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Caravana do FNDC em Recife: resgatar a utopia e a ousadia é tarefa urgente!

Roda de conversa abriu a programação com diálogo sobre territórios, soberania e direito à comunicação

A luta pelo direito à comunicação deve resgatar a utopia e a ousadia além das redes sociais. Esse é o resumo dos debates da Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação, neste sábado (30/5), em Recife-PE. A programação reuniu mais de cem participantes para debater territórios, soberania digital e direito à comunicação no Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco – Sinttel.

Jornalistas, comunicadores populares, acadêmicos, sindicalistas e lideranças de diversos movimentos sociais conversaram sobre os desafios locais impostos pela concentração da mídia tradicional e pelo modelo de negócios das big techs. Iniciativas territoriais bem-sucedidas de comunicação popular também foram apresentadas.

Kátia Marco, coordenadora-geral do FNDC, participou remotamente, com a mensagem de que é preciso enfrentar a guerra cognitiva pela disputa de sentidos para transformar o cenário de estagnação e de retrocessos.

“É urgente, não temos mais tempo, não podemos mais ficar distraídos, apenas rolando feed nas redes sociais e achando que pelas redes vamos fazer a transformação, porque transformação é nas ruas, ela é muito mais profunda. A transformação tem que impregnar, entrar nas mentes e, principalmente, nos corações. E é isso que a gente quer, impregnar dessa vontade, desse desejo, dessa urgência que precisamos ter.

Soberania

O dirigente Cutista e membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Admirson Júnior (Greg), chamou a atenção para o tema da soberania. “Estamos muito aquém na construção da nossa soberania digital. Se o Brasil tivesse entendido antes a importância desse tema já teríamos nossas próprias plataformas e nossos próprios datacenters”, destacou. Para Greg, os movimentos sociais reunidos na luta pela democratização da comunicação devem voltar a ser utópicos e ousados.

Territórios

Lorena Bezerra, Junior Cardeal, Victor Moura e Andrea Trigueiro falaram sobre suas realidades. Para Lorena, jovem comunicadora quilombola da comunidade Conceição das Crioulas, no Sertão de Pernambuco, a comunicação é uma forma ancestral de resguardar a história de um povo. “Não tem como separar comunicação, ancestralidade e identidade”, afirmou. A partir desse entendimento, a comunidade deixou de contar suas histórias a quem vinha de fora para produzir seus próprios relatos.

O professor da rede estadual de ensino e jornalista popular Junior Cardeal, falou sobre como a disputa pela audiência é desigual nas redes sociais. “A gente tenta utilizar a internet como ferramenta de luta, mas precisa confrontar os algoritmos o tempo todo. Eles não entregam conteúdos que se relacionam com a nossa realidade e que vão nos fazer avançar na luta. Dar mais alcance à nossa produção é um desafio”.

Outro ponto importante da fala de Junior é a percepção de que as crianças estão perdendo a capacidade de prestar atenção. “O audiovisual é uma ferramenta para tentar disputar essa atenção, mas os mais jovens estão cada vez mais com dificuldade de concentração. Fica a pergunta: como essas crianças vão conseguir lidar com a enxurrada de fake news e desinformação.”

Victor Moura, fundador do coletivo de comunicação Redes do Beberibe, também falou sobre sua experiência de jornalista e comunicador popular. Para ele, foi fundamental para as comunidades onde atua levar pautas que dialoguem diretamente com seus desafios diários, como mobilidade urbana e segurança, por exemplo. “O desafio é levar para o cidadão o entendimento sobre seus direitos”.

A jornalista Andrea Trigueiro, professora e pesquisadora na Universidade Católica de Pernambuco, falou sobre as ausências e lacunas na mídia tradicional. “Melhoramos, mas ainda temos muitas comunidades e povos tendo seus direitos violados, estigmatizados, vivendo à margem, sem serem vistos ou terem sua voz ouvida”.

Oficinas

A programação prosseguiu à tarde com a oficina “Soberania digital nas Eleições 2026”, ministrada por Manuella Mirella, Diretora Nacional de Mulheres da UJS (União da Juventude Socialista) e ex-presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes).

Mensagem da coordenadora-geral do FNDC, Katia Marko

Daniel Herz, 20 anos depois

https://outraspalavras.net/historia-e-memoria/daniel-herz-20-anos-depois/

Nos deixava, em 2006, o jornalista e militante das lutas democráticas pela comunicação. Autor de “A História Secreta da Rede Globo”, arquitetou a regulação da TV por assinatura e a criação do Conselho de Comunicação. Nas trincheiras contra as big techs, sua caixa de ferramentas continua útil

Do site Outras Palavras

Por Celso Schröder, Elisabeth Costa, James Görgen, Juliano Carvalho, Maria José Braga, Pedro Luiz S. Osório, Sergio Murillo de Andrade e Valci Zucolotto.

Pouco tempo antes da sua morte pelo agravamento de um mieloma múltiplo contra o qual lutou por seis anos e o acabou vitimando em 2006, Daniel Herz perdeu seu pai. Já em fase terminal e em tratamento no exterior, o jornalista gaúcho não foi à cremação do corpo. Gravou uma mensagem para os familiares e amigos que definia seu pai (e a si mesmo): “ele gostava de gente”. Daniel gostava de gente. E gostava que suas batalhas fossem travadas coletivamente e à luz do sol. A maior parte de suas contribuições nas diversas arenas em que atuou, desde os anos 1970, não eram assinadas por ele, mas pelas instituições das quais participou ou ajudou a criar.

Jornalista, professor, sindicalista, militante das lutas democráticas pela comunicação, empresário, gestor público, Daniel era tudo isso e mais o que coubesse em sua definição de ser humano. Há vinte anos, no dia 30 de maio, o perdemos. Esta homenagem de um grupo de amigas e amigos é para honrar sua memória, mas também para imaginar como ele estaria enxergando o mundo atual da comunicação, ao qual dedicou quase 30 anos de sua curta vida.

Um anti-líder carismático

Quem o conheceu lembra da imagem. A expressão sisuda, o olhar arguto, a escuta atenta, o caderno aberto, a voz baixa e firme amarrando uma proposta a outra até nos convencer de que aquela disputa, naquele momento, era a estratégica. Daniel comandava desde a retaguarda — com humildade, paciência e uma capacidade rara de encontrar pontos de convergência onde só havia antagonismos. Contundente com adversários, nunca desleal. Obstinado, nunca grosseiro.

Gaúcho de Porto Alegre, onde nasceu em dezembro de 1954, ele se formou em jornalismo na Unisinos em 1977, com trabalho de conclusão sobre a história da radiodifusão no Brasil entre 1919 e 1960. O tema, que então podia parecer apenas histórico, traçou o roteiro de uma vida pois tudo o que Daniel faria a seguir partia da convicção de que o sistema brasileiro de comunicação nascera de um pecado original e de que reconstruí-lo era tarefa coletiva.

O investigador

Há quem só lembre de Daniel pelo livro que o tornou nacionalmente conhecido: A História Secreta da Rede Globo, lançado em 1987, com o subtítulo Eu sou o poder, frase atribuída ao empresário Roberto Marinho. Foi sua dissertação de mestrado na UnB, orientada por Luiz Gonzaga Motta e depois por Murilo César Ramos, transformada em livro pela editora Tchê. Teve 14 edições, atravessou duas editoras, inspirou o documentário Muito Além do Cidadão Kane, de Simon Hartog, e estarreceu um país que ensaiava a redemocratização sobre as manobras fiscais e legais que o grupo Globo criou para montar sua televisão nos anos 60.

Mas quem conviveu com ele sabe que aquele livro não foi rompante de denúncia — foi método. A pesquisa que documentou os procedimentos ilegais que estruturaram a Globo e suas relações com o poder político nacional era, no fundo, o reverso construtivo de outra obsessão de Daniel: a de propor e fazer aprovar instituições democráticas que evitassem novas Globos. Investigar e legislar, para ele, eram dois movimentos do mesmo gesto.

O tecelão

Por isso, talvez, ele tenha sido — antes de tudo — um tecelão. Daniel foi sindicalista tardio: só virou diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul em 1992, aos 37 anos, e no mesmo ano assumiu a Direção de Relações Institucionais da Federação Nacional dos Jornalistas, cargo que manteria até 2004. Mas o trabalho de costura já vinha de antes, do Curso de Jornalismo da UFSC, do qual participou desde os primórdios em 1981 e onde foi professor por anos ao lado de seu primo e mentor intelectual, Adelmo Genro Filho. Na verdade, sua missão começou ainda na década de 1970 quando, ao lado do engenheiro Homero Simon, ajudou a impedir a entrada da TV a cabo no País por meio de grupos estrangeiros, vedado pela Constituição Federal.

A grande costura veio na esteira do processo de redemocratização do País. Antevendo o jogo de pressões que se daria em torno do Capítulo da Comunicação na Assembleia Nacional Constituinte, entre 1987 e 88, Daniel e outros dirigentes sindicais e intelectuais perceberam que sozinhos não dariam conta. Em 1984, articularam-se na Frente Nacional por Políticas Democráticas de Comunicação, que reunia jornalistas, radialistas, artistas, profissionais do cinema, universidades e partidos de esquerda recém-saídos dos anos de ditadura militar. Na Fenaj, Daniel ajudou a forjar o documento Propostas dos Jornalistas à Sociedade Civil, aprovado em Congresso em 1991, que se tornaria base programática para um salto. Em 1997, ajudou a redigir e tirar do papel o Programa de Qualidade do Ensino do Jornalismo, proposta surgida de um Congresso Extraordiário da entidade dos jornalistas.

Anos antes, a costura mais importante foi o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), constituído como associação civil em agosto de 1995. Daniel foi seu primeiro coordenador nacional. Para ele, o FNDC era o resgate, em escala ampliada, da agenda de TV a cabo que perseguia como objeto de pesquisa e de política desde a dissertação de mestrado defendida uma década antes. Antes de profissional, dizia, o jornalista era cidadão — e o cidadão-jornalista tinha o dever de empurrar a sociedade civil para dentro do debate sobre comunicação.

O arquiteto

A pauta do Fórum, sob sua coordenação, era cirúrgica: regulamentação da TV por assinatura, instalação do Conselho de Comunicação Social (CCS) previsto pela Constituição de 1988, regionalização da programação no rádio e na TV de acordo com o artigo 221 da Carta. Cada uma dessas frentes ele geriu com paciência, pragmatismo e objetividade.

A Lei do Cabo (Lei 8.977/95), da qual foi um dos principais mentores desde a fase de projeto em 1991, obrigou as operadoras a destinar canais a TVs públicas, universitárias, legislativas e comunitárias. Foi por causa daquela lei que dezenas de comunidades brasileiras hoje têm voz na tela. Daniel, observou o executivo Alexandre Annenberg, introduziu naquela legislação conceitos que seguem como paradigmas para qualquer modelo de inclusão digital. Anos antes, em 1989, ele havia coordenado a Comunicação Social da Prefeitura de Porto Alegre na primeira gestão do Partido dos Trabalhadores, liderada por Olívio Dutra. Filiado ao partido, Daniel implantou, de forma revolucionária, uma política e um plano de comunicação que dialogavam diretamente com a formulação das políticas de governo e atendiam às especificidades de cada secretaria, ao mesmo tempo em que centralizava os recursos administrativos, técnicos, financeiros e humanos. Tanto no Executivo municipal quanto na formulação legal, ele testava o mesmo princípio: comunicação é a base do serviço público.

A batalha pelo Conselho de Comunicação Social durou 15 anos. Proposto na Constituinte, aprovado na Constituição de 1988, regulamentado em 1991 e instalado apenas em 2002, o CCS ganhou em Daniel um de seus arquitetos mais pacientes. Em sua primeira fala no plenário do Conselho — onde tomou posse como representante da Fenaj —, ele cravou: o CCS era “uma instituição mediadora” que cumpriria sua função “quando conseguir gerar consenso”, colocando o interesse público acima dos interesses particulares. Era assim que ele lia o poder — não como guerra de aniquilação, mas como engenharia paciente de equilíbrios.

À mesma família de causas pertencem o Epcom — Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação, que ele fundou em Porto Alegre em 1998 —, o Canal Comunitário da capital gaúcha e a presidência do Conselho Deliberativo da Fundação Cultural Piratini (TVE e FM Cultura do Rio Grande do Sul). Não eram cargos; eram laboratórios da mesma ideia. A ideia de colocar toda e qualquer comunicação institucional a serviço de um estatuto público. No Epcom, por exemplo, ele hospedou o projeto Donos da Mídia, que mapeou a propriedade dos meios de comunicação no Brasil, e o AcessoCom, resumo diário de notícias sobre mídia e telecomunicações.

A peleja inacabada

Em 2004, Daniel tomou posse no Comitê Consultivo do Sistema Brasileiro de Televisão Digital, representando a Fenaj. Foi sua última grande peleja. A cada reunião — contou depois o professor Alexandre Kieling — ele insistia no objetivo original daquela empreitada: um modelo de TV digital aberta, interativa, pública e voltada à inclusão social, e não uma simples troca de equipamentos com lucro garantido para concessionários.

A TV Digital chegou, sim, mas, como observou a produtora Tereza Trautman, sem o operador de rede que ele defendia. Faltou Daniel naquela mesa no momento em que o desenho final foi pactuado em junho de 2006, um mês após sua morte. O modelo ficou como a Globo quis, mas com a previsão dos canais públicos que Daniel ajudou a formular.

E o mundo hoje?

Daniel morreu antes de o iPhone existir, antes de o Facebook chegar ao Brasil, antes de o Google se tornar infraestrutura do cotidiano. E ainda assim é instigante perceber como sua caixa de ferramentas continua útil. Quando ele falava em coronelismo eletrônico, usando a definição dos pesquisadores Suzy Santos e Sérgio Capparelli para denominar as famílias regionais que controlavam emissoras de rádio e TV, apontava para um problema que hoje se globalizou. No lugar das famílias que dominavam a comunicação brasileira, hoje temos um punhado ainda menor de corporações decidindo o que circula, em que ordem, para quem e por qual preço. Agora não mais barões locais de outorgas de comunicação social eletrônica, mas plataformas transnacionais que controlam atenção, dados e publicidade.

Estamos certos de que Daniel olharia para esse cenário com aquela combinação que era sua – uma mescla de indignação contida e método. Cobraria das gerações de hoje o que cobrava de nós — pesquisa séria sobre estruturas de propriedade, articulação paciente entre academia, sindicatos, sociedade civil e Parlamento, políticas públicas que não fossem cópias mal traduzidas de modelos estrangeiros. Defenderia um Conselho com unhas e dentes, regulação democrática de algoritmos, transparência sobre moderação de conteúdo, proteção do jornalismo profissional, financiamento público para plataformas digitais comunitárias e independentes, e — sobretudo — a noção de que comunicação, seja digital ou analógica, é serviço público, não apenas mercadoria.

Diria também, com aquela serenidade que era a sua, que nada disso se faz em uma legislatura. A Lei do Cabo demorou quase uma década; o CCS levou quinze anos para sair do papel. Disso ele tirava paciência, não desânimo.

Pistas para quem chega

Em vinte anos de ausência, testemunhamos avanços e recuos. Vimos a Globo deixar de ser o único front. Vimos o Brasil aprender sobre desinformação da pior maneira possível. Vimos jovens jornalistas erguerem veículos independentes onde antes só havia silêncio. Vimos o CCS hibernar — coincidentemente, a partir da morte de Daniel — e ressurgir com menos protagonismo dentro de um Congresso que se embriaga no lobby das big techs. Ele olharia para esse mosaico e diria, como sempre dizia, que o jogo não acabou.

A boa notícia, escrevemos juntos hoje, é que ele deixou migalhas de pão no chão. Estão no FNDC, na Fenaj, em cada canal aberto pela Lei do Cabo, em cada rádio comunitária, em cada estudante de comunicação que aprende, em sala de aula, que a mídia é matéria de cidadania. E nas digitais éticas que ele deixou em quem conviveu com ele. Obstinação sem grosseria, rigor sem soberba, coragem sem alarde, ironia sem escárnio, capacidade de defender com paixão o consenso que ele mesmo, paciente, ajudou a construir.

Aos que chegam agora ao ofício, aos que vão enfrentar IAs, plataformas e algoritmos que ainda nem têm nome, fica o recado coletivo desta turma que aprendeu com ele. Leiam Daniel, organizem-se como Daniel, dialoguem como Daniel. E lembrem-se de que ele enfrentou sua doença terminal por seis anos ainda formulando propostas para um país que insiste em não perceber a falta que ele nos faz.

Saudades, Daniel. Seguimos. E, como você ensinou, seguimos juntos.

Para conhecer melhor a vida e a obra de Daniel Herz, visite http://danielherz.com.br

Abraço Brasil questiona demora na publicação do PNO para Sul e Sudeste e cobra resposta da Casa Civil

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Do site da Abraço Brasil

A indefinição sobre a publicação do Plano Nacional de Outorgas (PNO) destinado às regiões Sul e Sudeste tem provocado preocupação e cobrança entre representantes da radiodifusão comunitária brasileira. Desde setembro do ano passado, a proposta aguarda análise na Casa Civil da Presidência da República, sem qualquer encaminhamento oficial, o que tem gerado insatisfação entre entidades e comunicadores que aguardam a abertura de novos processos para concessão de rádios comunitárias.

A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço Brasil) acompanha o tema e cobra maior transparência do governo federal sobre os motivos da paralisação. A avaliação da entidade é de que a demora amplia a insegurança de centenas de associações comunitárias, especialmente nos estados do Sul e Sudeste, onde há uma demanda histórica pela abertura de novos editais e pela ampliação do acesso à comunicação comunitária.

Geremias dos Santos, presidente da Abraço Brasil, criticou a lentidão no andamento do processo e afirmou que a radiodifusão comunitária não pode continuar sendo tratada como pauta secundária pelo poder público. “Estamos falando de um processo que está parado desde setembro do ano passado, sem explicação concreta e sem qualquer previsão oficial. As comunidades têm esperado, as entidades têm dialogado e apresentado suas demandas, mas até agora seguimos sem resposta. Isso gera frustração e demonstra que a comunicação comunitária ainda não está sendo tratada com a prioridade que merece dentro do governo”.

Santos também destacou que o Plano Nacional de Outorgas representa uma ferramenta estratégica para ampliar o acesso à radiodifusão comunitária e fortalecer o direito à comunicação em diferentes territórios do país. “O Plano Nacional de Outorgas é fundamental para que novas rádios comunitárias possam surgir e cumprir seu papel social nas cidades, nas periferias, no interior, nas comunidades tradicionais e onde muitas vezes os grandes veículos não chegam. Principalmente, quando o novo PNO vai beneficiar cerca de mais de 1.200 municípios. Quando esse processo fica engavetado, quem perde é a população, que segue sem acesso a meios de comunicação comprometidos com a realidade local e com o interesse público”, declarou.

A Abraço Brasil reforça que a publicação do PNO vai além de um procedimento administrativo. A entidade lembra que a abertura de novas outorgas está diretamente ligada à democratização da comunicação, à diversidade de vozes e ao fortalecimento da cidadania. A expectativa do movimento era de que, com a retomada do debate sobre políticas públicas de comunicação no atual governo, houvesse avanços mais concretos também para o setor comunitário. No entanto, passados meses sem definição, a avaliação é de que o impasse precisa ser enfrentado com urgência.

A Abraço Brasil informou que seguirá acompanhando o tema e cobrando posicionamento do Executivo Federal. Para a entidade, a publicação do Plano Nacional de Outorgas para Sul e Sudeste é uma medida necessária e urgente para garantir que a comunicação comunitária continue crescendo como instrumento de participação popular e fortalecimento da democracia brasileira.

Fim da escala 6×1: contra as elites e os algoritmos, classe trabalhadora conquista vitória histórica na Câmara

Agora, a pressão deve continuar para garantir a aprovação em dois turnos no Senado, onde serão necessários pelo menos 49 votos em dois turnos (com intervalo mínimo de cinco dias entre um turno e outro).

A classe trabalhadora obteve uma vitória histórica na primeira batalha pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada na Câmara dos Deputados nesta quarta (27/5) põe fim à escala 6×1 em 60 dias após a publicação da emenda. Agora, a próxima batalha se dará no Senado Federal.

A pressão popular fez o texto do relator passar com folga nos dois turnos de votação (472 votos no primeiro e 461 no segundo) e mostra que a mobilização da classe trabalhadora surtiu efeito. “Um parlamento composto em sua maioria por representantes do capital e da classe patronal teve que se render à pressão das trabalhadoras e trabalhadores”, comenta o petroleiro Tadeu Porto, secretário de Comunicação do FNDC e secretário adjunto de comunicação da CUT. 

Agora, a pressão deve continuar para garantir a aprovação em dois turnos no Senado, onde serão necessários pelo menos 49 votos em dois turnos (com intervalo mínimo de cinco dias entre um turno e outro).

A discussão da PEC pelos senadores vai depender da disposição do presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para pautar o tema, e começa com a leitura do texto em Plenário e seu encaminhamento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A CCJ tem até 30 dias para apresentar seu parecer. Depois disso, são necessárias cinco sessões deliberativas para discutir o tema. Depois das discussões, é que haverá votação em primeiro turno.

Ou seja, a mobilização pela votação e aprovação da redução da jornada de trabalho continua nas ruas e na internet. “E mais uma vez, vamos ter que descobrir quem está ao lado da classe trabalhadora”, observa Tadeu Porto.

Apesar da mídia tradicional e dos algoritmos

A aprovação na Câmara tem um sabor ainda mais especial porque o interesse da classe trabalhadora prevaleceu sobre os discursos alarmistas dos especialistas ouvidos pela mídia tradicional e dos grandes influenciadores de direita, que durante meses tentaram convencer trabalhadoras e trabalhadores de que a redução da jornada é negativa.

“Nós, que estamos na luta pelo direito à comunicação, comemoramos duplamente. Primeiro, porque somos trabalhadoras e trabalhadores. Segundo, porque conseguimos fazer uma Câmara composta por deputados e deputadas em sua maioria contrários à classe trabalhadora sentirem o peso da nossa união e mobilização”, comenta Kátia Marko, coordenadora-geral do FNDC.

Kátia lembra que mídia sem regulação é instrumento da classe patronal, por isso, o FNDC se mantém ativo há mais de 30 anos. “A luta pela democratização do direito à comunicação também é uma luta da classe trabalhadora e isso fica mais evidente a cada novo avanço.”

Veja o que foi aprovado na Câmara e será discutido no Senado

Em 60 dias da publicação da PEC

  • Início da escala de cinco dias de trabalho com dois dias de descanso remunerado, sem redução de salário.
  • Redução da jornada de 44 horas semanais para 42 horas.

Em 14 meses

  • Redução da jornada de 42 para 40 horas semanais, mantida a escala 5×2, com dois dias de descanso, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Exceções

O texto aprovado na Câmara exclui os trabalhadores celetistas com diploma de nível superior com remuneração mensal igual ou superior a duas vezes e meia o limite máximo dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (R$ 21,1 mil), exceto empregados públicos.

Com presença de brasileiros, curso em Caracas articula rede latino-americana de comunicação

Curso reúne cerca de 100 comunicadores de 22 países em Caracas | Crédito: LaUiCom

LaUiCom reuniu 100 comunicadores de 22 países para debater estratégias contra a hegemonia midiática

Leonardo Fernandes
Brasil de Fato

Caracas (Venezuela) – Uma delegação brasileira de jornalistas e comunicadores participou do curso de Comunicação Política da Universidade Internacional das Comunicações (LaUiCom), realizado de 11 a 23 de maio de 2025, em Caracas, capital da Venezuela. O encontro reuniu 100 comunicadores de 22 países com o objetivo de articular uma frente continental contra a desinformação.

O reitor internacional da LaUiCom, Fernando Buen Abad, afirmou que o objetivo é consolidar uma frente latino-americana internacionalista de comunicação crítica. “Sabemos que temos muitas coincidências com muito diversos grupos, organizações e formações comunicacionais em todo o continente. O que está nos faltando é colocar três ou quatro pontos de acordo para a unidade, não para a uniformidade, para a unidade. E para isso organizamos este diplomado em comunicação política para gerar políticas de comunicação”, afirma o professor.

Abad avalia que as novas disputas geopolíticas e o avanço da extrema direita intensificaram a guerra midiática contra países não alinhados a interesses hegemônicos. “Acreditamos que a agressão midiática piorou, que as condições de guerra midiática pioraram muito e queremos que nossos instrumentos de análise e de contraofensiva comunicacional estejam atualizados todo o tempo”, afirmou.

A jornalista Paola Nogueira, de São Paulo, foi uma das participantes. Para ela, a realidade venezuelana contrasta com o que é retratado pela grande mídia brasileira. “É a primeira vez que eu venho para a Venezuela. Antes de vir, a gente tem uma impressão de que o clima aqui vai ser um pouco difícil, até pelo terrorismo que é pintado pela imprensa em geral. As coisas são normais, as pessoas vivem normalmente, as coisas funcionam, as pessoas são muito receptivas, são muito gentis”, relatou.

Nogueira também destacou o engajamento dos participantes. “A expectativa aqui no curso é aprender ainda mais. Eu vejo que as pessoas estão muito empenhadas e têm um desejo muito grande de construir uma comunicação libertadora de fato, que seja ainda mais comprometida com a verdade. Nesse tempo de fake news, é muito importante que a gente se engaje nisso”, pontuou.

Rafaella Coury, supervisora de edição do Brasil de Fato, falou sobre a responsabilidade de levar ao público uma visão diferente da que é difundida pela grande mídia. “A gente está por aqui mesmo, compartilhando com pessoas que moram aqui, que estudam aqui, que lecionam aqui. E a gente percebe o quanto as visões que temos são muito pré-moldadas, muito preconceituosas e ainda muito imperialistas em muitos sentidos”, disse.

Para ela, essa experiência reforça o compromisso do veículo com uma cobertura mais fiel à realidade. “Cabe a nós, ao Brasil de Fato, levar esse outro lado. Caracas é lindo, as pessoas são extremamente gentis e tudo o que se leva para fora daqui é sempre negativo. Mas não é assim que funciona”, afirmou.

Para a editora do Brasil de Fato do Rio Grande do Sul e coordenadora-geral do FNDC, Kátia Marko, o projeto popular de comunicação só tem a ganhar com a participação no curso e a formação de uma rede de comunicadores em defesa da verdade.

“Eu me sinto construindo uma história. O que o Brasil de Fato e o público do Brasil de Fato ganham, principalmente, é a possibilidade de saber a verdade sobre o que está acontecendo não só na Venezuela, mas em vários países da América Latina, porque a gente tem aqui todos os países da América Latina representados por pessoas muito qualificadas”, diz. “Todo mundo que está aqui neste curso tem uma grande caminhada na comunicação e não só na comunicação como na política e na construção de uma visão libertadora, de uma visão de uma América Latina unida e uma América Latina soberana. Me parece que saímos do discurso e estamos construindo na prática, buscando os meios para realmente termos esta América Latina”, avalia a jornalista.

Delegação brasileira presente no curso de Comunicação Política da Universidade Internacional das Comunicações, em Caracas | Divulgação/LaUiCom | Crédito: LaUiCom

Por sua vez, Ednúbia Ghisi, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além da troca e do aprendizado, essa é uma oportunidade para se somar à tarefa de desmontar a campanha de desinformação sobre o país e contribuir com a resistência.

“Aquilo que se diz sobre a Venezuela é muito diferente do que a gente consegue ver aqui e ouvir do povo venezuelano. A gente tem uma tarefa enorme que é de conseguir fortalecer essa voz popular, essa voz do povo organizado da Venezuela, e fazer ecoar também a experiência de resistência popular que esse país tem dado, tem mostrado para todo mundo”, diz a militante sem terra.

Editado por: Thaís Ferraz

Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação chega ao Recife neste sábado (30/05)

Evento reúne ativistas, pesquisadores e lideranças sociais em torno da defesa da soberania digital e da democracia

Territórios, Soberania Digital e Defesa da Democracia. Esse é o tema escolhido pela Caravana do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) em sua passagem pelo  Recife (PE). O evento vai acontecer no próximo sábado (30/05), na sede do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco – Sinttel (Rua Afonso Pena, 333, Santo Amaro) e está com inscrições gratuitas abertas. Contudo, as vagas são limitadas.

A programação tem início às 8h30, com o credenciamento das pessoas participantes. Às 9h, o encontro abre com o debate “Soberania digital, territórios e defesa da democracia”, uma reflexão urgente sobre o controle das plataformas tecnológicas e seu impacto na soberania nacional e nos direitos humanos. A mesa contará com a experiência de Helena Dias (FNDC Pernambuco), a articulação política de Carol Beraldo (FNDC Nacional) e Admirson Greg (CNDH), além do olhar territorial de Victor Moura (Redes do Beberibe), Lorena Bezerra (Casa das Juventudes Girlene Rosa) e Junior Cardeal (jornalista, professor e produtor cultural). O aporte teórico e educomunicativo ficará a cargo do pesquisador Cláudio Paiva (UFPB) e da professora Andrea Trigueiro (Unicap), fundamentais para conectar os marcos da soberania digital à realidade das periferias e comunidades tradicionais.

Na sequência, às 10h30, o evento promove uma plenária conjunta entre Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Este momento visa fortalecer a integração regional e consolidar diretrizes para os eixos de atuação do FNDC. O debate será conduzido por Carol Beraldo (FNDC), Marcelo Dantas (CCLF), Ivan Moraes (DiraCom), Lucinha Figueiredo (FNDC/Regional Nordeste II) e Alex Pontes (FETRAF-RN/CUT-RN). A diversidade de trajetórias — que vai do jornalismo à agricultura familiar — será o motor para a construção de agendas coletivas e para a aprovação das propostas que integrarão a plataforma eleitoral do FNDC, visando pautar candidaturas aos cargos de presidência, governos e legislativos estaduais e federais no pleito de 2026.

A tarde será marcada pelo eixo formativo, às 13h30, com a oficina “Soberania digital nas Eleições 2026”. O espaço será voltado ao desenvolvimento de estratégias práticas de combate à desinformação e ao uso ético das ferramentas digitais no período eleitoral. A mediação será realizada por um time de especialistas e lideranças políticas, incluindo Manuella Mirella (UJS), Nátaly Guilmo e Manú Castro.

O encerramento, às 17h, contará com um ato político-cultural. O momento será dedicado a celebrar a integração da militância e reafirmar o compromisso coletivo com a democratização da comunicação como um direito humano inegociável e base indispensável para a justiça social e a soberania digital no Brasil.

Serviço

Programação

8h – Credenciamento

8h30 – Saudação inicial e Leitura do Cordel pela Democratização da Comunicação
Kátia Marko – Jornalista. Coordenadora-geral do FNDC. Editora do Brasil de Fato RS. Integra o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC)
Edilson Santana – Diretor de Políticas Institucionais do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco (Sinttel-PE).

9h – Roda de diálogo “Soberania digital, territórios e defesa da democracia”
Helena Dias (Comitê da Caravana FNDC PE) – Jornalista recifense, formada pela Unicap. Atua há mais de dez anos com comunicação de causas. É militante do Mãos Solidárias Pernambuco.
Carol Beraldo – Jornalista. Social media. Secretária de Juventude do PCdoB-SP e de Organização do FNDC.
Admirson Greg – Secretário Nacional de Economia Solidária da CUT, membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), onde coordena a Relatoria sobre IA e Direitos Humanos, e do Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES). Pós-graduado em Gestão Pública
Victor Moura – Jornalista e pesquisador. Fundador do coletivo de comunicação Redes do Beberibe.
Lorena Bezerra – Psicóloga. Integra o movimento quilombola de Pernambuco/coordenação da Casa das Juventudes Girlene Rosa.
Júnior Cardeal – Professor de Educação Física da rede pública de ensino, jornalista periférico, ator, graffiteiro, produtor cultural e cineasta.
✅ Claudio Paiva – Professor de Comunicação (DECOM-CCTA-UFPB) e Pós-Graduação – Mestrado Profissional em Jornalismo (CCTA/UFPB), graduação em Comunicação, bacharelado em Jornalismo – UFPB (1984).
Andrea Trigueiro – Jornalista, pesquisadora e professora na Escola de Tecnologia e Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Idealizadora e coordenadora do projeto de extensão EducomDH (Educomunicação e Direitos Humanos na Mídia).

10h30 – Plenária conjunta Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte
Carol Beraldo – Jornalista. Social media. Secretária de
Juventude do PCdoB-SP e de Organização do FNDC.
Marcelo Dantas – Jornalista, historiador e educomunicador. Coordena o Programa Direito à Comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF). Apresentador do TV Direitos Humanos (TVDH) e colunista do podcast Expressão Livre DH. Membro do Conselho Deliberativo do FNDC.
Ivan Moraes – Jornalista, escritor, defensor de direitos humanos, mestre em comunicação pelo PPGCOM/UFPE, conselheiro do Centro de Cultura Luiz Freire e integrante do DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia.
Lucinha Figueiredo – Jornalista e assistente social, secretária-geral do Sintac, da coordenação do Comitê da Paraíba e do Conselho Deliberatvo do FNDC, representando a
regional Nordeste II.
Alex Pontes – Agricultor familiar. Coordenador Estadual da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte (FETRAFRN) e Secretário de Comunicação na CUT/RN.

12h às 13h30h – Almoço

13h30 – Oficinas “Soberania digital nas Eleições 2026”
Manuella Mirella – Diretora Nacional de Mulheres da UJS (União da Juventude Socialista) e ex-presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes).
Nátaly Guilmo
Manú Castro

17h – Ato político cultural

Solidariedade ao povo cubano e sua revolução. Fora, Trump!

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) vem a público manifestar sua profunda preocupação com o recrudescimento da guerra cognitiva promovida pelos Estados Unidos contra Cuba e prestar solidariedade ao povo cubano e ao seu ex-presidente Raúl Castro Ruz diante da ameaça de invasão iminente ao seu país.

O povo cubano resiste heroicamente há mais de seis décadas de bloqueio ilegal promovido pelos Estados Unidos e, neste momento, vive um dos momentos mais tensos de sua história com a possibilidade real de ter seu território violado pelo governo de Donald Trump (nos moldes do que foi feito na Venezuela, contra Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, ou de outra forma qualquer).

O indiciamento de Raúl Castro por alegada responsabilidade na queda de duas aeronaves da organização Irmãos ao Resgate, em 1996, é apenas um pretexto para tentar legitimar o que não tem legitimidade alguma.

Estamos do lado do povo cubano, da sua revolução e do seu modo de vida! Nos unimos a todas as vozes que, neste momento, exigem ainda mais o fim dos embargos econômicos, políticos e financeiros impostos pelo imperialismo estadunidense a Cuba.

Denunciamos a falsa defesa da liberdade de expressão usadas como pretexto pelas agências governamentais estadunidenses e as big techs contra Cuba. O objetivo é claro: saturar o ecossistema informacional com narrativas de desespero, hiperinflacionar crises legítimas agravadas pelo próprio bloqueio econômico criminoso e sufocar as vozes que defendem a soberania cubana.

FENAJ e ABI ingressam no STF contra lei que cria profissão de “multimídia”

Foto: Eline Luz

Para entidades, legislação ameaça o exercício do Jornalismo e invade competências de outras profissões

Do site da FENAJ

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ingressaram no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), com pedido de medida cautelar, contra a Lei nº 15.325/2026, que institui a chamada profissão de “multimídia”.

A ação questiona a constitucionalidade da norma, por entender que ela promove uma indevida sobreposição de atribuições com o exercício profissional do Jornalismo, abrindo caminho para a precarização das relações de trabalho, o enfraquecimento da profissão e riscos ao direito fundamental à informação.

De acordo com o documento protocolado, a lei cria uma nova categoria profissional com competências amplas e pouco delimitadas, permitindo que atividades típicas do Jornalismo, como produção, edição, difusão e análise de conteúdos informativos, sejam exercidas sem a exigência de formação específica ou observância de parâmetros éticos e técnicos próprios da profissão.

A presidenta da FENAJ, Samira de Castro, afirmou que a ação no STF representa uma ação em defesa da sociedade e da democracia, diante da tentativa de desregulamentar atividades próprias do Jornalismo. “Essa lei representa uma grave ameaça ao Jornalismo profissional, às relações de trabalho e ao direito da sociedade à informação de qualidade. Não se trata apenas de uma disputa corporativa, mas da defesa de uma atividade essencial à democracia”, disse. 

Para Samira, o Jornalismo exige formação, compromisso ético, responsabilidade social e técnicas específicas de apuração e verificação. “Ao criar uma categoria genérica, com atribuições amplas e indefinidas, a lei abre caminho para a precarização e o enfraquecimento da profissão. A FENAJ e a ABI recorrem ao STF para impedir que o exercício do Jornalismo seja diluído em meio à lógica da desinformação e da exploração do trabalho”, completou.

Risco à democracia

A ADI sustenta que o Jornalismo possui papel institucional essencial no Estado Democrático de Direito, sendo responsável por mediar a relação entre fatos e sociedade, com base em critérios técnicos como apuração, verificação, contextualização e responsabilidade ética. Ao diluir essas atribuições em uma categoria genérica, a lei fragiliza o sistema de comunicação social e compromete a produção de informação de interesse público.

O documento alerta que a medida ocorre em um contexto já marcado pela disseminação de desinformação, fake news e uso intensivo de tecnologias, como inteligência artificial, na produção de conteúdos supostamente informativos. Nesse cenário, a existência de profissionais qualificados, submetidos a padrões éticos rigorosos, é apontada como elemento essencial para a proteção da sociedade e das instituições democráticas.

Precarização e pejotização

Outro ponto central da ação é o impacto da lei sobre as relações de trabalho. Ao permitir o reenquadramento de jornalistas como “multimídia”, a norma pode estimular práticas como a pejotização e a substituição de profissionais qualificados por mão de obra sem proteção trabalhista.

A ADI destaca que a medida favorece a contratação de trabalhadores fora dos marcos regulatórios do Jornalismo, reduzindo custos para empresas, mas ampliando a precarização da atividade e o risco de perda de direitos históricos da categoria.

Ameaça à organização sindical

A ação também aponta violação ao princípio constitucional da unicidade sindical. Ao criar uma nova categoria com atribuições semelhantes às dos jornalistas, a lei abre espaço para fragmentação da representação sindical e enfraquecimento das entidades que historicamente defendem a categoria.

Segundo o documento, essa sobreposição artificial pode gerar conflitos de representação, insegurança jurídica e enfraquecimento da capacidade de negociação coletiva dos jornalistas.

Pedido de suspensão imediata

Diante dos riscos apontados, FENAJ e ABI solicitaram ao STF a concessão de medida cautelar para suspender imediatamente os efeitos da Lei nº 15.325/2026 até o julgamento final da ação.

O pedido se baseia na presença dos requisitos jurídicos de relevância do tema e risco de dano irreparável, uma vez que a manutenção da norma pode produzir efeitos concretos sobre o mercado de trabalho, a organização sindical e a qualidade da informação no país.

Defesa do Jornalismo

Para as entidades, a ação reafirma a necessidade de proteger o Jornalismo como atividade essencial à democracia, com identidade própria, regras claras e compromisso com o interesse público.

“Com esta ação, o principal objetivo da ABI e da FENAJ é preservar os direitos e o mercado de trabalho dos jornalistas. Nossas entidades não questionam a legitimidade das atividades profissionais atreladas às plataformas digitais, como influenciadores e criadores de conteúdo.  Mas se sentem obrigadas a reagir contra a usurpação de atividades essencialmente jornalísticas pela nova lei que cria e rege a profissão de ‘multimídia’. Ao atribuir aos “multimídias” tarefas inerentes à atividade jornalística, o texto investe contra a liberdade de imprensa e o pluralismo democrático. Por isso, estamos recorrendo à Justiça. Confiamos em que o STF atenderá ao nosso pedido e suspenderá os efeitos da lei 15.325”, explicou Otávio Costa, presidente da ABI.

A iniciativa dialoga com uma agenda mais ampla de defesa da profissão, que inclui a luta pela regulamentação atualizada do exercício profissional, a valorização da formação específica e o combate à precarização das relações de trabalho, pautas que vêm sendo defendidas pela FENAJ em mobilizações nacionais, como o Ocupa Brasília, e em sua atuação permanente junto aos poderes da República.

Entidades acadêmicas lançam carta de apoio à criação de Centro de Pesquisa em Comunicação Pública

Do site da Ouvidoria Cidadã EBC

Mais de 20 associações acadêmicas e grupos de estudo e pesquisa em diversas áreas da comunicação enviaram uma carta à direção da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em apoio à criação de um Centro de Pesquisa em Comunicação Pública no âmbito da EBC. A carta foi apresentada na reunião conjunta dos Comitês de Participação Social, na semana passada, e encaminhada nesta quarta-feira (6) por meio das presidências do Comitê Editorial e de Programação (Comep) e do Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (Cpadi). A ideia é que o Centro seja lançado durante o 49º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2026), que ocorrerá na Universidade Católica de Brasília entre os dias 1º e 5 de setembro.

Confira abaixo a carta e as assinaturas:

À Direção da EBC

As associações acadêmicas e grupos de pesquisa abaixo assinados apoiam e são entusiastas da criação de um Centro de Pesquisa em Comunicação Pública no âmbito da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), dando continuidade ao projeto interrompido com o impeachment de 2016, que vinha sendo implementado naquela ocasião em parceria com a Unesco.

Os acontecimentos vistos na última década, com várias denúncias de abandono do projeto original e uso político da EBC, demonstram que a comunicação pública ainda não alcançou o posto de amplo reconhecimento de sua importância por parte da sociedade brasileira. Portanto, cabe a nós, enquanto setor acadêmico, fomentar parcerias para pesquisa e inovação no campo da comunicação pública e do Serviço Público de Mídia, de forma a ampliar o conhecimento sobre o setor e a capacitação específica para profissionais que atuam na área.

Os centros de pesquisa em comunicação pública são referência e exemplos de inovação em diversos países. Como a NHK (Japan Broadcasting Corporation), que mantém o NHK Science & Technology Research Laboratories (STRL) lançado em 1930, apenas cinco anos após a fundação da corporação, e o NHK Broadcasting Culture Research Institute (Bunken), fundado em 1946. A BBC tem uma área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico desde a década de 1920 (BBC Research & Development). Ambas corporações de Serviço Público de Mídia, as mais conhecidas e referenciadas do mundo, têm em seus departamentos de pesquisa o motor do desenvolvimento não só da comunicação pública, mas de todo o setor da radiodifusão em seus países.

Assim poderia ser também com a EBC. Lembramos que a Lei nº 11.652 incluiu entre os princípios da EBC “atualização e modernização tecnológica dos equipamentos de produção e transmissão” e “formação e capacitação continuadas de mão de obra, de forma a garantir a excelência na produção da programação veiculada”. Bem como entre os objetivos está “buscar excelência em conteúdos e linguagens e desenvolver formatos criativos e inovadores, constituindo-se em centro de inovação e formação de talentos”, consideramos de vital importância para alcançar esses objetivos a criação de um centro de pesquisa, em parceria com as universidades.

Tal como a parceria divulgada pela EBC, feita entre a Universidade de Buenos Aires (UBA) e a Rede Televisión América Latina (TAL) para oferecer o Diploma em Mídias Públicas na América Latina, temos condições de oferecer experiência semelhante dentro do próprio país, com corpo docente qualificado das universidades públicas e, incluso, trabalhadores e trabalhadoras da própria EBC.

Portanto, em sintonia com o Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão (Cpadi) e o Comitê Editorial e de Programação (Comep), propomos a retomada do projeto do Centro de Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento e Inovação em Comunicação Pública.

05 de maio de 2026

ASSINAM:

Alaic – Associação Latino-Americana de Pesquisadores em Comunicação

Socicom – Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação

Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação

LaPCom – Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB)

EMERGE – Centro de Pesquisa e Produção em Comunicação e Emergência da Universidade Federal Fluminense (UFF)

NJA – Núcleo de Jornalismo e Audiovisual da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)

CEPCOM – Crítica da Economia Política da Comunicação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

Observatório das Transmissões de Futebóis

SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo

RNCD – Rede Nacional de Combate à Desinformação

NUJOC – Núcleo de Pesquisa em Jornalismo e Comunicação da Universidade Federal do Piauí (UFPI)

ABEJ – Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo

Rede Folkcom – Rede de Estudos e Pesquisas em Folkcomunicação

EPTICC – Sociedade de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura

ABRAPCORP – Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas

ABPEducom – Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação

Compolítica – Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política

ALCAR – Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia

Girafa – Grupo de Investigação em Rádio, Fonografia e Áudio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Rádio Ponto UFSC – Webrádio do Curso de Jornalismo da UFSC

ABPCom – Associação Brasileira de Pesquisadores e Comunicadores em Comunicação Popular, Comunitária e Cidadã

LOGOS – Comunicação Estratégica, Marca e Cultural da Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Observatório de Mídia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Caravana do FNDC: Recife recebe programação no sábado, 30 de maio

Panoramic view of Marco Zero Square at Ancient Recife district - Recife, Pernambuco, Brazil

A Caravana do FNDC pelo Direito à Comunicação faz sua terceira parada em Recife-PE no último sábado de maio (30/5). As inscrições já estão abertas, são gratuitas e limitadas (link abaixo). A programação será no Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco (Sinttel PE). Está prevista uma roda de diálogo com o tema soberania digital, territórios e defesa da democracia e uma oficina sobre soberania digital nas eleições 2026.

Também será realizada plenária conjunta dos Comitês pela Democratização da Comunicação dos estados de Pernambuco e Paraíba, que aprovarão as propostas do FNDC para a plataforma eleitoral que mobilizará as candidaturas a presidente da República, governador e deputados federais e estaduais.

A programação mais detalhada e os convidados serão divulgados em breve.

Inscrição: https://tinyurl.com/yyhdv5yj

Serviço
Data: 30/5/2026 (sábado)
Local: Sinttel PE (Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco)
Endereço: R. Afonso Pena, 333 – Santo Amaro, Recife/PE

Programação
8h – Credenciamento

8h30 – Saudação inicial e Leitura do Cordel pela Democratização da Comunicação
Kátia Marko – Jornalista. Coordenadora-geral do FNDC. Editora do Brasil de Fato RS. Integra o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC)
Edilson Santana – Diretor de Políticas Institucionais do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de Pernambuco (Sinttel-PE).

9h – Roda de diálogo “Soberania digital, territórios e defesa da democracia”
Helena Dias (Comitê da Caravana FNDC PE) – Jornalista recifense, formada pela Unicap. Atua há mais de dez anos com comunicação de causas. É militante do Mãos Solidárias Pernambuco.
Carol Beraldo – Jornalista. Social media. Secretária de Juventude do PCdoB-SP e de Organização do FNDC.
Admirson Greg – Secretário Nacional de Economia Solidária da CUT, membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), onde coordena a Relatoria sobre IA e Direitos Humanos, e do Conselho Nacional de Economia Solidária (CNES). Pós-graduado em Gestão Pública
Victor Moura – Jornalista e pesquisador. Fundador do coletivo de comunicação Redes do Beberibe.
Lorena Bezerra – Psicóloga. Integra o movimento quilombola de Pernambuco/coordenação da Casa das Juventudes Girlene Rosa.
Júnior Cardeal – Professor de Educação Física da rede pública de ensino, jornalista periférico, ator, graffiteiro, produtor cultural e cineasta.
Claudio Paiva – Professor de Comunicação (DECOM-CCTA-UFPB) e Pós-Graduação – Mestrado Profissional em Jornalismo (CCTA/UFPB), graduação em Comunicação, bacharelado em Jornalismo – UFPB (1984).
Andrea Trigueiro – Jornalista, pesquisadora e professora na Escola de Tecnologia e Comunicação da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Idealizadora e coordenadora do projeto de extensão EducomDH (Educomunicação e Direitos Humanos na Mídia).

10h30 – Plenária conjunta Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte
✅ Carol Beraldo
– Jornalista. Social media. Secretária de
Juventude do PCdoB-SP e de Organização do FNDC.
Marcelo Dantas – Jornalista, historiador e educomunicador. Coordena o Programa Direito à Comunicação do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF). Apresentador do TV Direitos Humanos (TVDH) e colunista do podcast Expressão Livre DH. Membro do Conselho Deliberativo do FNDC.
Ivan Moraes – Jornalista, escritor, defensor de direitos humanos, mestre em comunicação pelo PPGCOM/UFPE, conselheiro do Centro de Cultura Luiz Freire e integrante do DiraCom – Direito à Comunicação e Democracia.
Lucinha Figueiredo – Jornalista e assistente social, secretária-geral do Sintac, da coordenação do Comitê da Paraíba e do Conselho Deliberatvo do FNDC, representando a
regional Nordeste II.
Alex Pontes – Agricultor familiar. Coordenador Estadual da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Rio Grande do Norte (FETRAFRN) e Secretário de Comunicação na CUT/RN.

12h às 13h30h – Almoço

13h30 – Oficinas “Soberania digital nas Eleições 2026”
Manuella Mirella – Diretora Nacional de Mulheres da UJS (União da Juventude Socialista) e ex-presidenta da UNE (União Nacional dos Estudantes).
Nátaly Guilmo
Manú Castro

17h – Ato político cultural