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E-Fórum / Notícias

20/03/2015 às 15:58

Encontro paranaense traça planos para uma mídia mais democrática

Escrito por: Jornal Comunicação - Jornal Laboratório da Universidade Federal do Paraná
Fonte: Jornal Comunicação - Jornal Laboratório da Universidade Federal do Paraná

Participantes elaboraram um documento que será encaminhado para o Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação

O Encontro Paraense pelo Direito à Comunicação (EPDC) reuniu movimentos sociais, profissionais e estudantes para debater a democratização da mídia nesse sábado (14). Organizado pela Frentex – PR, coletivo que luta pelo direito à comunicação e liberdade de expressão, o evento aconteceu na Uninter da praça Tiradentes e contou com palestras, debates e intervenção na rua.
 
Cerca de 100 pessoas estiveram presentes no Encontro, que serviu como preparatório para o Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC), marcado para abril em Belo Horizonte – MG. “Essa é uma luta que não se faz só no nível nacional, ela também deve chegar aos estados e cidades para ser concreta no dia-a-dia das pessoas”, comenta Bia Barbosa, da coordenação nacional do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação.
 
O professor de jornalismo Ayoub Hanna, que integrou a mesa de abertura, também defende a importância de debates como esse. “Precisamos desses eventos para mobilizar movimentos sociais, sindicatos e organizações para a defesa desse direito legítimo de toda a população”, diz.
 
O EPDC discutiu a regulação da mídia para uma comunicação menos concentrada nas grandes corporações, bem como o atual cenário político que favorece a exclusão de grupos minoritários dos meios de comunicação. “A grande maioria da população está excluída da mídia tradicional, dos conteúdos de entretenimento, como as novelas, mas, principalmente, do conteúdo de jornalismo”, explica Ayoub.
 
Comunicação na rua
 
Às 13h, os participantes se reuniram em frente à catedral da praça Tiradentes para uma intervenção na rua. O ato contou com música e recital de cordel para chamar a atenção dos passantes para a representatividade das diferentes culturas e sotaques na grande mídia.
 
Mais tarde os encontristas se dividiram em grupos que debateram os seguintes temas: representação das identidades regionais em produções audiovisuais; comunicação pública; comunicação popular; mídia e direitos humanos; e o Marco Civil da Internet. Cada grupo elaborou uma carta de propostas, que serão unificadas em um documento para ser apresentado no Encontro Nacional.
 
Para Bia Barbosa, esse foi um dos pontos mais positivos do encontro. “Muitas vezes ocorrem grandes encontros e debates e isso não é transformado em algo concreto. Aqui, o debate gerou propostas específicas para a ação nacional e dentro do estado”.
 
Participação estudantil e de movimentos sociais
 
Grande parte dos participantes eram jovens, em sua maioria, universitários. O número de estudantes nas discussões não surpreendeu o professor Ayoub Hanna. “Temos visto grande participação dos estudantes em muitas lutas. A capacidade de mobilização estudantil é muito maior que a de qualquer outra categoria e isso fortalece os eventos. Quando há uma participação como essa, a gente vê que o resultado pode ser mais forte no futuro”.
 
A bacharel em direito e mestranda da UFPR Alice Novato, 25, se disse muito satisfeita com a representação que encontrou no evento. “Todos os grupos minoritários estavam representados e estavam muito à vontade, o que mostrou como o próprio evento foi democrático”, conta. Alice, que também integra a Rede de Grupos de Agroecologia do Brasil (REGA Brasil), considera a comunicação uma pauta fundamental para qualquer tipo de mobilização. “Me senti contemplada em ver que as pautas que foram encaminhadas aqui são pautas que surgem reiteradamente nos nossos movimentos”.
 
Ana Paula Salamon, da Frentex – PR, destaca a importância da diversidade de grupos presentes. “Cada movimento tem suas lutas, mas quando se fala em democratização da comunicação, isso perpassa todas as outras reivindicações. Uma reforma política no país não pode ser feita sem olhar para a comunicação”, explica.