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    quinta, 09 de setembro de 2010



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Mídia banaliza violência e Estado é negligente

30/07/2010 |
Taeco Carignato
Terra Magazine

A rede midiática continua com o seu excesso de violência, dos filmes e seriados ao noticiário. Os noticiários matinais das TVs viraram páginas policiais. Repetem continuamente os casos mais badalados das páginas policiais a ponto de fazer da violência - em todos os sentidos desde os acidentes envolvendo famosos e anônimos até os crimes escabrosos - parte do nosso cotidiano como se fossem acontecimentos banais. Ligamos a TV para ver como está o trânsito e lá vem a imagem de um acidente arrepiante. Para saber sobre o tempo, é melhor abrir a janela.

Vamos pensar que a mídia não é responsável pela disseminação da violência. Veja-se o Mapa da Violência que registrou aumento dos índices de homicídios em alguns estados do Nordeste e em outras regiões do País. Mas o poder midiático de veiculação das imagens e o tratamento que se dá aos fatos provocam duas reações opostas - a atração e o horror à violência - gerando igualmente um fator de imobilização social e política: a banalização e a negação do mal.

Para o combate a situações de violência, então, mais vale o apelo/protesto veiculado por pessoas como a psiquiatra Flávia Fernando Lima Silva, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência e trabalhadora de centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de João Pessoa, Paraíba. Segundo ela, a divulgação de homicídios, principalmente quando se trata de jovens usuários de drogas, é acompanhada de resignação, às vezes de alívio e desejo de morte. Informa que a Paraíba é o estado em que mais ocorrem homicídios de negros.

Flávia atende jovens em extrema vulnerabilidade, com baixa escolaridade, muito pobres, pouco ou nenhum cuidado familiar, institucionalizados ou egressos de uma instituição. São meninos e adolescentes que constituem suas identidades em torno de drogas e pequenos delitos. Em quatro meses, seis dos seus jovens pacientes foram assassinados. A maior parte dos assassinatos é anunciada, afirma Flávia. Ao solicitar proteção a um "jurado de morte", o máximo que obteve foi o encaminhamento a um hospício já que o estado não possui dispositivo efetivo de acolhimento e proteção às pessoas ameaçadas de morte. Este jovem sumiu da instituição. Reapareceu morto.

Em todos os espaços coletivos de que participa, Flávia fala sobre a urgência de implementação de sistemas de proteção à vida na Paraíba. Mas a sua fala tem pouca ressonância. "Estamos falando de negligência do Estado e da sociedade. Estamos falando de banalização de vidas e de mortes, de lutos não autorizados por uma sociedade que compactua e deseja essas mortes. Estamos falando de extermínio!", brada a psiquiatra.

Vamos esperar que, pelo menos, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República a escute.


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