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Clipping

10/01/2014 às 13:31

Tablets para três públicos distintos

Escrito por: Redação
Fonte: ABINEE

Em seus primeiros anos no mercado brasileiro, os tablets se consolidaram como um dos principais produtos nas listas de desejos dos consumidores, mesmo diante do desconhecimento de uma parcela significativa dos usuários sobre as funcionalidades e recursos desses dispositivos. Dentro de um processo natural de qualquer segmento que caminha para o amadurecimento, a expectativa para 2014 é de que as vendas da categoria - que tiveram saltos de três dígitos nos últimos anos - registrem um índice menos expressivo de crescimento, na casa de 36%, segundo a consultoria IDC. Para continuar a ganhar participação no setor, os fabricantes estão refinando suas estratégias e, sob esse cenário, uma vertente se destaca: a aposta em modelos específicos para determinados perfis de usuários. O leque inclui desde o publico infantil até as empresas e o governo.

"Há dois anos, nós vendíamos um tablet para cada trinta smartphones. Hoje, essa relação é de um tablet para cada cinco smartphones. As duas categorias já tem um perfil de produto muito similar no país. O consumidor realmente abraçou o tablet como seu segundo dispositivo", diz Roberto Soboll, diretor de produtos móveis da Samsung no Brasil. "Diante desse amadurecimento da demanda, é natural que o mercado passe a explorar novas oportunidades e segmentos", observa.

Como parte dessa abordagem, a Samsung lançou em novembro seu primeiro modelo destinado ao público infantil. Com conteúdos relacionados à educação e recursos para que os pais controlem os aplicativos que são acessados, o dispositivo também pode ser usado no modo padrão, por adultos. "Os tablets para o público infantil tiveram grande aceitação. Esse tipo de produto estava em todas as listas de presentes do Natal e, em contrapartida, não havia muita opção de marcas de renome trabalhando nesse perfil. Tanto que muitos fabricantes de brinquedos aproveitaram essa oportunidade", diz Pedro Hagge, analista de mercado da IDC.

A Positivo Informática é mais uma fabricante que está investindo nesse segmento, por meio da linha Positivo Ypy Kids. Entre outras ferramentas, o modelo traz jogos, histórias, vídeos e aplicativos educacionais, juntamente com recursos que protegem o dispositivo de quedas e danos aos componentes. "Estamos trabalhando para desenvolver dispositivos para diferentes segmentos de mercado e com uma faixa ampla de preços, dos equipamentos de entrada a aparelhos para usuários com necessidades de uso mais avançadas", diz Roger Finger, gerente de tablets da Positivo.

Segundo o executivo, a Positivo registrou um crescimento de 960,6% no volume de vendas de tablets da marca de janeiro a setembro de 2013, na comparação com o mesmo período de 2012, saltando de 35,2 mil unidades para 373,8 mil unidades. "Os tablets já representam 16,5% do nosso mix de produtos, que inclui ainda notebooks e desktops".

Achinesa Lenovo -quepor enquanto oferece tablets no país por meio da marca brasileira CCE, adquirida em 2012 - também registrou índices expressivos no ano passado. No período, a companhia alcançou um volume de pouco mais de um milhão de unidades. "Se tivéssemos colocado mais 200 mil dispositivos no mercado no último trimestre, teríamos vendido. O que nos segurou foram alguns problemas de fornecimento de componentes", afirma Richard Gurney, diretor-operacional da Lenovo no Brasil. "Nossa expectativa para esse ano é superar a marca de 1,6 milhão de unidades".

Além do varejo, a oferta de dispositivos para o governo - por meio de licitações relacionadas ao setor de educação - foi um dos aspectos que ajudaram a Lenovo a alcançar esse volume. "Os tablets substituíram os netbooks nos projetos públicos de educação. Esse é um segmento que surge como grande oportunidade para os fabricantes. Em 2013, os projetos do governo consumiram cerca de 500 mil unidades no mercado brasileiro", destaca Hagge, da IDC.

Dentro desse universo de equipamentos mais sofisticados, o mercado empresarial será um dos segmentos explorados pela companhia. "Começamos a receber muitas solicitações do segmento corporativo, o que inclui o desenvolvimento de aplicações específicas. Temos uma expectativa bastante positiva em atacar esse mercado", diz Gurney.

"As empresas estão começando a perceber que o tablet é um produto pelo qual é possível gerar e não apenas consumir conteúdo. Cada vez mais esse dispositivo está sendo usado como ferramenta de produtividade, como por exemplo, pelas forças de vendas", diz Soboll, da Samsung.

A fabricante sul-coreana também está apostando na oferta para o segmento corporativo. Nessa direção, a Samsung acaba de lançar o Galaxy Note 10.1 edição 2014, com recursos mais avançados de desempenho, produtividade, visualização de conteúdos, segurança e proteção. O modelo está disponível em duas versões no mercado brasileiro, 3G e 4G, memórias de 24 GB e 32 GB, e preços sugeridos de R$ 2.099 e R$ 2.299, respectivamente.

O potencial de crescimento do mercado brasileiro de tablets também está atraindo a entrada de novos competidores. Um dos exemplos recentes é a Dazz, marca do Grupo Rio Branco, responsável também por marcas como a Maxprint. Os primeiros produtos da empresa chegaram ao mercado no fim do ano. "Preferimos esperar o mercado amadurecer para identificar quais seriam as demandas e públicos efetivos do produto", diz Valéria Montenegro, coordenadora de produtos da Dazz.

Inicialmente, o foco da empresa está em modelos que custam entre R$ 300 e R$ 500, e que apostam em recursos mais sofisticados do que geralmente se encontra nessa faixa. Um produto específico para o público infantil é uma das apostas. "Nossas vendas no Natal superaram as expectativas e a meta é triplicar esse volume em 2014", afirma Valéria.