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10/08/2016 às 19:23
Escrito por: Redação, com informações do Portal Institucional da EBC. Foto: Alex Ferreira (Câmara dos Deputados) e Magno Romero (EBC)
Fortalecer a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é garantir que o Brasil possa continuar construindo sua experiência de comunicação pública a partir da complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal previstos na Constituição Federal. Essa foi mensagem que a coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Renata Mielli, passou aos participantes do seminário realizado pelo Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional para discutir o papel da EBC e da comunicação pública no país, na última segunda-feira (8/8).
A coordenadora do FNDC também ressalvou que o Brasil está construindo a comunicação pública do zero, inclusive do ponto de vista da narrativa jornalística e da programação. “A EBC veio para complementar nosso sistema de radiodifusão, e não para repetir o que faz a comunicação privada”, lembrou a jornalista. “Se extinguirmos a EBC não vamos conseguir construir essa comunicação pública que queremos. O governo golpista interino já manifestou suas intenções para a empresa: quer extinguir o Conselho Curador e a TV Brasil, então temos que proteger a EBC desses ataques”. Mielli lembrou, ainda, que desde a criação da EBC que os meios de comunicação privados pedem sua extinção, relembrando o nefasto editorial da Folha de São Paulo que pedia o fechamento da estatal (link no final desse texto).
Rosane Bertotti, ex-coordenadora geral do FNDC e membro atual do Conselho Curador da EBC, também ressaltou a necessidade de um debate sobre a EBC pautado no interesse público. “Quando falamos de comunicação pública falamos de um sistema maior do que a EBC e que é capaz de representar a diversidade e a pluralidade do Brasil. Sou de uma cidade pequena do interior do Rio Grande do Sul, onde para assistir tevê é preciso ter uma antena parabólica ou contratar TV a cabo, e mesmo assim só assistimos o mundo Rio-São Paulo, como se não existisse o resto do país, que hoje é mostrado pelas emissoras públicas. Nesse cenário, a EBC é imprescindível como espaço de elaboração desse modelo de comunicação”, destacou. Para Bertotti, discutir comunicação no Brasil “é um tabu”. “Se o modelo da EBC não está a contento, vamos discuti-lo abertamente com a sociedade, e não extingui-la!”.
Para isso, seria necessária apenas uma mudança na Lei da EBC, porém, Bucci acredita que os princípios da comunicação pública só se efetivariam no bojo de uma regulamentação ampla das comunicações. “Isso é entendido por muitos setores como sendo um esforço de censura. Mas basta olharmos o exemplo de democracias consolidadas, como os Estados Unidos, para vermos que não se trata disso. A regulamentação protege as liberdades. (...) A comunicação pública terá o seu lugar se a resposta ampla estiver clara para todos. É um modelo que cumpra a Constituição, em que o sistema público, estatal e o comercial sejam, efetivamente, complementares”.Atualizada às 9h46 de 11/8/16