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domingo, 19 de maio de 2013
NotíciasBastidores da escrita contados pelos escritores
Livro reúne textos publicados no Suplemento Pernambuco com uma boa seleção dos autores contemporâneos brasileiros “Escrever é tentar saber o que escreveríamos se escrevêssemos”, sintetizou certa vez a escritora francesa Marguerite Duras, ao falar da grande dúvida literária: por que os autores narram? Ficcionais(Cepe Editora, R$ 15, 112 páginas), coletânea de textos publicados na seção Bastidores do Suplemento Literário Pernambuco, traz textos que tentam entender que questões mobilizam os escritores brasileiros contemporâneos e como algumas de suas obras foram produzidas. O lançamento do volume é quinta (2/7), às 19h, na Livraria Cultura (Rua Madre de Deus, s/nº, Bairro do Recife), com conversa entre o organizador da obra, o jornalista e crítico literário Schneider Carpeggiani, e o escritor cearense Ronaldo Correia de Brito. Segundo Schneider, a ideia de convidar autores para falar sobre o processo de composição de suas obras é do também editor do Pernambuco Raimundo Carrero – que, como escritor, sempre externou por meio de oficinas e livros a vontade de revelar cada vez mais os artifícios da narrativa. “Cada mês que eu peço um texto para Bastidores a um escritor é quase um experimento psicanalítico: eles sempre acham que disseram tudo, mas ainda há o que ser dito”, conta Schneider. “É mais ou menos quando chegamos a uma sessão de análise e achamos que não há nada para ser dito, e é nesse momento que a história emerge”. Ao mesmo tempo, a obra não se restringe ao fazer literário: traz textos sobre traduções e até mesmo de recriações de vozes narrativas de personagens, como o de Elvira Vigna sobre o seu romance Nada a dizer. Ronaldo Correia de Brito faz um dos relatos mais emocionados (e, paradoxalmente, lúcidos), explicando as dores de entregar um texto talvez ainda não finalizado. “Num dia qualquer, sem que nada espere e sem compreender o que acontece à sua volta, um editor arranca papéis inacabados de sua mão”, escreve – ele chegou a ficar doente durante esse processo de criação da obra. Sobre o seu premiado Ribamar, o crítico José Castello declara: “Foi um projeto que se impôs – um livro que, de forma sutil, mas violenta, me obrigou a escrevê-lo”. Veja pedaços dos textos de Ficcionais: Bernardo Carvalho (O filho da mãe) Alberto Mussa (Meu destino é ser onça) Antonio Carlos Viana (Cine Privê) Salim Miguel (A jornada de Rupert) Luís Henrique Pellanda (O macaco ornamental) Carlos de Brito e Mello (A passagem tensa dos corpos) Carola Saavedra (Paisagem com dromedário) Marcelino Freire (Angu de sangue) José Castello (Ribamar) Ronaldo Wrobel (Traduzindo Hannah) Ana Paula Maia (Carvão animal) Julian Fúks (A procura do romance) Sidney Rocha (O destino das metáforas) Eliane Brum (Uma duas) Eucanaã Ferraz (Água sim) Luiz Ruffato (Domingos sem Deus) Ronaldo Correia de Brito (Eu estive lá fora) Tatiana Salem Levy (Dois rios) Participe do e-Fórum enviando sugestões de pautas, informes, notas, eventos para a agenda e críticas. Escreva para imprensa@fndc.org.br.
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