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    sexta, 30 de julho de 2010



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Não somente a arte

12/01/2006 |
MÁRCIO RODRIGO
Forbes Online

Ao completar 40 anos, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro quer se tornar um balcão de negócios para a venda de filmes nacionais O Brasil tem hoje aproximadamente 100 festivais de cinema distribuídos ao longo de cada ano.Há desde eventos tradicionais na área,como o Festival de Gramado, na serra gaúcha, que este ano chegou à sua 33a edição, até festivais recentes como o recémcriado Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual (ver box). Contudo, ao contrário do que ocorre na maioria dos festivais internacionais, como Cannes,Veneza,Berlim e Sundance, nos Estados Unidos, em que esses eventos funcionam como legítimas vitrines para que os realizadores exibam seus filmes em primeira mão para futuros distribuidores, no Brasil as mostras e festivais, via de regra, são apenas espaços destinados à exibição de filmes para cineastas e a imprensa especializada. Nesse contexto que não privilegia a aproximação entre produtores e realizadores e, portanto, não ajuda o cinema brasileiro a fechar seu ciclo, sendo exibido no circuito comercial, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro - o mais antigo do País - tem se esforçado para que o lado comercial também tenha espaço garantido dentro do evento. Pedro Borio, secretário de Cultura do DF: vocação essencialmente política Criado em 1965 por Paulo Emílio Sales Gomes, um dos maiores críticos e intelectuais que o cinema brasileiro já teve ao longo de sua história, no tempo em que lecionava na Universidade Federal de Brasília (UNB), o festival desfruta hoje de um prestígio ímpar entre a imprensa e a classe cinematográfica. Enquanto outros eventos do gênero, como Gramado, por exemplo, padecem cada vez mais para conseguirem que filmes de qualidade se inscrevam para disputarem sua mostra competitiva, Brasília teve neste ano 40 inscrições de longas-metragens,dos quais 26 eram títulos inéditos. "Temos uma vocação essencialmente política", afirma Pedro Borio, secretário estadual da Cultura do Distrito Federal, em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, para explicar o sucesso do evento.De fato,o Festival de Brasília foi criado durante o regime militar e resistiu à ditadura, mesmo quando foi proibida sua realização entre os anos de 1972 e 1974.Todavia,atribuir o prestígio do evento somente a seu passado seria limitar suas potencialidades. A história do festival se confunde com a história da cidade projetada por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa a pedido do então presidente da República Juscelino Kubitschek. No evento, os realizadores encontraram espaço para "bater seus tambores de reivindicação", como observa Borio, bem próximo ao governo federal,maior fomentador do cinema brasileiro até hoje. Se este espaço politizado rendeu ao Festival de Brasília a fama de engajado, trouxe também na percepção da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, responsável pelo evento, a necessidade de promover uma ponte entre os realizadores e o mercado distribuidor. "O descompasso entre o celeiro de talentos que freqüenta o festival e a dificuldade de aproximação do mercado, por parte dos realizadores, gerou o Mercado Cinematográfico",explica Pedro Borio.


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