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Clipping

23/10/2017 às 21:07

'TV Brasil' questiona pouco destaque ao atentado na Somália; 'Gazeta' explica razões

Escrito por: Redação
Fonte: Portal Imprensa

No último dia 14 um caminhão cheio de explosivos foi detonado em Mogadíscio, capital da Somália. O atentado, atribuído ao grupo extremista al-Shabaab, destruiu hotéis, prédios de governos e restaurantes em uma área movimentada da cidade, matando pelo menos 300 pessoas e deixando outras centenas feridas. Desde o ataque às Torres Gêmeas, em 2001, não era registrado uma ofensiva tão violenta.  
 
Apesar das dimensões da tragédia, a imprensa mundial dedicou espaço muito menor ao ataque somali em comparação a outros atentados como o do atirador de Las Vegas no início do mês e também o de Barcelona, em agosto. 
 
Em matéria exibida pela TV Brasil, especialistas afirmam que o episódio ajuda a questionar o tipo de jornalismo que é feito. “No Brasil, a imprensa acaba seguindo o padrão norte americano no tratamento das notícias, no que é notícia ou não, e acaba que países considerados periféricos não entram naquilo que vamos publicar”, afirma Lucia Santos Cruz, professora de comunicação da ESPM.  
 
Mamour Ndiaye, professor universitário senegalês, há mais de 20 anos no Brasil, aponta fatores históricos como a colonização para a pouca atenção da mídia no caso. “Você percebe nitidamente que a própria imprensa africana não está noticiando isso e a gente já sabe que a imprensa, principalmente no Brasil, não reporta a África como ela merece”, diz.
 
“A mídia tem uma agenda própria e ela está profundamente envolvida com outros interesses que não apenas o de informar”, conclui Lucia.  
 
Na quarta-feira (18), a Gazeta do Povo divulgou o artigo “Por que ninguém liga para o maior atentado terrorista desde o 11 de setembro?”, assinado por Maurício Brum. No texto, , ele lista alguns fatores que contribuem para a pouca atenção da mídia diante do caso, entre eles, distância, desinformação, expectativas e fatores históricos. 
 
“Do ponto de vista do Ocidente, a Somália é distante, não apenas em termos geográficos, mas também culturais. Um ataque nos Estados Unidos ou na Europa coloca em jogo repercussões que afetam um número maior de países na comunidade internacional – eventuais restrições à viagem e à imigração, baques econômicos, etc.”, afirma Brum.
 
“Para a sociedade ocidental, a Somália é, em geral, um mistério: há poucas informações sobre o país no noticiário cotidiano e, normalmente, o que se sabe a respeito da realidade somaliana é negativo. Famosa pelo colapso de seu governo no início dos anos 90 e pelos piratas modernos que assombram seus mares, a Somália aparece em Hollywood em filmes como Falcão Negro em Perigo e Capitão Phillips, nos quais americanos são vítimas da anarquia e da violência locais. No início deste ano, o país voltou a ganhar o noticiário com fatos que reforçam a imagem de uma terra sem lei nem governo: as secas e as dificuldades econômicas ameaçavam causar, mais uma vez, uma grande fome na região.”, continua. 
 
De acordo com o jornalista, faltam dados sobre o país. “A Somália vive há quase 30 anos em um estado que beira a anarquia. A dificuldade em obter dados junto ao governo local é tamanha que o país não aparece sequer no ranking mundial do Índice de Desenvolvimento Humano, que atualmente lista 188 países – faltam informações atualizadas para elaborar o cálculo. A Somália também não é citada nas listas de renda per capita do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional. Na estimativa da CIA, a Somália aparece no último lugar entre 230 nações e territórios, com uma renda média de 400 dólares anuais (o Brasil é 107º nesse ranking, com renda calculada pela CIA em 15.200 dólares por ano).”
 
“O atentado (...) foi o maior de todos, mas não foi o primeiro e dificilmente será o último: em 2016, o Al-Shabab foi o grupo terrorista que mais matou na África, com mais de 4,2 mil vítimas, segundo a ONG americana Armed Conflict Location and Event Data Project. Na realidade, o que aconteceu nesta semana é a exceção: pelo menos desta vez a Somália chegou a virar notícia.”, pondera Brum.  
 
A reportagem da TV Brasil pode ser vista aqui. Para ler a matéria completa da Gazeta do Povo, clique aqui