combinada de serviços de TV por assinatura e Internet com WiMAX. "A gente escolheu o WiMAX hoje porque ela está pronta. Mas a cada dia que passa essa vantagem frente às outras tecnologias vai se perdendo", alertou o executivo.