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11/05/2016 às 17:59

Atos denunciaram golpismo midiático em 13 estados

Escrito por: Redação, com informações do Brasil de Fato, CUT-SP, CUT-PB e páginas do Facebook de diversas entidades e comitês do FNDC

O Dia Nacional de Luta Contra o Golpismo Midiático foi realizado na última quinta (5/5), em todas as regiões do país, para denunciar o papel relevante da mídia no golpe em curso

Centenas de pessoas foram às ruas de 13 capitais brasileiras, incluindo Brasília-DF, na última quinta (5/5), para denunciar a parcialidade, o partidarismo e a cobertura antiética que a imprensa comercial tem feito da crise política e econômica. Os atos fizeram parte do Dia Nacional de Luta Contra o Golpismo Midiático e foram convocados pelo FNDC e pela Frente Brasil Popular. O objetivo foi denunciar a prática diária dos grandes veículos de comunicação, mas particularmente os do sistema Globo, por ser o maior monopólio do setor e por seu papel de destaque na manipulação de grande parte da opinião pública favorável ao impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
 
Além dos atos nas ruas, a mobilização também colocou a hashtag #GolpismodaMídia na lista dos dez assuntos mais populares do Twitter no meio da tarde da quinta. Em São Paulo, cerca de 50 manifestantes promoveram o enterro simbólico de veículos como Rede Globo, Veja, Estadão, Folha de São Paulo, entre outros. O ato foi realizado na Avenida Paulista. Velas acesas e a marcha fúnebre embalaram o caixão durante o féretro, ocorrido entre o vão livre do MASP e o prédio da Gazeta, bastante popular na cidade, que tem sobre seu teto a principal antena transmissora da Globo.
 
O professor de Comunicação da USP, Dennis Oliveira, foi um dos que participaram do ato na capital paulista. Para ele, a mídia tem sido um dos principais articuladores do golpe ao lado do Judiciário. “A Rede Globo tem feito um trabalho de destruir reputações, vazar informações falsas, de envenenar mentes e de criar uma opinião pública de forma favorável aos golpistas”, afirmou à reportagem da Agência CUT. 
 
Renata Mielli, coordenadora geral do FNDC, também participou do ato na capital paulista e demonstrou preocupação com a consolidação do golpe. Para ela, a ruptura provocada pelo impeachment certamente trará retrocessos no que se refere à comunicação. “Mesmo num cenário desfavorável e sem grandes conquistas, podemos contabilizar avanços como a lei do direito de resposta, o marco civil da Internet e as cotas de produção nacional no conteúdo da TV paga, por exemplo, que estão sob vários ataques no parlamento”, enumera. 
 
Para Renata, é fundamental que a sociedade perceba a comunicação como um direito, que entendam o processo de concessões públicas, por exemplo, para que possa discutir a democratização do setor. “Mas o monopólio da informação não deixa que se discuta comunicação da mesma forma que esconde outros grandes temas de importância vital para a democracia e a classe trabalhadora, por isso mais uma vez estamos nas ruas para lutar contra esse golpe que, para nós, é um golpe na democracia”, completa.
 
Em Salvador-BA, o ato foi convocado pelo FNDC, Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo. Dezenas de pessoas se reuniram no Campo Grande para denunciar a atuação da mídia. Jonicael Cedraz, coordenador do Comitê Pela Democratização da Comunicação na Bahia, reforçou a importância das manifestações populares contra o monopólio midiático. Comparando a atual conjuntura com a que antecedeu o golpe militar de 1964, ele afirmou que naquela época foi "o imperialismo norte-americano que fomentou o golpe contra a democracia no Brasil. Hoje, esse papel é da grande mídia, do Legislativo e do Judiciário".
 
No Distrito Federal, o ato foi realizado no local de maior circulação de pessoas da capital do país, a Rodoviária do Plano Piloto. Cerca de 50 representantes de entidades que compõem a Frente Brasil Popular local ocuparam uma parte da Rodoviária portando faixas contra o monopólio midiático representado principalmente pela Rede Globo. Também houve coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática (Lei da Mídia Democrática).
 
Em Curitiba-PR teve rap, batucão, marchinhas e até fandango. Como em São Paulo, os ativistas também fizeram um velório simbólico da mídia na Praça Santos Andrade, no Centro da cidade. Em Porto Alegre-RS teve escracho em frente ao prédio da Zero Hora e o Júri Popular da Mídia Golpista, que reuniu o discurso de estudantes, jornalistas e militantes contra a atuação das empresas de comunicação como articuladoras do golpe. Em ritmo de luta, o ato arrancou aplausos e cantos do público presente. Em Ponta Grossa, também no Paraná, houve ato na Universidade Estadual (UEPG).
 
No Rio, militantes fizeram o ato na estação Central do Brasil. Houve distribuição de panfletos, aula pública sobre monopólio midiático pelo professor Marcos Dantas, da UFRJ, e velório simbólico da Rede Globo. "Falamos diretamente para a classe trabalhadora sobre a necessidade de reformarmos democraticamente a comunicação para preservar, inclusive, nossos direitos", explica Beth Costa, secretária de Comunicação do FNDC. 
 
Em Minas Gerais houve atos em Belo Horizonte e Uberaba. Na capital, foram realizadas oficinas de agitação e propaganda, aulão público sobre oligopólio nos meios de comunicação e uma performance de rua no Acampamento pela Democracia, na Praça da Liberdade.
 
Em Uberaba, o Levante Popular da Juventude fez um escracho em frente à casa do deputado Marcos Montes, que desde 2007 se posiciona a favor do golpe com discurso contra corrupção mas recebeu doações da Odebrecht, investigada na Lava Jato. O deputado também foi condenado na Justiça estadual por improbidade administrativa e compõe as bancadas ruralista e da bala. Quatro militantes foram detidos pela Polícia Militar e só foram soltos algumas horas depois.
 
Em João Pessoa, na Paraíba, os movimentos protestaram em frente às afiliadas da Rede Globo, Record e Band. O ato concentrou mais de 100 pessoas na sede do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Estado da Paraíba, onde foram articulados os grupos responsáveis pelos protestos nas emissoras. Ativistas leram o “Manifesto Paraibano contra a Mídia Golpista” foi lido durante os atos e distribuído à população. Também foram realizados flash mobs nas TVs Cabo Branco (Globo), Correio (Record) e Miramar (Band).
 
A secretária de Comunicação da CUT-PB e coordenadora do Comitê pela Democratização da Comunicação da Paraíba, Lúcia Figueiredo, lembrou que o monopólio midiático afeta a democracia de uma maneira geral, "pois aliena os discursos e distorce as informações conforme os interesses econômicos do grupo detentor da concessão pública de comunicação. Nossa luta é contra esse monopólio, que é inconstitucional”.
 
Em Recife, houve ações em dois locais: no bairro Brasília Teimosa e no acampamento da Praça do Derby, área central da cidade, onde foram realizados uma roda de diálogo sobre "Rádios e Democracia" e a oficina "Democratizar a Comunicação para Democratizar o País". À noite, houve ato cultural e intervenções urbanas contra o monopólio das comunicações.
 
Em Belém, foram realizados debates nos dias 5 e 6 (quinta e sexta), na FAP-Estácio e na UFPA, com o tema "sem democratizar a mídia não tem como democratizar o Brasil". Também houve atos na capital alagoana, em Fortaleza-CE e em São Leopoldo-RS.
 
Disputa dada
 
Para Renata Mielli, os atos recentes demonstraram, mais uma vez, que a sociedade está cada vez mais consciente da atuação desondesta de grande parte dos veículos de mídia. "Embora Globo, Veja, Estadão, Folha de São Paulo e as demais empresas de comunicação escondam essa discussão, cada vez mais organizações e movimentos de trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, estudantes, mulheres, negros e negras, LGBT, entre outros, estão fortalecendo a luta pela democratização da comunicação. E isso acontece porque tem se consolidado a compreesnão de que sem mídia democrática não há democracia, não há avanços e nossos direitos estão ameaçados. Prova disso é o golpe orquestrado e levado a cabo que busca destituir do poder uma presidenta eleita democraticamente. A luta está data e vamos continuar fazendo a disputa por democracia, inclusive nas comunicações, mais do que nunca necessária e relevante", arremata a coordenadora geral do FNDC.