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Clipping

25/05/2015 às 14:07

Tecnologia brasileira, chip fotônico possibilitará internet mais rápida

Escrito por: Redação
Fonte: Ministério das Comunicações

Investimento do Funttel possibilitou inovação, que deve ser exportada para vários países

O barulho dos modens evoca o acesso à internet no Brasil num tempo não muito distante: lento, instável e de preferência feito somente depois da meia-noite, quando os custos das tarifas telefônicas diminuíam e possibilitavam a navegação na rede sem preocupações com a conta no final do mês.
 
Comum nos anos 1990, essa cena hoje é cada vez mais rara devido aos avanços da banda larga: presente em 97% dos lares brasileiros com acesso à rede, a internet de alta velocidade está prestes a dar mais um grande salto.
 
Uma tecnologia brasileira que permitirá acelerar a conexão à internet está chamando a atenção da indústria e de pesquisadores internacionais. Aplicado nas redes de fibra óptica, o componente - uma espécie de chip - tem um tamanho muito menor do que os existentes atualmente e utiliza tecnologia fotônica, que recorre a elementos de luz para transmitir informações.
 
"Tudo isso só está acontecendo porque, nos últimos anos, muitos pesquisadores se especializaram na área. Eu mesmo fiz mestrado e doutorado trabalhando em projetos financiados pelo Funttel", conta Oliveira.
 
A nova tecnologia também atende ao anseio das operadoras, que procuram equipamentos cada vez menores, que gastem menos energia elétrica e que possam ser instalados dentro das plataformas já existentes nas centrais de telecomunicações. A tecnologia produzida pela BR Photonics ocupa uma área cinco vezes menor que a utilizada atualmente, possibilitando aumentar a densidade de dados com a inclusão de um número maior de componentes na mesma plataforma.
 
Demanda interna
 
O pesquisador revela que a necessidade de produzir os componentes fotônicos surgiu a partir de uma demanda interna. "Nós atuávamos no projeto 100 GETH, que tem o objetivo de construir sistemas ópticos cada vez mais potentes. Nós evoluímos muito nesse estudo. Chegamos a um ponto que nós atingimos o limite. Para avançar mais, precisávamos de componentes mais potentes de que os que estavam disponíveis", explica.
 
O Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD) passou, então, a formar pessoal e desenvolver projetos com o foco específico nesses itens. "Nesse exemplo, podemos ver todos os objetivos do Funttel sendo cumpridos", afirma José Gontijo, diretor do Departamento de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações.
 
Dentre os objetivos, elenca Gontijo, estão o "incentivo ao processo de inovação tecnológica, a capacitação de recursos humanos, o fomento à geração de empregos e o estímulo à competitividade da indústria nacional de telecomunicações".
 
Entre 2001 e 2012, os investimentos feitos pelo Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) deram retorno de 500%: cada R$ 1 alocado em projetos que tiveram resultados financeiros gerou R$ 5 de faturamento para o mercado nacional do setor - sem levar em conta os ganhos indiretos, como o capital intelectual gerado.
 
Atualmente, a BR Photonics conta com 22 funcionários, sendo 18 pesquisadores e quatro na área administrativa. A previsão é de que, em 2019, esse número suba para 57, sendo 45 pesquisadores e 12 funcionários na parte gerencial.
 
Mercado Global
 
A empresa BR Photonics foi criada em março de 2014 por meio de uma parceria entre o CPqD e a companhia norte-americana GigOptix. Após fecharem a parceria, conta Oliveira, a GigOptix trouxe 30 toneladas de materiais para Campinas, onde ficam o CPqD e a sede da BR Photonics, para a construção da fábrica de moduladores. Também foi preciso construir duas salas limpas - que são ambientes completamente controlados para evitar a contaminação por partículas presentes no ar.
 
"Nós temos participado de eventos e feito muitos contatos, há vários interessados no nosso trabalho, mas ainda não estamos comercializando. Estamos na fase final dos testes. Nossa ideia é vender pequenas quantidades no próximo ano e depois ir aumentando", diz.
 
A expectativa é alcançar o mercado global. Segundo o pesquisador, empresas da Alemanha e de Israel têm sido os principais interessados na novidade brasileira. A previsão é que o faturamento da empresa chegue a cerca de R$ 145 milhões em 2019, com um lucro de aproximadamente R$ 31 milhões.
 
"Estamos falando de um produto com baixo custo, então precisaremos realizar um grande volume de vendas para que o negócio seja viável, daí a importância de contarmos com a distribuição da GigOptix", explica oliveira.Mais velocidade
 
A novidade vem ao encontro das necessidades de clientes de internet no mundo todo num momento em que a demanda por conectividade não para de crescer. Cada vez mais, as pessoas guardam seus arquivos e informações na nuvem - para acessar de qualquer lugar – e não mais em casa, no computador ou em outros dispositivos. Isso sem falar dos aplicativos utilizados nos smartphones e tablets, que também utilizam a rede óptica.
 
"Neste cenário, as taxas de transmissão precisam ser continuamente ampliadas", afirma Oliveira.
"Nós estamos desenvolvendo uma tecnologia de transmissão de dados bem mais compacta e com menor consumo de energia", explica Júlio César de Oliveira, pesquisador e presidente da BR Photonics, empresa responsável pelo desenvolvimento do mecanismo. A companhia foi criada em março de 2014 por meio de uma parceria entre o CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) e a empresa norte-americana GigOptix.
 
Para isso, tiveram a contribuição decisiva do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), administrado pelo Ministério das Comunicações. O fundo destinou cerca de R$ 200 milhões ao CPqD para pesquisas na área de comunicações. Esse investimento possibilitou inovações que resultaram no chip fotônico.